Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 469

Meu Talento Se Chama Gerador

Nem um dos três.

Na primeira cela, estava um Feran, seu corpo massivo mesmo com as correntes, pelos desgrenhados, mas seus olhos queimavam com uma luz selvagem. Seus músculos tremiam de vez em quando, como se estivesse pronto para rasgar quem quer que se aproximasse, mesmo com as correntes pesadas que o prendiam. Um membro da tribo dos ursos.

Na segunda cela, havia um Demônio. Sua pele era de um vermelho escuro, os chifres curvavam-se para cima, e chamas tênues tremulavam ao redor do corpo dele mesmo com os selos que supostamente deveriam apagar seu poder.

O terceiro prisioneiro era ainda mais estranho. Uma criatura de uma raça que eu sequer consegui reconhecer. Seu corpo era pálido e alto, quase esquelético, com uma pele que parecia fina demais para os ossos visíveis. Seus olhos brilhavam com uma luz azul sombria, e marcas estranhas percorriam seu corpo como tatuagens vivas.

Nenhum deles se mexia muito, mas a presença de cada um era suficiente para fazer o ar parecer prestes a rachar sob pressão.

E Roland tinha vindo buscar um deles.

Ele deu um passo à frente e parou diante da cela com o demônio.

— Como você está, Primus? — perguntou.

O demônio sentou-se com a cabeça baixa, os olhos fixos no chão. Lentamente, levantou a cabeça e olhou para Roland sem dizer uma palavra.

Roland deu uma risadinha suave. — Ainda o mesmo quando te conheci. De qualquer forma, não vim aqui para papo fiado. Vim com um acordo, e desta vez não vou quebrar minha palavra.

Primus não respondeu. Mesmo com as amarras de runas que o prendiam, percebia-se a mudança em sua aura, enquanto a raiva inflamava. O ar ao redor dele parecia mais pesado.

Curioso, foquei nele e examinei seus detalhes.

[Primus Blood Reaver – Nível 272]

'Ainda jovem para um grande mestre', pensei.

Ele parecia cansado, mas o fogo nos olhos ardia intensamente. Seu corpo era magro e musculoso, marcado por tatuagens. A mandíbula dele era afiada, e seus olhos carmesos brilhavam fracamente sob a luz fraca. Mesmo fraco, parecia perigoso.

Roland continuou quando o silêncio se alongou demais. — Aqui está o negócio. Quero que você entre escondido em algum lugar e roube algo para mim. Se conseguir, ganhará sua liberdade. Vou até devolver sua filha.

Isso finalmente mexeu com Primus. Ele se levantou, as correntes tilintando, e se aproximou das grades.

— Minha filha vai comigo na missão — disse, com a voz firme, mas com peso nela. — Não confio em você, se não fosse assim.

Roland estreitou os olhos, seu olhar atravessando o do demônio.

Primus não recuou. — Você não tem do que temer, Roland. Este mundo pertence aos humanos, você vai me encontrar onde quer que eu vá. E, já que você quer me dar liberdade, conceda-a de uma vez.

Roland ficou em silêncio por um momento antes de responder. — Tudo bem. Não tenho problema com isso. Mas você precisa se sair bem.

Primus fez um gesto lento com a cabeça. — Diga mais.

Roland se inclinou um pouco mais perto das grades.

— Sabe da Ilha da Lâmpada?

Assim que ele falou, notei os outros presos perto. Cabeças se voltaram abruptamente, olhos fixos em Roland com uma mistura de surpresa e desconforto. Mesmo acorrentados e derrotados, a menção daquele lugar os agitava.

Primus apertou os olhos antes de responder. — Sei. Quando estava me escondendo dos humanos, fui lá uma vez. Mas tudo estava em chamas, então saí.

Roland balançou a cabeça lentamente. — As coisas mudaram desde então. Quero que você entre e roube algo. Qualquer coisa que pareça ou se sinta valiosa. Traga de volta pra mim.

