
Capítulo 477
Meu Talento Se Chama Gerador
Todos os quatorze grandes mestres inclinaram suas cabeças, a luz das chamas refletindo em seus rostos.
O momento se arrastou, interrompido somente quando Roland finalmente deu um passo à frente. Sua expressão estava calma, respeitosa, quase ansiosa, mas havia uma leve tensão ao redor dos olhos.
"Vossa Majestade", disse Roland, com uma voz carregada de reverência cuidadosamente medida. "Peanu fica mais forte com a sua presença aqui. É uma honra."
Os olhos castanhos de Saturna percorreram a multidão reunida. Por fim, ele deu uma única inclinação de cabeça.
"Este lugar", disse ele, com a voz calma, mas carregada de peso, "há muito tempo não ponho os pés aqui. Nunca imaginei que pudesse me surpreender assim. Vocês fizeram um bom trabalho, Roland… mas falharam onde era mais importante. Você deveria ter dado sua vida para proteger os Ferans. Quando tudo isso acabar, conversaremos sobre isso."
Seus dizeres não eram altos, mas atravessaram o silêncio como um trovão.
As facções se mexeram de forma inquieta.
Mandal Moon inclinou-se mais sobre seu cajado, Porus ajustou a faixa no peito, e Karu manteve a mão que estimulava a barba perfectamente imóvel.
Roland inclinou a cabeça novamente, atento a cada palavra.
"Claro, Majestade. Peço desculpas pela minha falha. Ainda assim, uma preocupação surge." Seus olhos piscaram, não para Saturna, mas em direção às cinco figuras mascaradas que estavam atrás dele. "Os Guardas Negros são sua lâmina e escudo. Não deveriam permanecer na capital, garantindo que o coração do império permaneça intocado? Se os inimigos perceberem sua ausência…"
Ah. Foi aí que percebi. Roland não tinha esperado por eles. Suas palavras não eram apenas estratégia, eram uma tentativa velada de afastar o Imperador dos Guardas Negros, de removê-los do tabuleiro.
Saturna virou levemente a cabeça, seu olhar caindo sobre Roland. A pausa foi deliberada. Tensa. Então, a mais tênue trace de um sorriso curvou seus lábios. "Você teme minhas sombras, Roland?"
O ar ficou rígido como água congelada. Vários grandes mestres olharam de relance, os olhos se arregalando. Sentar-se diante de Saturna com uma expressão de medo era como ajoelhar-se diante de um lobo enquanto tenta esconder a garganta.
Roland riu baixinho, o som cuidadosamente casual. "Medo? Nunca, Majestade. Apenas cautela. Com tantas incertezas diante de nós, é preciso garantir que não haja vulnerabilidades."
Saturna estudou-o por mais um momento, then the smile faded. "Sua cautela foi anotada. Mas não, os Guardas Negros continuam ao meu lado. Se o coração do império deve permanecer intocado, ele precisa estar aqui, onde essa chama se divide. O que está além pode transformar o mundo."
Ele levantou sua grande espada levemente, a lâmina arrastando no pedra com um ranger que fez a água tremer. "Este lugar nos dará poder. E com isso, Peanu se erguerá mais alto do que qualquer inimigo ousar sonhar."
Alguns assentiram rapidamente, ansiosos por se alinharem à visão do imperador. Outros fizeram um gesto discreto, com cuidado para não se destacarem.
Mandal Moon riu, com uma voz fina, porém afiada. "Como esperado de Sua Majestade. Sempre olhando além de nós."
Porus acrescentou suavemente, "Com essa previsão, a conquista é inevitável."
Karu bufou. "Vaythos já nos atrasou tempo demais. Vamos conquistar seu coração quando esta Zona da Lâmpada entregar seu presente."
O olhar de Saturna se moveu, varrendo-os um por um. Não estava enganado por sua bajulação, pude perceber nos olhos dele. Mas ele estava se divertindo ao fazer deles tolos.
Depois, seu foco se dirigiu ao muro de chamas. Sua mão tocou a silhueta do meu bastão.
"Fascinante", murmurou, mais para si do que para qualquer outro. "Uma arma que criou esse caminho. Ela carrega vontade. O que significa que pode escolher novamente."
Os grandes mestres inclinaram-se levemente, embora nenhum ousasse se aproximar mais.
Roland aproveitou a oportunidade para falar novamente, com uma voz suave e firme. "De fato, Majestade. O caminho esteve aberto até agora, mas nenhum de nós ousou arriscá-lo sem você. Achávamos mais prudente esperar."
"Prudente", disse Saturna, abaixando a mão. Ele soltou uma risada. "Então, vamos juntos. Tomaremos tudo que estiver dentro. Essa Zona da Lâmpada será despojada e moldada à vontade de Peanu. Com ela, esmagaremos Vaythos. Seus territórios, seu povo, seus recursos — tudo será nosso. E eu destruirei a próxima linhagem."
O grupo de grandes mestres inclinaram suas cabeças em uníssono.
"Pela esperança."
Apenas a reverência de Roland carregava uma leve rigidez, como se fingisse não estar prestes a vacilar.
Eu estava sentado na muralha, com os pés balançando, lutando para segurar um sorriso de escárnio. Seu grande imperador, suas sombras, seu rebanho obediente de grandes mestres — todos reunidos aqui, se exaltando com promessas de conquista. Nenhum deles percebia que a faca do açougueiro já estava à espera.
A cabra não tinha ideia de que seu fim já estava selado.
Enviei uma mensagem direta a todos os meus convocados.
"Eles chegaram."
Ragnar, que vinha mal-humorado desde a nossa luta, de repente se empolgou, a faísca nos olhos de volta como se estivesse aguardando por esse momento.
Lyrate, que estava descansando preguiçosamente em seu trono próximo ao castelo, esticou-se como um gato. Seu trono se desfez em partículas enquanto ela avançava num piscar de olhos.
Um novo trono surgiu ali fora, do lado de fora da muralha do castelo, mais afiado e mais escuro do que o anterior. Ela se recostou com uma perna cruzada e sorriu na minha direção.
"Bem, essa rainha merece a melhor posição para assistir ao drama", disse, com sua voz propositalmente carregada para que eu não perdesse nada.
O Cavaleiro também não se incomodou em esconder. Num momento ele não estava lá, no outro já estava ao lado de Ragnar, com a cauda lentamente oscilando e os olhos carmesim fixos na parede de fogo onde os humanos se reuniam.
Despedi a cabeça na direção de Silver, que estava quieto, em silêncio.
"Quer que vá na frente também?" perguntei.
Ele balançou a cabeça por um pequeno instante. "Não. Vou ser a surpresa."
Isso me fez rir. "Certo. Como você desejar."
Voltei meu olhar para a fortaleza e a parede de chamas onde os humanos se reuniam. Mesmo de longe, conseguia ver a tensão em seus corpos — guerreiros, intr igualമാണocrats, velhos monstros — e todos eles estavam olhando para a mesma abertura que meu bastão tinha aberto através das chamas vorazes.
O ar ao redor de nós ficou pesado de expectativa. Meus convocados inclinaram-se um pouco para frente, o sangue fervendo, mas contido, esperando o sinal.
Agitei a mão e retirei os dois anéis de armazenamento que tínhamos tirado dos corpos dos Ferans. Dentro, encontrei vários mapas, detalhes que me fizeram parar por um momento. Eram fascinantes, diferentes de tudo que tinha visto antes. Talvez esse fosse o motivo do interesse dos Ferans por essa parte da galáxia.
Um pequeno sorriso se abriu nos meus lábios ao colocar os anéis de volta na pasta. As respostas chegariam em breve.