
Capítulo 462
Meu Talento Se Chama Gerador
Poucos minutos depois, o grupo finalmente se reuniu bem na frente da parede de chamas. Todos estavam de pé na minha haste, suas expressões tensas enquanto olhavam para o túnel flamejante que eu havia escavado.
"Bem, nunca imaginei que o seu imperador deixaria você passar na frente," disse Sakar, sua língua bifurcada dando uma rápida flickada entre as palavras.
"Nosso imperador é um homem magnânimo," retrucou Roland instantaneamente, com um tom calmo, mas carregado de orgulho.
"Claro que é," murmurou Horun, um sorriso irônico surgindo nos lábios felinos.
Roland soltou uma risada, mas não se deu ao trabalho de discutir mais. Em vez disso, endireitou-se e acenou com a mão como se estivesse varrendo as palavras de cena.
"Não há necessidade de perder tempo conversando. Vamos logo."
Sem mais palavras, o corpo de Roland se levantou ligeiramente acima da haste, com Essência girando naturalmente ao seu redor. Então, num piscar de olhos, ele se lançou no túnel que eu havia escavado através das chamas.
"HAHAHAHAHAH!"
A risada de Horun ecoou como trovão. O pelaje do fero feran, com cabeça de tigre, ondulou ao seu redor enquanto ele pulava à frente, avançando logo atrás de Roland. Os demais seguiram rapidamente, um após o outro, sem ousar ficar tempo demais.
Podia compreender a razão da pressa deles. Medo. Eles temiam que o túnel se fechasse, ou pior, que as próprias chamas ganhassem vida e os atacassem. A forma como seus corpos ficavam rígidos, como se estivessem correndo contra o tempo, era evidente.
Em segundos, eles saíram do inferno preto e aterrissaram logo além da parede. Permanecei imóvel, observando com atenção.
E lá estava de novo — aquele olhar. Surpresa. Cada rosto deles se transformou, suas bocas se abrindo levemente enquanto encaravam o que havia além.
"O que é aquilo?" Gloria foi a primeira a falar sem pensar.
"Isso é..." começou Sakar, mas sua voz morreu no ar. Seus olhos de pupilas estreitas se voltaram para Horun, e os dois trocaram um olhar silencioso. O que quer que ele tivesse quisto dizer, engoliu a palavra.
"Durante todo esse tempo, um palácio ficou escondido atrás do inferno," murmurou Shinjo, sua voz incomummente suave.
"E não é qualquer palácio," acrescentou Brutus, estreitando os olhos enquanto examinava a estrutura. "Olhem com atenção. Não conseguem ver os ossos entrelaçados na terra? Essa estátua do macaco colocada no centro do cemitério? Este lugar é antigo. Mas por que... por que parece completamente queimado?"
O grupo silenciou, o ar pesado de inquietação. À frente deles, um cemitério de ossos. Depois, um castelo totalmente carbonizado, de formato colossal.
Horun foi o primeiro a se mover. Avançou, com sua bengala tocando o chão, e começou a caminhar em direção às ruínas sem hesitar.
"Não adianta ficar parado olhando," disse. "Vamos explorar esse lugar."
Os outros rapidamente o seguiram, alguns curiosos, outros cautelosos. Seus olhos percorriam a terra estranha além da parede, fileiras de solos craterados, montescarbonizados e algo que parecia um vasto cemitério.
Fiquei para trás, deixando meu olhar vagar além do grupo. Por fim, meus olhos pousaram em Silver.
Ele estava no alto, sentado na muralha do castelo como um sentinel silencioso. Seu corpo completamente coberto por uma armadura de madeira escura que se fundia à própria muralha, ocultando sua forma tão bem que parecia mais uma decoração estranha fixa na fortaleza.
A única diferença era na cor, ligeiramente mais escura que a pedra queimada, mas para quem não tinha treino, ele se encaixava perfeitamente.
Um observador perfeito, escondido à vista de todos. Isso era Silver. Percebi que tinha que ser Lyrate quem mandou ele usar aquela armadura — escura, de madeira, que escondia completamente sua forma.
Ela levava seu dever a sério.
De onde eu estava, ele parecia mais uma decoração estranha no topo da muralha do castelo. Diferente na cor, sim, mas ainda assim apenas mais uma parte da estrutura.
O grupo de mestres avançou, seus passos desacelerando ao passar entre os ossos gigantes e túmulos desgastados. Horun liderava na frente, sua bengala tocando levemente o chão como se fosse o dono do lugar.
Seus olhos se moveram para Ragnar. Ele estava bem no centro do cemitério, com as pernas cruzadas, olhos fechados, seu corpo totalmente imerso em meditação. Desde que chegaram, não se mexera nem um pouco.
Horun parou na frente dele, os demais logo atrás. Então, sem hesitar, Horun levantou a bengala e tocou em Ragnar como se estivesse testando se a estátua iria desmoronar.
Foi nesse instante que Ragnar decidiu reagir.
Uma neblina carmesma explodiu de seu corpo como uma tempestade repentina, e sua aura se espalhou com força. A onda de choque empurrou Horun e os outros para trás, fazendo com que escorregassem na terra rachada.
"O que?!" exclamou Gloria, assustadíssima. Até Horun, firme como sempre, soltou um rosnado baixo enquanto resistia à força.
A neblina se dissolveu e Ragnar ficou silencioso novamente. O grupo imediatamente se dispersou, recuando com os olhos fixos nele, totalmente alertas.
Lentamente, Ragnar abriu os olhos. Eles brilhavam em vermelho, profundos e implacáveis, varrendo o grupo um por um até pararem em Horun. Sua voz soou calma, porém carregada de peso, como uma sentença.
"Só os dignos podem passar."
Ele se levantou, cada movimento deliberado, e levantou a mão. A neblina carmesma o envolveu, condensando-se ao redor do braço direito, antes de desaparecer num piscar de olhos. No lugar, uma colossal clava de osso se formou, grossa e irregular, descansando naturalmente na sua mão.
"Isto é uma prova?" questionou Sakar.
"Talvez," respondeu Horun, mas seus olhos nunca desviaram de Ragnar. Ele levantou a bengala e, com um golpe preciso de um lado, a camada exterior se dissolveu como cera derretida.
O que sobrou foi uma fina espada branca que refletia a pouca luz. "Não importa. Vamos esmagá-lo e seguir em frente."
"Sugiro que—" Roland começou, mas nunca terminou.
Ragnar desapareceu.
Num instante, ele estava parado, no próximo estava bem atrás de Roland.
"Cuidado!" avisou Shinjo.
O punho esquerdo de Ragnar brilhou prateado, puro e afiado, antes de desferir um golpe direto nas costas de Roland.
BOOM!
O som sacudiu o ar enquanto o corpo de Roland avançava como uma lança, atravessando ossos enormes até se chocar contra a parede de um crater, poeira e fragmentos voando por toda parte.
"Como ousa?!" rosnou Horun, com fúria contorcendo o rosto. Ele investiu com sua espada três vezes em rápida sucessão. Cada golpe gerava um cone de ar comprimido, afiado o bastante para partir montanhas, mirando direto na cabeça de Ragnar.
Mas Ragnar apenas inclinou a cabeça — esquerda, direita, esquerda — esquivando-se de cada um como se já soubesse exatamente onde eles iam aterrissar.
Então, avançou, a clava de osso descansando preguiçosamente no ombro.
"Uma besta… usando uma espada?" sua voz carregava zombaria. "Você é uma vergonha."