Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 454

Meu Talento Se Chama Gerador

Desci e poussei suavemente na frente do palácio principal. A sombra de suas paredes me engoliu por completo, e por um momento simplesmente fiquei observando para cima.

Ele não era apenas grande, era tão alto no céu que precisei inclinar a cabeça para trás até doer o pescoço. A estrutura se erguia em níveis empilhados, cada seção um pouco mais estreita que a abaixo, como uma torre construída para alcançar os céus.

De longe, o palácio parecia um bloco sólido de pedra negra, mas ao me aproximar os detalhes começaram a surgir. A estrutura não era contínua. Estava dividida em setores bem definidos, cada camada separada por longas plataformas horizontais. Eu as contei uma a uma. No total, sete.

Sobre esses níveis, erguiam-se onze torres dispersas pelo corpo principal do palácio. Elas também não eram iguais, cada torre tinha sua própria altura, como degraus de uma escada que alcançava o céu.

Cada uma era mais alta que a anterior, numa sequência que subia com exatidão. Mas, quando meu olhar seguia esse ritmo, chegou um momento em que a escalada deixou de parecer suave. Entre duas delas, o salto de altura ficou mais abrupto, menos natural, como uma nota tocada forte demais em uma melodia normalmente estável.

Todo o lugar parecia calculado, quase matemático. Cada linha e ângulo transmitiam um senso de propósito. Mas havia sempre uma interrupção, sempre uma brecha, como alguém que planejou a perfeição e perdeu o fio da meada na etapa final.

Isso perturbava o ritmo do design, e quanto mais eu olhava, mais aquela disparidade me incomodava.

"Hmm..." sorri baixinho, encarando a anomalia, mas balancei a cabeça e segui em frente. Respostas não viriam apenas olhando.

O portão principal se aproximava. Já estava aberto, seus arcos escuros seguindo o mesmo estilo da porta do castelo que observei antes.

Por dentro, o castelo não era diferente. Tudo estava preto, queimado, como se o fogo tivesse consumido até as últimas vestígios de vida. As paredes estavam limpas, quase polidas na sua ausência de vida, os pisos lisos e vazios. Sem poeira. Sem detritos.

Expandi minha percepção, deixando-a varrer por cada corredor, cada sala, cada câmara do enorme palácio. A resposta me deixou paralisado, a mandíbula relaxada.

"Droga... não me diga que esse lugar foi realmente saqueado."

Não havia nada. Nem uma cadeira, nem uma pintura, nem um retalho de tecido grudado nas paredes. Nem trono na sala principal. Nem cortinas, nem tapetes, nem decorações de qualquer tipo. Apenas paredes negras infinitas e aquele design estranho, meticuloso.

Parecia menos um palácio e mais uma concha vazia — esvaziada, limpa, deixada para trás por razões que ainda não conseguia entender.

Olhei com atenção. Ninguém deixaria um palácio aqui, protegido por uma muralha de chamas que poderia devorar mestres em uma tentativa, e então o encheria de nada. Era demasiado deliberado. Devia haver um segredo enterrado dentro, esperando para ser descoberto.

"Certo, então... vamos jogar o seu jogo. Domínio Absoluto."

Resmunguei as palavras e liberei meu domínio. Uma ondulação violeta surgiu de mim, espalhando-se em todas as direções. O ar brilhou enquanto runas ganhavam vida por toda a extensão do meu domínio, formando uma coleção de símbolos que pairavam como uma névoa visível.

"Direto ao Insight."

No instante em que conjurei, as runas se rearranjaram, os padrões mudando como peças de um quebra-cabeça encaixando-se em novas posições. Meu domínio pulsou novamente, mais agudo desta vez, ajudando a revelar os padrões.

Agilidade. Percorri os corredores, entrei em pequenas câmaras, atravessei salas cavernosas, até passear pelo salão do trono. Nada. Cada recinto estava desocupado, impecável, sem vida.

Entrei na torre mais baixa. Apesar de ser a menor, ainda assim era enorme, seus corredores serpenteavam, e seus quartos estavam empilhados um sobre o outro. Mas de novo: muito limpo, muito polido.

Revirei os olhos e me dirigi direto à torre mais alta. Examinei-a, piso por piso, sala por sala. E, novamente, nada.

Chutei a linguagem de frustração, me obrigando a ser paciente e comecei a varrer as torres uma a uma. Demorou, mas o resultado era sempre o mesmo. Vazio. Uma casca perfeita.

Porém, enquanto avançava rapidamente, o pensamento naquela anomalia que tinha percebido antes me incomodava. Aquela dissonância sutil no design. Agora, com meu Insight ativado, comecei a enxergá-la mais claramente. Os padrões se revelaram.

E quanto mais eu via, mais eu tinha certeza. Isso não foi acidente. Este lugar foi projetado para ser defeituoso.

"Por que raios alguém faria isso?" murmurei.

Uma das galerias confirmou minha suspeita. À primeira vista, parecia um quadrado perfeito. Mas as medidas o traíram: um lado tinha sido encurtado, transformando o espaço em um retângulo. Uma correção deliberada.

E assim que percebi isso, não consegui deixar de notar outros detalhes. As escadas deveriam ter doze degraus. Mas o décimo primeiro tinha sido alargado, engolindo o número que faltava.

Janelas em uma torre — onze, espaçadas igualmente, quando o ritmo claramente pedia doze. Outra galeria, com comprimento medido em doze unidades, mas a largura tinha sido reduzida para onze, distorcendo seu equilíbrio.

Tudo ao meu redor repetia o mesmo padrão. Um projeto feito para tropeçar. Como se alguém tivesse se esforçado ao máximo para dobrar as regras da harmonia, sempre reduzindo o número doze para onze.

Olhei para o meu queixo, observando as paredes ao redor. "Certo, entendi. Você quer que eu enxergue algo. Mas onde exatamente devo olhar?"

Então, a resposta veio.

"Ah... eu não tinha conferido ali."

Virei rapidamente, pulei para fora da torre e ascendi ao céu. O vento rasgou meu corpo enquanto subia mais alto, até que todo o castelo estivesse estendido abaixo de mim, com suas paredes, seus corredores e suas torres totalmente à vista.

E lá estava novamente. A mesma anomalia.

Onze torres.

Mas tudo que tinha visto dentro dizia que deveria haver doze. Os construtores seguiam um padrão, deixando pistas em todo lado. Ainda assim, de cima, o alinhamento parecia perfeito. Simetria total. Sem falhas, sem fundações ausentes, sem espaço para outra torre.

Mesmo assim… meus olhos puxaram para um detalhe que se destacava: a altura.

Desci lentamente, pairando entre a sexta e a sétima torres.

Era ali que a falha se mostrava mais claramente. Da primeira até a sexta, o aumento na altura tinha sido constante, quase matemático. Mas da sexta para a sétima, o salto foi grande demais, estranho.

Fechei os olhos. Se uma torre estivesse entre essas duas, com dimensões compatíveis com o padrão anterior, toda a sequência de torres encaixaria perfeitamente. A altura voltaria a fazer sentido. Doze torres, não onze.

Mas tinha um problema. Não havia espaço. Nenhuma fundação ficou, nenhuma ajustagem foi feita, nada que pudesse indicar uma torre desaparecida. Em todo o palácio, eles tinham deformado medidas, alterado quartos, até deformado corredores para esconder o número doze. Mas aqui… aqui, nada disso aconteceu.

Eles não deixaram nada.

"A não ser que…" murmurei, fixando o olhar entre a sexta e a sétima torres. "A torre não precisa de espaço."

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