Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 495

Meu Talento Se Chama Gerador

Ela levantou lentamente sua espada, com os braços tremendo, mas firme. Seus lábios se moveram, suaves e constantes.

"Um golpe."

A fumaça negra que vazava de seu corpo de repente se ergueu, rastejando e enrolando-se até envolver toda a sua arma.

Ela engoliu a lâmina completamente, devorando o aço até que a própria espada desaparecesse de vista. Em suas mãos, ela já não parecia uma espada; agora, parecia fogo. Não chamas de calor, mas fogo escuro e sufocante, como se ela segurasse um pedaço ardente do abismo.

Seu corpo tremeu ao puxar a lâmina de volta. Depois, com um grito que rasgou o campo de batalha, ela a atingiu para baixo.

O golpe veio como uma linha reta, inicialmente. Limpa, afiada, perfeita. Mas, na metade do arco, o fogo negro na lâmina explodiu.

A fumaça irrompeu para fora como uma tempestade sem controle. E então, não foi mais um único golpe. Foram incontáveis.

Espadas, todas esculpidas da mesma fumaça negra, encheram o céu até que não sobrasse mais céu para ver. Elas se estendiam em todas as direções, camada após camada, transformando o firmamento em uma tempestade de lâminas. Cada espada irradiava a mesma aura mortal, todas prometendo cortar Saturno até o último instante. Elas avançaram juntas, correndo em sua direção com força imbatível.

Meus olhos se arregalaram. Nunca tinha visto algo assim. Era como se Hazel tivesse rasgado a realidade e despejado sua raiva, sua dor, seu ser inteiro em um único golpe.

Porém, Saturno não recuou.

Ele deu um passo à frente, apenas uma vez. E, com esse único passo, seu corpo brilhou ainda mais intensamente. O brilho branco translúcido que o envolvia antes agora reluzia como o núcleo de uma estrela. Sua grande espada se levantou, emitindo um brilho tão forte que quase cegou meus olhos ao olhar para ela.

Sua voz rolou como uma risada.

"Deus da Lua—Poeira Divina."

A espada desceu, e dela emanou uma linha de luz branca pura.

A luz era tão intensa que tive que proteger os olhos com o braço, mas mesmo com as pestanas vi o pondo se dividir. Um único golpe se transformou em milhares, cada um em forma de lua crescente. Uma chuva de lâminas brancas, pesadas de poder divino, caiu em direção à tempestade de espadas negras de Hazel.

E então, o mundo se partiu.

Os dois ataques colidiram: espadas negras contra luas crescentes brancas, sombra contra luz da lua.

A explosão seguinte foi além de tudo que eu podia imaginar. O impacto abriu o céu, enviando ondas de choque para todos os lados.

Meus ouvidos zuniam, e a plataforma em que Edgar e eu estávamos tremeu violentamente sob nossos pés. Tive que fincar os pés para não ser arremessada para longe. Até os grandes mestres que observavam de cada lado recuaram, suas habilidades e defesas acendendo-se apenas para manterem-se firmes.

O próprio céu parecia se despedaçar, pintado de preto e branco, rasgado pelos seus pactos de vontade.

E então, lentamente, a tempestade começou a diminuir.

Saturno ainda pairava no ar, mas metade do corpo dele não brilhava mais. A luminosidade de sua forma havia se apagado, deixando seu lado direito queimado e fumegante. Ainda permanecia de pé, quase caindo, com vapor saindo de sua pele.

Hazel flutuava oposta a ele, em condições muito piores. Sua espada tinha desaparecido. A arma que a havia guiado por todas as batalhas de sua vida não era mais do que poeira.

Ela mesma estava pálida de morte, a escuridão agora consumindo seu corpo, salvo uma pequena área de pele intacta, seu rosto. Apenas seu rosto permanecia humano, o resto era uma sombra na forma de carne.

Saturno deu uma risada, embora fosse rouca, cheia de dor.

"Por um momento, achei que fosse o fim. Mas parece que você errou."

Fechei os punhos com mais força. Minha garganta doía, mas antes que pudesse falar, Hazel respondeu. Sua voz era suave, quase delicada.

"Houve uma habilidade que precisei usar milhões de vezes só para concluir uma missão."

Minhas orelhas se arregalaram no instante em que ela disse isso. As palavras tocaram algo profundo dentro de mim, e senti meus olhos ficarem quentes, a umidade querendo escorrer. Eu sabia exatamente o que aquilo significava.

Ela continuou, com a voz firme apesar do sangue nos lábios. "Depois, dez milhões de vezes. Quero te mostrar o auge que alcancei. Não sou tão talentosa assim. Talvez alguém me supere um dia."

Engoli em seco. Para mim, ela sempre foi mais do que talentosa; ela era o padrão.

Então, seu corpo incendiou-se.

A fumaça negra rugiu para fora, explodindo como fogo, até cercá-la numa tempestade de morte. O próprio ar ficou pesado, carregado com a sensação de que um único movimento errado poderia nos matar a todos. Minha pele arrepiou, meu peito apertou. Até respirar parecia um crime sob aquela aura.

Sua voz ascendeu, ecoando por todo o campo de batalha, carregada na fumaça.

"Abismo Cortante—Luna Matadora."

Seu corpo se desfez, dispersando-se na tempestade. E, no lugar dela, só restou uma coisa.

Uma espada. Uma única e imensa espada negra pairando no céu onde ela estava, silenciosa e terrível.

Então, ela se moveu.

A lâmina caiu, cortando para baixo numa linha que abriu o mundo. Desde o céu até o chão, uma única linha de corte surgiu, conectando céu e terra.

Saturno rugiu, levantando sua espada para se defender, mas foi lento demais. A espada negra atravessou-o, rasgando seu corpo de cabeça aos pés num movimento perfeito.

O golpe não parou. Cortou o chão sob ele, se estendendo mais e mais até desaparecer no horizonte. Uma trincheira infinita marcou o mundo onde seu ataque passou.

Por um longo momento, ninguém se moveu.

O campo de batalha ficou silencioso, exceto pelo sussurro da fumaça.

Hazel desapareceu. A espada sumiu. Mas sua última linha de corte permaneceu, uma marca gravada na terra e em todos nós que a testemunhamos.

E Saturno…

Ele pairava, trêmulo, com o corpo aberto pelo golpe. Sua aura vacilava, sua respiração entrecortada, e ele caiu do céu.

Eu não conseguia respirar. Meu coração batia forte no peito. Controlei-me para não gritar ou berrar.

A vida de Hazel.

Sua vingança.

Seu adeus.

Já tinha acabado, e ela não estava mais conosco.

Fechei os punhos enquanto as últimas reverberações de seu poder se apagavam. Hazel deu tudo de si, e àquele momento jurei a mim mesmo que carregaria sua vontade, sua determinação, sua força inabalável. Por mais que o Abysso fosse profundo, eu o atravessaria até o fim.

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