
Capítulo 487
Meu Talento Se Chama Gerador
— Não, Sua Majestade — ela respondeu imediatamente. — O motivo do chamado, pelo que conseguimos confirmar, foi que o Imperador de Peanu foi visto voltando para o palácio coberto de sangue, sem a armadura.
Logo depois, saiu a convocação de emergência. Mas o mais estranho é que vários Grandmasteres de Peanu pararam de responder. Estão desaparecidos ou simplesmente sumiram. Até agora, conseguimos rastrear pelo menos cinco que estão sem contato.
O imperador ficou em silêncio por alguns segundos antes de perguntar: — E por que vocês acham que o Bilhão está envolvido?
A mulher tossiu, hesitando.
— Porque… os relatos mais recentes dizem que uma criatura enorme está rondando acima do palácio da capital. Dois Grandmasteres foram até enfrentá-la. Ambos foram mortos. E a criatura corresponde exatamente à descrição da criatura voadora que o Comandante Bilhão comanda.
Minha boca caiu aberta antes de forçá-la a se fechar novamente. Seus chamados poderiam matar Grandes Mestres agora?
Arkas se inclinou para frente, com o tom calmo, mas carregado de empolgação. — O nome dele é Silver.
O homem ao lado dele finalmente levantou a cabeça e ajustou os óculos.
— Nossa teoria é que o estranho estado do Imperador de Peanu se deve à luta dele com o Comandante Bilhão. Mas não temos provas. Quando ele veio pedir nossa ajuda, parecia estar totalmente bem. Depois, quando enviamos homens para verificar a Zona da Lâmpada, encontramos a zona intacta, mas a Torre da Lâmpada estava destruída. Não há sobreviventes.
O imperador estreitou os olhos. — E quanto aos dez Grandmasters que foram com Saturno?
— Não foram vistos na capital quando o imperador reapareceu, — respondeu a mulher.
— Mais alguma coisa?
— É tudo que temos, Sua Majestade. — Ambos fizeram uma reverência.
O imperador assentiu, depois virou-se para o restante de nós.
— General Cassian, o que acha? É estranho, não é?, que ele tenha chamado todos os grandes mestres de volta, praticamente deixando Peanu vulnerável às aberrações e fantasmas?
Cassian deu um passo à frente, com voz firme.
— Sua Majestade, acredito que o Guardião Bilhão esteja por trás disso. O imperador deles deve sentir que é seu último recurso. A criatura que ronda o palácio não é aleatória, é para bloquear ou vigiar Saturno. Caso contrário, Silver já estaria atacando.
Dante foi o próximo a falar.
— Concordo. Sugiro que avancemos direto para a capital. Vou fazer uma varredura primeiro, verificar quantos grandes mestres ainda estão lá dentro. Silver pode estar lá, mas Saturno sempre encontra uma forma de escapar.
O imperador assentiu lentamente.
— Entendido, Dante. Mas lembre-se, estamos falando do Saturno. Ele não segue regras. Ele não se importa com Peanu nem com seu povo. Tudo que ele quer é poder. Honestamente, estou surpreso de ele ter retornado à capital se o Bilhão o derrotou.
Hazel cruzou os braços.
— Você está sugerindo que é uma armadilha?
O imperador virou-se para ela e acenou com a cabeça uma vez.
— Sim.
Ela bufou.
— E daí? Você não ouviu o relatório? Pelo menos dezessete, talvez vinte grandes mestres estejam mortos ou desaparecidos. Essa pode ser a melhor oportunidade que vamos ter.
Fiquei de cara limpa. Hazel falava com o imperador como se ele fosse seu irmão, e não seu governante.
— Entendo, Hazel — disse o imperador. — Mas o plano nunca foi atacar a capital. A razão era simples: evitar armadilhas. E acredite, vai haver armadilhas. Conheço Saturno. Ele é uma criatura maligna.
Hazel respirou fundo.
— Então, qual é a sua decisão, Sua Majestade?
O local ficou em silêncio. Todo mundo se inclinou, ouvindo atento.
Foi quando Edgar, que permanecia em silêncio até então, finalmente falou.
