
Capítulo 453
Meu Talento Se Chama Gerador
Sorri meus lábios ao captar a visão estranha à minha frente. Já tinha visto muitas coisas perigosas antes, mas aquilo… aquilo era algo totalmente diferente.
A chama negra não se parecia com a névoa da morte que eu conhecia. A névoa da morte corroía a Essência, mastigando-a como se fosse feita para destruí-la. Isso já era ruim o suficiente, mas essa chama parecia ainda mais estranha. Ambas tinham uma natureza similar, quase como dois predadores destinados a caçar um ao outro. E agora, essa chama negra se apresentava diante de mim, como se desafiasse a dar um passo mais perto.
Parte de mim queria estudá-la ali mesmo, quebrá-la para entender as leis que a moldavam. Mas me contive. Isso podia esperar até eu chegar na lâmpada — a verdadeira fonte de tudo isso.
Levantei minha mão e impose minha vontade para fora, depois cliquei os dedos. Uma ondulação percorreu a água, silenciosa mas cortante, e a chama que se agarrava a mim desapareceu de uma só vez. Minha vitalidade pulsou por mim, reconstruindo a carne, e num piscar de olhos, minha palma ficou inteira novamente.
Não foi difícil. Seja lá o que fosse aquilo, não tinha dono. Minha vontade foi suficiente para sufocá-la.
Com isso, dei um passo à frente. Uma fina camada de Essência misturada com minha vontade se espalhou ao meu redor, formando uma bolha de proteção, e caminhei em direção à barreira de chamas.
Ao passar pelo limiar, esperava apenas uma parede de fogo. Em vez disso, fui engolido por ela.
Não era uma camada simples, mas infinita, estendendo-se em todas as direções. Por um momento, senti como se estivesse afundando num oceano feito de chamas, e não de água. Ao meu redor, o fogo negro se contorcia e girava, enrolando-se como um ciclone que engolira a terra inteira.
Quanto mais fundo ia, mais opressivo ficava. Cada passo parecia me levar a um abismo, como se estivesse entrando na mandíbula de algo que não deveria existir. O fogo pressionava, apertava mais forte, faminto, mas não podia me atingir.
Minha Psynapse Ômega permaneceu firme, intocável. Era possível sentir a diferença entre mim e os outros. Mesmo alguém com força de Psynapse de 1000 se perderia totalmente aqui em segundos.
Pensei se era por isso que esse lugar permanecia intocado. Afinal, duvidava que houvesse alguém vivo nos três mundos humanos portando uma Psynapse de nível Ômega, ainda no nível Grandmaster.
Levei quase um minuto de caminhada até finalmente atravessar as últimas chamas negras.
Continuava de pé no leito do oceano, e quando levantei a cabeça, vi uma terra à minha frente. A parede de fogo tinha rasgado o oceano, isolando a ilha como se fosse um território proibido, cortado do mar em si.
Bati o pé contra o fundo do mar, me preparando, e pulei para cima num único movimento, atravessando a água e aterrissando na ilha.
Logo atrás de mim, a muralha de chamas negras e por cima, nuvens negras agitadas por relâmpagos chiantes.
Mas no instante em que dei meus passos, meus olhos se prenderam à cena diante de mim.
Parecia uma pintura feita por alguém que havia se afogado em tristeza sem fim.
No coração dessa tempestade de fogo negro, erguia-se um castelo. Já foi grandioso, suas altas colunas e vastas paredes refletiam beleza e poder, mas agora era apenas um casulo vazio.
Cada pedaço de pedra estava carbonizado, com a mesma cor das chamas que o rodeavam. Uma ruína magnífica engolida pelo desespero.
O chão ao redor contava sua própria história. crateras marcavam a terra, como se uma grande batalha tivesse acontecido ali. Entre elas, ossos gigantes, alvos e partidos, restos de criaturas que eu mal conseguia identificar. Além deles, se estendia um vasto cemitério.
Fileiras de túmulos alinhavam-se na terra fora das muralhas do castelo. Alguns estavam de pé, com nomes gravados nos túmulos, as letras distorcidas e borradas pelo tempo.
Outros estavam quebrados, meio enterrados nas crateras ou queimados pelo fogo errante. Alguns, estranhamente, pareciam ter sido cuidados há muito tempo, embora ninguém tivesse tocado neles há eras.
A paisagem parecia um mundo que tinha perdido a voz, e o ar carregava o peso da dor.
Além e entre os túmulos, jaziam ossos, pedaços enormes de criaturas que, quando vivas, certamente sacudiram o chão com seu tamanho.
Algumas mais de cem pés de altura, suas costelas se erguendo como arcos quebrados contra o céu escuro.
Havia tudo que é tipo: esqueletos humanoides torcidos, espinhas reptilianas que se estendiam como cadeias de montanhas, até as asas ocudas de pássaros grandes o bastante para esconder o castelo, se ainda estivessem vivos.
Iludi-me pensando se algum dia eles ficaram de pé para defender esse lugar, ou se eram os atacantes que tentaram destruí-lo. Talvez ambos.
Aproximei-me e apoiei a mão na superfície. As portas não eram de metal, como imaginei, mas de madeira, sólida e teimosa apesar dos séculos. Cavaleiros detalhados cobriam as portas, a maior parte decorativa, mas um emblema no centro chamou minha atenção.
Era um relógio. Metade dele esculpida em uma porta, a outra metade na outra, de modo que, quando fechadas, a imagem se completava.
Quatro ponteiros de relógio atravessavam seu rosto, apontando em pares para horários opostos — duas e oito, dez e quatro. Se as portas se abrirem, cada metade do relógio se dividiria, os ponteiros ficariam de um lado e do outro.
A imagem do relógio permaneceu gravada na minha mente enquanto afastava a mão e recuava. Com um impulso, pulei por cima dos portões e aterrisso no topo da muralha do castelo. Não queria arriscar abri-los e acordar algum espectro antigo, mas quem sabia se eles já estavam acordados desde o momento em que pisei nesta ilha.
Havia uma boa distância entre a contenção externa e a torre principal, e esse espaço era preenchido por fileiras de casas. Não eram muitas, apenas vinte e três ao todo. Minha percepção percorreu cada uma delas enquanto passava. Estavam impecáveis, vazias, totalmente desertas. Sem móveis, sem pertences, nada.
— Não acredito que esse lugar já foi saqueado… — murmurei entre os dentes.