Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 461

Meu Talento Se Chama Gerador

[Ponto de Vista de Billion]

Estava no meio de um mar de chamas negras, escondido em seu rugido crepitante, observando os seis grandes mestres flutuando no ar além do túnel que eu havia escavado. Seus rostos abertos em descrença, olhos fixos na trajetória impossível que agora dividia o inferno.

Meu olhar passou por eles um a um.

[Roland Max – Nível 274]

[Brutus Marx – Nível 269]

[Shinjo Abe – Nível 273]

[Gloria Moon – Nível 276]

[Horun Bloodfang – Nível 284]

[Sakar Ironscale – Nível 284]

Era fácil saber quem pertencia a cada facção.

Roland usava o emblema flamejante do Sol, bordado orgulhosamente em seu peito, seu manto longo com acabamento dourado.

O traje de prata escura de Gloria brilhava levemente sob a marca da Lua Cheia.

Brutus ostentava o insígnia afiada da Lua Nova, sua armadura mais escura que ferro, enquanto Shinjo carregava a discreta meia-lua no ombro.

E então, havia os dois Ferans.

Horun Bloodfang, da Tribo do Tigre, era impossível de confundir. Ele era muito mais alto que os demais, seu corpo largo, mas vestido com um longo casaco branco que balançava suavemente com o vento, um contraste estranho com sua natureza bestial.

Um bastão polido repousava em sua mão, mas eu percebia que não era mero adereço. Sua cabeça era de tigre, com pelagem listrada que brilhava sob o brilho violeta das minhas runas, dentes afiados reluzindo a cada respiração.

Seus olhos âmbar se estreitaram, focados como um predador, vasculhando o túnel com desconfiança. Apesar do casaco e do bastão, não havia como negar a força bruta que pulsava sob sua contenção.

Ao seu lado, flutuando, estava Sakar Ironscale, da Tribo Lagarto. Mais magro, com postura rígida, seu corpo coberto de escamas de uma tonalidade pálida de azul claro.

Uma fileira de cristas irregulares descia por suas costas. Sua cauda movimentava-se lentamente por trás, como se provasse o ar à procura de perigo. Suas mãos eram de garras, cada uma com três dedos grossos, e seus olhos finos e cilíndricos exibiam uma expressão fria.

Esperei pacientemente, com minha percepção firmemente focada neles, sentindo cada faísca de sua Essência enquanto flutuavam no ar, diante do bastão fincado na parede de chamas. Seus olhos ainda estavam arregalados, lutando para entender como um caminho assim havia sido escavado através de algo que elesconsideravam eterno.

A quietude se estendeu, pesada e tensa, até que Horun foi o primeiro a falar. Sua voz grave e gutural cortou o ar.

"O que mudou? Você não dizia que esse lugar sempre permaneceu fechado?"

Roland franziu o cenho, com o tom tenso ao responder.

"Sim. Essa é a primeira vez para nós também, Senhor Horun. Não faço ideia do que provocou esse incidente."

Percebi Horun olhar para Sakar, os dois Ferans trocando um olhar que só velhos camaradas poderiam compartilhar. Os olhos frios e reptilianos de Sakar se estreitaram, sua cauda balançando preguiçosamente antes de finalmente falar.

"Precisamos verificar o local. Um sítio escondido pelas Chamas Vorazes não é algo que possamos ignorar. Pelo que sabemos, as respostas para todas as nossas perguntas podem estar lá dentro."

Horun assentiu, cruzando os braços musculosos, seu casaco branco mudando com o movimento. Voltou-se para Roland, com seu rosto felino calmo, porém firme.

"Suponho que você queira relatar isso ao capitólio. Mas por que não nos deixar explorar primeiro?"

Gloria recusou a proposta.

"Não. Devemos fazer o relatório e esperar reforços. Não sabemos o que causou isso, e deixar a fortaleza sem guarda seria uma loucura."

A língua bifurcada de Sakar piscou uma vez entre os dentes ao retrucar.

"Ninguém disse que todos precisam entrar ao mesmo tempo. Eu, Horun e Roland podemos entrar. Os demais ficam aqui para defender a fortaleza."

Brutus finalmente falou, com tom áspero e impaciente.

"Não vai acontecer. Eu também vou."

Antes que a discussão escalasse, Roland intervenceu.

"Pode deixar. Vamos todos juntos. Shinjo, consegue passar essa informação para o capital?"

O Grande-Mestre da Meia-Lua deu um breve aceno.

"Claro."

Com isso, Shinjo virou-se, sua silhueta desaparecendo rápido em direção à fortaleza, deixando os cinco pairando no ar diante da minha arma.

Horun foi o primeiro a se mover. Desceu lentamente, sua cauda listrada balançando uma vez ao pousar na ponta do bastão. De joelhos, estendeu uma garra e passou os dedos pela superfície. Fiquei com os olhos estreitados, pensando em quanto ele conseguiria perceber.

Após alguns momentos de respiração, Horun finalmente falou: "É uma arma."

Gloria piscou, se aproximando, seus cabelos prateados balançando."Uma arma?"

"Sim. Um bastão." A voz de Horun transmitia certeza. "Consigo sentir uma vontade estranha emanando dele. Forte. Antiga. Ancestral."

"Vontade ancestral?" Sakar deu um passo à frente, suas escamas azul-claro refletindo o brilho violeta. Agachou-se, pressionando a garra contra a superfície da arma. Um sussurro baixo escapou de sua garganta, sua coluna de cristas tremendo.

"Você está certo... eu também sinto. A pressão que quase nos esmagou mais cedo veio dela."

O grupo mergulhou no silêncio, cada um observando meu bastão, nenhum ousando tocá-lo mais. Percebi o lampejo em seus olhos—fome, medo, admiração, tudo junto.

'Parece que o isco está bem armado', pensei, com um sorriso surgindo na cabeça.

Eles permaneciam na beira do bastão, cuidadosos para não se aproximar demais da parede de chamas. O ar entre eles era pesado, tenso como uma corda de arco esticada.

Alguns minutos depois, Shinjo voltou. Desceu suavemente, com expressão calma. "Nos pediram para fazer uma verificação preliminar. A fortaleza continuará sob responsabilidade dos Mestres."

Então, o olhar dele se voltou para Horun.

"Senhor Horun, o imperador deixou claro que vocês devem nos deixar agir como seus anfitriões. Alguns acordos não podem ser quebrados."

Horun, que deixara de ajoelhar-se sobre as inscrições no bastão, levantou-se lentamente. Um sorriso brincou em seu focinho felino, revelando dentes afiados.

"Ah? Foi isso que ele disse?"

Shinjo apenas confirmou com um aceno firme.

Horun deu uma risada baixa. "Certo, então. Se é isso que manda. Não vou reclamar."

A voz de Roland cortou a conversa.

"Ótimo. Dá um tempo, depois vamos entrar para investigar o local."

Ele voltou voando em direção à fortaleza, suas ordens ecoando pelo ar. Mestres de todas as facções começaram a se mover, assumindo posições ao longo das muralhas e portões.

Parecia menos uma preparação para uma investigação e mais os primeiros passos de uma guerra.

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