
Capítulo 486
Meu Talento Se Chama Gerador
Ela não se incomodou em me responder.
Ela apenas disse, seca e fria: "Escuta, moleque — não vou acompanhar você, e não vou levar você comigo na hora da invasão. Tenho um conselho: fique o mais longe de mim que puder."
Depois virou-se e foi embora sem lançar mais um olhar.
North assistiu sua saída e perguntou: "O que foi aquilo?"
Coloquei a expressão mais séria no rosto. "Não tenho certeza", respondi. "Mas a minha melhor hipótese é que ela perdeu o ritmo. Ela vive para destruir Peanu. É tudo que ela pensa. Leve a advertência a sério, não chegue perto."
North franziu o cenho, mas concordou com um aceno. Ficamos ambos em silêncio por um momento, ouvindo os passos se dissiparem entre as árvores. Senti um nó frio na nuca e mandei que eu mesmo prestasse atenção.
"Enfim, como está seu progresso na compreensão?" perguntei para North. Notei que ela ainda não havia alcançado o nível de Grande Mestre, like eu.
"Tá indo bem", ela respondeu com um leve encolher de ombros. "Dante é muito bom nisso, mas está fora por causa da missão. Ainda não terminei minha missão também. Quem sabe eu consiga completar em Peanu."
Levantei uma sobrancelha. "Em Peanu? Qual é a sua missão?"
Ela olhou direto nos meus olhos. "Chama-se Morte Corajosa. Preciso matar doze humanos nível 199, atingindo o coração deles. A única causa das mortes pode ser a destruição do coração — nenhuma fatalidade, nenhum dano lateral."
Pisquei. Que tipo de missão torturada era aquela?
"Bem… parece brutal. E humanos também. Imagina se o Billion tivesse recebido dez mil humanos, em vez de aberrações."
North fez uma careta e balançou a cabeça. "Não quero nem imaginar isso. Mas a minha é possível de fazer se eu esforçar na compreensão e aprimorar minhas habilidades."
"E você pretende fazer isso durante essa invasão?" perguntei com cautela.
Ela assentiu uma vez, firme.
Sorri por dentro, puxando uma mão pelos cabelos. "Às vezes, fico pensando se não despertar teria sido mais tranquilo."
Ela riu e se inclinou um pouco mais perto. "Pois é. Aí, você ficaria reclamando de como deve ser incrível despertar. A grama sempre fica mais verde do outro lado, seu preguiçoso."
"Sério? Quer ouvir minha missão?" perguntei, inclinando a cabeça.
"Sim, conta aí."
"Chama-se... Repetição Abissal. Preciso ativar minha habilidade Corte do Abismo um milhão de vezes."
Ela sorriu, mas a expressão congelou quase imediatamente. "O quê?!" quase gritou.
"Exatamente", eu disse, jogando as mãos para cima. "Essa foi minha reação também. Tô ficando maluco só de pensar na minha idade quando finalmente acabar. Agora só consigo ativar duas vezes por minuto. Faça as contas."
North me encarou por um momento, depois balançou a cabeça. "Quase dois anos de farra incessante, todo santo dia, doze horas por dia. Se você fizer só isso por doze horas. É... é de louco."
"Dane-se isso", murmurei. "Parece que o sistema achou que eu era preguiçoso e me puniu com essa missão."
Ela riu. "Ele poderia mesmo fazer isso, se houvesse um jeito."
"Que quer dizer, 'se houvesse um jeito'?" perguntei. "Mesmo que não haja, o cara vai descobrir algum truque."
"Então, só me desejo sorte", ela disse.
Sorri, respirando fundo. "Que tédio. Eu pegaria sua missão numa boa. Pelo menos a sua parece perigosa. A minha é só clicar sem parar. Mesmo spam tem limites."
"Tá bom, tá bom. Continue aí. Se quiser acompanhar ele, vai ter que grindar."
Seu tom me fez parar. Ela tava falando do Billion e de como ele tava crescendo rápido. Ele já era o mais forte do nosso mundo. Talvez logo em toda a galáxia.
"Acho que ele vai achar um jeito de resolver minha missão e minha compreensão", falei. "Mas uma coisa é certa: não vou deixá-lo sozinho se ele sair de Vaythos. Eu vou com ele como Mestre, se precisar. Quero conhecer garotas legais de outras raças. Vou fazer isso acontecer. E vou ficar de olho nele por você."
Ela bufou. "Não precisa. Eu mesma posso fazer isso. Ele já prometeu que me leva."
"Quando foi isso?" perguntei, surpreso.
Ela colocou as mãos nos quadris. "Como assim? A gente conversa em particular também, sabia? Você não acha que contamos tudo a você."
Me recuei, impressionado. "Vocês não contam mesmo... Mas ele prometeu que vai me contar tudo. Até sobre o seu beijo."
O rosto dela ficou sério e sério. Ela se aproximou. "O que você acabou de dizer?"
Eu tossi, tentando disfarçar. "Disse que ele vai me contar se vocês beijaram."
Ela abriu a boca, pronta pra rebater, mas antes que pudesse, um homem e uma mulher entraram na clareira de repente e se ajoelharam diante do Imperador.
Ambos se viraram para os recém-chegados.
Eles vestiam roupas simples, mas cada um tinha um grande emblema no peito — um de uma lua meia, o outro de uma lua escura.
"Levantar-se", disse o Imperador. "Me contem o status."
Eles se levantaram. A mulher se adiantou, embora eu pudesse perceber sua nervosismo, mesmo sendo ela uma Mestre.
"Hum... fomos contatados pelo Comandante Billion para passar uma mensagem ao Anchor, e assim fizemos. Na mensagem, ele pediu que nossas forças chegassem junto com o Sir Steve e a Senhora North."
Não pude deixar de sorrir um pouco. Pelo menos ele não tinha me esquecido.
"Estou ciente disso", respondeu o Imperador. "Quero o status de Peanu. Tenho certeza que o Dante te informou sobre a nossa missão."
A mulher olhou para o Imperador e depois para o homem ao lado dele, que mantinha a cabeça baixa.
Por fim, ela falou, com voz trêmula:
"Sim, Sua Majestade. O problema é... todos estão chocados com o que está acontecendo em Peanu agora. Nossa rede inteira tenta entender o que se passa. Mas o que confirmamos é que o Comandante Billion causou... uma bagunça séria."
Franzi a testa. Isso já parecia coisa dele.
"Primeiras movimentações estranhas que rastreamos vieram da capital", continuou ela. "O Imperador de Peanu foi visto indo para o Continente Yami. Mas, depois, descobrimos que na verdade ele foi para a Zona Lamp."
O Imperador a interrompeu. "Quer dizer, a misteriosa zona de Peanu?"
Ela assentiu rapidamente.
"Continue", ordenou ele.
"Sim. Pelo que apuramos, a Zona Lamp abriu pela primeira vez na história de Peanu. O Imperador foi lá com pelo menos dez Grandes Mestres. Mas…", ela hesitou, "...há relatos de que alguns Grandes Mestres morreram na primeira investigação da zona. Roland Max pediu a ajuda do Imperador pessoalmente."
Meu estômago retesou. Grandes Mestres mortos. Uma zona misteriosa. Tinha que ser coisa do Billion.
Ela prosseguiu.
"Depois disso, tudo ficou escuro. O próximo relato claro foi de uma chamada de emergência enviada diretamente da capital. O Imperador convocou todos os Grandes Mestres a retornarem imediatamente."
Isto deixou tudo mais tenso. Até o nosso Imperador parecia nervoso.
"A notícia da nossa chegada vazou?" perguntou ele.