Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 497

Meu Talento Se Chama Gerador

As runas não ficavam apenas suspensas no ar, começaram a se mover. Lentamente, primeiro, deslizando em direção uma à outra, depois mais rápido, como se fossem puxadas por alguma força invisível. A bruma negra engrossava, enrolando-se ao redor delas como serpentes em uma videira.

E então, com um profundo e ressonante zumbido, as três runas se chocaram.

O mundo parecia ondular. A essência se curvava de maneiras que minha mente não conseguia explicar, e, diante dos meus olhos, um portal girava, rasgando o espaço onde Saturno havia caído. Suas bordas escorriam névoa negra, lançando jatos longos que se espalhavam pelo chão como uma névoa venenosa.

O portal se ampliava, suas margens irregulares, como se o próprio universo não quisesse que estivesse ali. Além dele, não havia luz, apenas um vazio.

A névoa avançou novamente, e então—

Algo se moveu dentro do vazio.

Uma figura avançou, arrastando-se da escuridão como uma sombra que ganhava vida. Meus olhos se arregalaram. Conhecia aquela silhueta. Já a tinha visto antes, não aqui, mas em gravações, em vídeos que todos os soldados eram obrigados a assistir para nunca esquecerem.

Um Fantasma.

Era uma figura alta, humanoide, quase três metros de altura, com ombros largos e um corpo musculoso. Seu corpo estava completamente coberto por uma armadura escura, metálica, que parecia sem costura.

Em vez de capacete ou rosto tradicional, a cabeça do ser estava envolta por uma massa de fumaça negra mortal que se enrolava e torcia como uma sombra viva. As únicas características visíveis em seu rosto eram duas linhas horizontais de luz vermelha-laranja brilhante que se estendiam através da escuridão, dando a impressão de um olhar intenso, flamejante.

Seu corpo emitia uma pluma contínua da mesma fumaça negra, que se elevava da armadura e se misturava com a cabeça enevoada. Em uma das mãos, o Fantasma segurava uma espada grande e ameaçadora.

Ao fundo, um portal etéreo e negro girava com a névoa da morte, enquanto o chão estava coberto pelos destroços de edifícios destruídos.

Mas o que me surpreendeu, e também North ao meu lado, que cobriu a boca com a mão, foram as duas linhas horizontais vermelhas e brilhantes no rosto dele.

O sistema não conseguia escanear Fantasmas. Eles não tinham níveis. Apenas classificação por faixas.

A faixa mais baixa de Fantasma era a de Grande Mestre. Essa era sua posição inicial.

E as classificações eram indicadas pelas linhas horizontais brilhantes em seus rostos. Este tinha duas.

Acenei meus dentes, imaginando o que isso significava. Era superior ao nível de Grande Mestre. Poderia ser nível 301 ou até 499. Ninguém sabia ao certo.

E essa era a maior ameaça, o que causava medo nas pessoas. O desconhecido.

Mas antes que eu pudesse assimilar a ideia de que nossa morte acabara de sair do portal, outro Fantasma apareceu.

Seguia o mesmo padrão de design humanoide, blindado, mas esse parecia um anão, com pouco mais de um metro e meio de altura. Carregava um martelo enorme na mão, e uma única linha horizontal brilhava em seu rosto.

Logo depois, veio outro. Uma perna gigante surgiu primeiro, esmagando o chão enquanto o portal se abria ainda mais para deixar passar o Fantasma. Era colossal, quase vinte metros de altura, com dois chifres gigantes curvados de sua cabeça e uma única linha horizontal atravessando sua viseira.

Quando o gigante ficou completamente fora do portal, ele desapareceu.

Havia silêncio absoluto. Percebi que nem sequer estava respirando.

A aura opressiva dos três Fantasmas se espalhava pela área, densa e sufocante. Névoa de morte jorrava continuamente de seus corpos, torcendo e enroscando-se no ar. Podia ver a essência ao redor deles se corroendo, lutando contra a corrupção, tentando resistir à presença deles.

O primeiro, o alto Fantasma com as duas linhas brilhantes, escaneou a região lentamente, inclinando a cabeça como se avaliasse uma presa.

Perto dele, o Fantasma anão segurava firmemente seu martelo gigante, e a linha única no rosto piscava como uma luz de aviso.

Ao fundo, o gigante, quase trinta metros de altura e com dois chifres enormes curvando-se de sua cabeça, permanecia silencioso, com uma linha única brilhando fracamente, exalando uma força contida. Ambos os Fantasmas de classificação menor flutuavam próximos ao alto, como se reconhecessem instintivamente sua liderança.

"Percebi… a morte," disse finalmente o Fantasma alto, com voz baixa, oca, reverberando no meu peito. "O recipiente… acabou."

"Não importa. Isso nos dá mais almas para alimentar," acrescentou o Fantasma anão, enquanto sua linha brilhante escaneava todos os Grandes Mestres presentes com uma fome fria e calculista.

"Hmmm..." resmungou o Fantasma alto, inclinando a cabeça. "Algo está… errado. Não consigo detectar o núcleo do mundo. O mundo não parece fraco o suficiente para não ter um."

Ele deu um pequeno passo adiante. O chão rachou violentamente sob seu pé, e uma onda de choque enorme explodiu para fora, dispersando poeira e destroços pelo ar.

"Nada de se esconder," sua voz áspera ecoou pelo campo em ruínas.

O ar ondulou ao nosso redor enquanto o Espaço fluctuava, e Dante apareceu perto do Imperador num instante.

"Então… foi você quem ajudou Saturno na última guerra contra nós," disse o Imperador, avançando através da poeira crescente, com os dentes cerrados. Raios vermelhos estalavam e ribdiam acima, transformando o céu numa tela violenta.

O Fantasma alto inclinou a cabeça em direção ao Imperador, como se o avaliasse com curiosidade, e respondeu casualmente, "Sim."

Nada mais. Sem explicações, sem justificativas. Apenas uma afirmação de fato.

Senti a pressão da aura dos Fantasmas sobre tudo ao redor. Eles eram movidos somente pela destruição e ganância, destruição de vidas e essência, desejo de se fortalecerem. E seu crescimento era simples: eles consumiam seres vivos, coisas que prosperavam com a essência.

Para Saturno ter recebido ajuda deles, certamente ofereceu algo substancial em troca. Meu estômago embrulhou ao imaginar o que ele teria feito para invocar seres tão aterrorizantes.

O gigante Fantasma com os chifres, finalmente, falou, sua voz profunda rolando como trovão distante.

"Oferecemos a vocês a mesma escolha. Almas em troca de poder."

"Ou a morte, se recusarem," acrescentou o anão.

Os olhos do Imperador permaneceram fixos no Fantasma maior do centro, ignorando completamente os outros dois.

"Procuramos por vocês há anos. Vocês pagarão por todas as mortes, por toda dor que causaram ao povo de Vaythos."

O Fantasma alto levantou sua espada, a névoa negra de morte se enrolando de seu corpo, e apontou para o Imperador.

"Vocês… são fracos," disse.

As palavras não foram apenas um insulto, mas uma declaração.

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