
Capítulo 455
Meu Talento Se Chama Gerador
“A menos que...” murmurei baixinho, com o olhar fixo entre a sexta e a sétima torres.
“A torre não precisa de espaço.”
O ar tremeu, como água perturbada por uma pedra. Meu domínio respondeu imediatamente, runas de luz violeta se despertaram e se rearranjaram, formando novas figuras para capturar qualquer coisa escondida nas dobras da realidade.
Esperei, concentrado.
Mas a resposta foi clara. Vazia.
As runas se moveram de volta ao lugar, seu brilho pulsando com uma calma certeza: não havia bolso oculto, nem corredor de espaço dobrado, nem fundação fantasma à espreita além da visão.
A lacuna entre as torres era exatamente como parecia, impossível, mas real.
Minha mandíbula se apertou. Se a torre não estava em falta no espaço, então pra onde ela tinha ido?
“Isso quer dizer...” murmurei, ergui a cabeça rapidamente em direção às nuvens escuras.
Elas se agitavam sem parar acima do castelo, pesadas e inquietas, com trovões rompendo através delas de novo e de novo. O som ecoava tantas vezes que quase era difícil saber onde um trovão terminava e o outro começava. Mesmo assim, continuei observando, acompanhando o ritmo, ouvindo o caos.
Então percebi.
O padrão combinava. Perfeitamente.
“Doze ecos...” sussurrei, um sorriso se formando nos lábios. “Filhos da p*** furtivos.”
Naquele instante, um relâmpago negro rasgou o céu.
BOOM!
A explosão ensurdecedora sacudiu o ar. Concentrei-me, contando com cuidado.
O primeiro impacto era real, mas depois vieram mais doze sons. No começo, eles se misturaram, mas meus sentidos estavam aguçados. Consegui separá-los, apenas um era verdadeiro, o resto eram ecos, imitações vazias que não tinham peso.
Seguiram flashes de luz negra, estranhos e antinaturais, mas metade deles não produziam som algum.
Apenas sombras fazendo papel de trovão.
Meus músculos ficaram tensos. Lancei-me para cima em uma explosão de Essência e parei instantaneamente logo abaixo da borda da nuvem.
De perto, o fenômeno era ainda mais estranho. O relâmpago negro dançava com um ritmo próprio, como se estivesse vivo. Não era o céu em fúria, era algo mais escondido dentro dele.
A tempestade respondeu.
Relâmpagos atingiram-me instantaneamente, negros e impiedosos. Minha pele se dissolveu sob seu toque, sendo completamente consumida até que osso à mostra brilha-se à vista. Uma fração de segundo depois, a corrente elétrica avançou, ávida por atingir o resto do meu corpo.
Mas eu estava preparado.
Baixei minha vontade, sufocando o relâmpago negro, forçando-o a colapsar em nada. Minha carne se recompos então, minha mão voltou ao normal como se nada tivesse acontecido.
Fechei os olhos e concentrei-me na lei da ressonância. A Essência pulsava dentro de mim, e o mundo mudou de ritmo. Cada som, cada eco de trovão, carregava sua própria vibração única. Segui-os um a um.
O primeiro eco pulsou bem acima da primeira torre real, lá embaixo.
O segundo alinhou-se perfeitamente com a segunda torre.
O terceiro, o quarto, o quinto... até o último.
Cada eco não era aleatório, tinha sido colocado, alinhado com as próprias torres.
Quando cheguei à sexta, meu coração se apertou. Preparei-me para a sétima. Era ali que estaria a resposta.
Mas ela nunca veio.
A ressonância pulou do sexto eco direto para o oitavo, depois para o nono, e assim por diante, até chegar ao décimo primeiro.
O céu não me deu o sétimo eco.
Mesmo assim, esperei, todos os sentidos aguçados, minha Psina presa ao limite. O padrão exigia doze. E se o décimo segundo fosse real, então ele teria que revelar a verdade que todas as ilusões tentavam esconder.
O décimo segundo eco soou mais pesado que os demais. Por um instante, meu domínio captou algo estranho.
Uma ondulação tão sutil que quase não existia, espalhou-se pelo ar como um reflexo distorcido na água. Mas antes que eu pudesse focar nela, o trovão negro rugiu novamente. A ondulação se despedaçou instantaneamente, sumindo como se nunca tivesse existido.
Franzi o cenho e mantive meus sentidos bem abertos.
Quando o próximo eco veio, aconteceu de novo. A mesma ondulação, a mesma destruição instantânea.
Meu coração se apertou. Isso não era um erro. Algo estava escondido aqui, algo que não deveria ser visto a não ser que eu agisse. Para essa ondulação existir tempo suficiente para eu analisá-la, precisaria parar o trovão negro.
Tracei o percurso de volta, seguindo o estrondo violento que partia os céus do palácio.
A origem não era aleatória, vinha do centro da nuvem tempestuosa acima. Minha Psina se aguçou e dividi meus pensamentos.
[Fratura Psina].
Duas mentes ao mesmo tempo. Uma focaria na ondulação, a outra no trovão.
A tempestade se intensificou novamente, relâmpagos se formando dentro das nuvens negras. Levantei um dedo e deixei a Essência se reunir, envolvendo-o com minha vontade.
Justo quando o próximo raio ia atravessar, disparei. Um feixe bruto de Essência disparou para cima, rasgando o ar. Acertou exatamente o centro da nuvem. O trovão negro se apagou antes que pudesse se estilhaçar.
Ao mesmo tempo, minha outra mente se voltou para a ondulação.
Com a tempestade silenciada por um instante, ela ficou mais clara do que antes. Minha Justiça do Insight brilhou. Vi a ondulação atingir o espaço exatamente entre a sexta e a sétima torres.
Minha respiração ficou presa. As runas ao redor do chão do palácio mudaram, se rearranjando como se também as reconhecessem.
Então a enxerguei. Uma silhueta oscilante, uma torre tentando existir, mas falhando, seu contorno piscando como um espectro.
O peito pulsava forte. Era ela, a décima segunda torre. A escondida.
Não pensei. Meu corpo se moveu antes mesmo de a ideia se formar completamente. Gritei minha Essência nos membros, impulsionando-me com tudo o que tinha. Todas as reservas em combustão, cada canal de energia me empurrando para aquele desenho instável. Quanto mais me aproximava, mais ela vacilava, como se estivesse mergulhado numa reflexão que não queria me segurar.
Não deixei que ela me rejeitasse.
Minha Psina brilhou enquanto minha vontade se fechava com firmeza.
Eu era Absoluto.
Se a torre piscasse, então eu a faria permanecer assim. Carreguei minha força para frente no impacto da ondulação e atravessei.
Por um instante alucinante, o mundo se alongou e se rasgou ao meu redor. Depois, voltou aoNormal. Fiquei cambaleando, com a respiração pesada, olhando ao redor.
Não estava mais do lado de fora.
paredes de pedra se erguiam ao meu redor, esculpidas e antigas, com padrões que não reconhecia. O ar estava quieto, intocado pela tempestade. Meus pés descansavam sobre mármore branco polido.
Estava dentro de um salão.