Primus inclinou a cabeça, seus olhos carmesos vasculhando Roland. — Só roubar?

— Sim — disse Roland com firmeza. — Roube e seja rápido. Nada de lutar, nada de passear por aí. Entrem e saiam correndo.

Seu sorriso surgiu em um pequeno gesto. — Claro, vou deixar sua filha lá fora. Assim, você terá todo incentivo para fazer o melhor. — soltou uma risadinha baixa ao final.

Primus não vacilou. Sua voz estava calma ao responder. — Certo. Quando começamos?

A resposta de Roland veio sem hesitação. — Agora.

Roland se aproximou das grades e tocou um símbolo na parede. Os selos luminosos escureceram, e as correntes pesadas que prendiam o demônio tremeram antes de caírem frouxas. Primus relaxou os ombros, alongando-se como uma fera recém-liberta de uma jaula.

— Não me faça arrepender — murmurou Roland, puxando um manto preto grosso de seu anel de armazenamento. Jogou-o para o demônio. — Use isso. Ninguém deve te reconhecer.

Primus o pegou com uma mão só, seus olhos carmesos nunca deixando o rosto de Roland. Depois, deslizou o manto pelos ombros, com o capuz baixando o suficiente para esconder os chifres.

Sem mais palavras, Roland se virou e o guiou de volta pelos corredores, até o segundo andar da prisão.

Segui em silêncio, misturando minha presença às sombras.

O segundo nível não era tão escuro quanto o sexto, mas o cheiro era pior: corpos não lavados, sangue antigo, desespero.

Roland parou diante de uma das últimas celas. Dentro, encostada na parede, havia uma figura pequena. Uma menina, não mais que oito anos.

Sua pele tinha o mesmo tom profundo do pai, embora mais clara. Pequenos chifres surgiam entre seus cabelos negros e desgrenhados, e seus olhos carmesos se arregalaram ao ver quem estava lá fora.

— Papai! — ela gritou, a voz rouca, mas cheia de vida.

A mão de Primus fechou-se num punho sob o manto. Seus ombros tremeram uma vez antes de se aproximar das grades. — Lara — falou suavemente.

O som da sua voz quebrou sua calma. Ela se levantou correndo e foi até a beirada da cela, pressionando as mãos pequenas contra o metal frio. — Papai, você veio me buscar!

Roland levantou a mão e fez o mesmo truque, pressionando o selo de rune para abrir a cela. As barras rangeram ao se abrir a magia. Lara correu em direção ao pai e se pendurou nele assim que a abertura apareceu, seus braços finos envolvendo sua cintura.

Primus se abaixou, puxando-a para seus braços e escondendo o rosto com seu manto. Sua expressão permaneceu neutra, mas o peso do silêncio ao seu redor parecia maior.

Roland tossiu, quebrando o momento. — Chega disso. Cubra ela. — pegou outro manto pequeno de seu anel e jogou para o demônio.

Primus o pegou e o envolveu delicadamente ao redor de Lara, puxando o capuz para esconder os chifres. Ela olhou de relance para Roland, seus olhos carmesos afiados mesmo sendo uma criança. Claramente, ela não gostava dele, mas não disse nada.

— Bom — murmurou Roland. — Agora, siga-me. Não fale, não olhe para ninguém. Apenas ande.

Ele se virou e voltou para os andares superiores.

Eu fiquei para trás, meus olhos fixos no casal por um momento.

Movi meu corpo e sussurrei o comando. "[Fantom Dive]".

O espaço ao meu redor curvou-se, as sombras se dobraram, e deslizei para fora da prisão totalmente. Surgi perto da superfície, minha percepção se espalhando imediatamente.

Roland viria na minha direção, indo para a câmara de teletransporte.

Mas decidi ir na frente.

Correndo pelas ruas, silencioso e invisível, até chegar primeiro na câmara. Meu Essência passou pela marca gravada no chão, sentindo o pulso sutil de Essência nela. O mesmo caminho que ele tinha usado antes.

Perfeito.

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