— Sua Majestade, sugiro que nos aproxime da capital. Então, ao invés de atacar de frente, por que não perguntar ao Silver o que está acontecendo? Acredito que os jovens que trouxemos — Steve ou North — podem nos ajudar a comunicar. Silver deve saber que eles são amigos do Bilhão.
Olhei para o velho astuto. Inteligente. Muito inteligente.
O sorriso apareceu nos lábios do imperador.
— Excelente. Gosto dessa ideia, Edgar. Sem mais atrasos, então. Dante, como faremos a viagem?
Dante coçou o queixo, com os olhos balançando entre o homem e a mulher que deram o relatório anteriormente.
— E quanto aos grandes mestres que estão nas proximidades?
O homem balançou a cabeça.
— Era um casal. Ambos estão desaparecidos.
Dante soltou uma risada curta.
— Então vamos aproveitar os teleportadores deles. Assim, chegaremos bem perto da capital.
Não perdemos tempo. Dante deu um passo à frente, e o espaço ao nosso redor pareceu ondular como uma poça sendo atingida por uma pedra.
No próximo instante, o chão sob meus pés se moved, o ar mudou. Estávamos já avançando rápido pelos céus, em direção a algum lugar, carregados pelo estranho poder de Dante.
Vento uivava ao nosso redor, mas o mundo lá fora se embaralhava até se transformar em nada. As ondulações espaciais de Dante nos envolveram como um manto, dobrando som e luz para que ninguém pudesse nos enxergar.
Para quem estivesse lá embaixo, éramos apenas uma distorção no ar, uma sombra passageira. Mantive meus olhos fixos na direção, com o coração firme, lembrando-me da força de Dante.
De repente, nos desaceleramos e uma cidade surgiu à nossa frente, construída ao redor de um palácio enorme de pedra branca e bandeiras verdes. Dante nos guiou direto pelos jardins do palácio, passando despercebidos por guardas e barreiras como se eles nem existissem.
Num instante estávamos acima dos telhados, no outro, dentro da câmara de teletransporte, com runas brilhantes vibrando sob nossos pés.
— Aguente — murmurou Dante.
As runas se acenderam intensamente. O mundo se quebrou e se recompôs num piscar de olhos. Quando minha visão se clareou, estávamos na capital.
O ar pesado e tenso. Eu senti assim que chegamos. Sussurros de Essência pairavam densos pelas ruas, e mesmo de dentro do disfarce de Dante eu percebia o medo que pressionava a cidade.
— Sigam — ordenou Dante. As ondulações espaciais se dobraram novamente, envolvendo-nos com mais firmeza. Saímos de dentro do palácio antes que os guardas ou os feitiços percebessem algo. Ninguém nos viu, apenas uma perturbação no ar passando por nós.
Viajamos pelo céu, além das muralhas. A capital encolhia atrás de nós enquanto Dante nos puxava até uma colina próxima. De lá, a cidade parecia um ninho de formigas zumbindo, com o palácio em seu centro.
Finalmente, o imperador falou, a voz calma, mas carregada de comando.
— Dante. Leve Steve até a criatura. Tente conversar com ela. Tire boas respostas.
Senti um arrepio, minha mão apertando firmemente a empunhadura da espada. Dante me olhou e fez um pequeno gesto com cabeça de concordância.
— Vamos, garoto.
O mundo ondulou novamente, o espaço se dobrando ao nosso redor. Meu estômago caiu, e num piscar de olhos, tudo mudou.
Me congelei.
Dois olhos enormes e vermelhos ardentes estavam fixos em mim.
Silver.
Suas asas gigantescas se abriram amplas, as pontas desaparecendo na névoa que envolvia seu corpo, tingida de vermelho. A força esmagadora de sua presença pressionou-me, tão pesada que quase meus joelhos fraquejaram. Minha garganta ficou seca, engoli em seco. Este não era o Silver que eu conhecia. Ele havia crescido perigosamente forte, exatamente como Bilhão.
— Steve.
Quase pulei de susto. Meu nome ecoou em uma voz profunda, ressonante, que não deveria pertencer a uma fera. Mas pertencia.
Silver tinha falado.
Minha mente ficou em branco por um segundo. Era tão estranho, tão surreal.
Então ele repetiu, mais incisivo desta vez.
— O que você está fazendo aqui?