
Capítulo 456
Meu Talento Se Chama Gerador
Fiquei em silêncio, meus olhos lentamente ajustando-se à imensidão do salão ao meu redor. A primeira coisa que notei foi a quietude dentro de mim; meu domínio havia se apagado sozinho, o Direito à Percepção tinha ficado silencioso, e até o zumbido constante do núcleo gerador — algo que nunca havia falhado antes — silenciara-se também.
Parecia estranho, como se aquele lugar rejeitasse todas as ferramentas e poderes que eu carregava.
Na minha direção, vi três fileiras de cadeiras.
Seis ocupavam a primeira fila.
Por trás delas, numa plataforma elevada, cinco formavam a segunda fila.
E, ao fundo, na plataforma mais alta, havia apenas uma cadeira isolada das demais.
No total, doze cadeiras.
No início, estavam vazias, brilhando vagamente sob o brilho branco do piso de mármore.
Virei-me, vasculhando o salão.
Me lembrou o salão do trono no castelo principal, mas não havia nenhum vestígio da ruína que eu vira antes, queimada e destruída.
Aqui, tudo estava impecável. As paredes e pilares eram esculpidos em mármore branco polido, tão claros que meu próprio reflexo me encarava de volta, onde quer que olhasse.
A luz entrava por janelas altas, onde nuvens intermináveis flutuavam preguiçosamente lá fora, como se eu estivesse num palácio acima do próprio céu.
Fiz um passo cauteloso à frente, com a intenção de explorar, mas no instante em que meu pé tocou o mármore, toda a torre tremeu.
O tremor não foi violento, mas profundo e ressonante. Meu instinto me congelou no lugar.
Então percebi o porquê.
As doze cadeiras à minha frente começaram a piscar, seus contornos distorcendo-se como miragens. Uma após a outra, sombras se estenderam formando silhuetas, cementando-se em figuras distintas.
Eles não se mexeram, mas a presença era inegável, cada um deles preenchendo o ar com uma pressão maior que montanhas.
Em poucos momentos, onze cadeiras estavam ocupadas. Apenas uma permanecia vazia na segunda fila.
Todo meu senso de perigo gritava para que eu recuasse e me ajoelhasse.
Porém, franzi a testa e deixei minha presença transparecer. Minha classe despertou em resposta, e a vontade do Executor irrompeu com toda força. Mantive-me firme, cabeça erguida, encarando as silhuetas que tremulavam.
"Hooo… olha só isso," disse uma das criaturas na primeira fila.
A voz tinha um peso estranho, mas ao olhar para as figuras, ainda não conseguia distinguir o que eram.
Parecia que havia alguém ali, e ao mesmo tempo, que ninguém estava. Como uma projeção de má qualidade, de modo que as formas eram distorcidas, com arestas torcidas e borradas, recusando-se a assumir uma forma clara.
"Então, mais uma ativação," veio uma voz da segunda fila. Parecia feminina, mas eu não tinha certeza. Era como se cada palavra ecoasse por várias camadas antes de chegar até mim.
"Quantas já foram até agora? Devem estar na casa dos milhões neste momento," acrescentou uma outra voz, casual, quase entediada.
"Impossível," respondeu uma voz mais aguda. "Com base nos meus cálculos, não passa de sete. Nem mesmo se o próprio infinito passar."
"Seus cálculos nunca estiveram certos," alguém retrucou imediatamente.
"Previ sua morte corretamente," a voz mais aguda respondeu, sem hesitar.
"Foi uma sorte."
A resposta veio rápida, desdenhosa, carregada de desprezo.
"Você só chama de sorte porque tem medo de estar errado de novo."
As palavras deles se sobrepuseram, suas formas distorcidas piscando mais rápido a cada troca, como se a briga deles própria estivesse desestabilizando suas figuras.
Então, antes que a discussão pudesse continuar, uma única voz cortou o diálogo.
"Silêncio."
A palavra não foi alta, mas pressionou meu peito como uma montanha. Veio da criatura na primeira cadeira. No momento em que falou, os outros ficaram imóveis, o ar ao meu redor ficou pesado e frio.
Minha mão fechou-se em punho ao lado do corpo, forçando-me a não recuar.
A criatura na cadeira do centro falou novamente, sua voz calma, como se carregasse autoridade há décadas.
"Meu nome é Gracioso Shijian. Também conhecido como Santo Shijian. Vejo que você é um humano?"
Parpalee, pego de surpresa. Meu pensamento travou em uma palavra — Santo. Assim que a ouvi, minha mente pulou para o rango. Sem hesitar, perguntei,
"Santo? Você quer dizer o grau Santo?"
Aguardou alguns segundos longos, que pareciam se alongar até apertar meu peito. Então o homem respondeu.
"Sim. Por que está tão surpreso? Não há mais Santos por aí?"
Sem mais Santos? Quase ri. Na minha cabeça, não pude deixar de pensar: 'Não há mais Santos? Eu nem vi um. E você mal conta, não passa de uma sombra que pisca.'
"Nunca viu um? Como assim?" perguntou o homem súbito.
Seus olhos se arregalaram. Fiquei paralisado. As palavras na minha cabeça… ele as respondeu. Dar um passo para trás cambaleei, com o coração acelerado, e imediatamente tentei abrir o Nó 3. Nada aconteceu.
"O—?" murmurei, chocado.
"Não precisa ficar assustado," disse Shijian calmamente, com um tom quase paciente. "Não posso ler sua mente. Mas isso não é seu corpo real. O que está aqui é apenas uma projeção da sua alma e vontade. Assim, seus pensamentos também são projetados."
Forçai-me a manter uma respiração estável, acalmando o coração acelerado. Lentamente, endireitei-me e criei uma barreira firme nos meus pensamentos. Se meus pensamentos vazassem, tinha que protegê-los como protegido meu corpo.
"Sim," disse após uma pausa. "Nunca vi santos. Não há nenhum no meu mundo."
"Seu mundo?" Sua cabeça inclinou-se levemente, como se estivesse me estudando. "Você não é da Galáxia Prime?"
"Não," respondi de forma simples.
"Entendo. Isso explica por que você não conhece meu nome."
Antes que pudesse responder, outra voz surgiu. Desta vez, mais suave, clara e inegavelmente feminina. Veio da segunda fila, com um tom de curiosidade marcadamente duvidosa.
"Alguém que não é da Galáxia Prime… não de uma das raças mais fortes… e somente no grau Grandmaster. Isso é surpreendente. Por que não previram isso?"
As palavras dela pesaram no ar.
O homem na cadeira central, aquele que se autodenominava Santo Shijian, respondeu sem hesitar.
"Sistema. Posso sentir o sopro do Sistema nele."
Por alguns segundos, ninguém falou. As figuras piscantes inclinavam-se para frente, suas formas indistintas me observando com uma presença que pressionava minha pele. Então, a mesma voz feminina voltou, agora mais fria, com uma ponta de acusação.
"Mas isso não era o combinado."
Shijian não vacilou. Sua voz permaneceu firme, mas até eu percebi a tensão escondida sob sua calmaria.
"Algo mudou. Algo que nem nós, nem o próprio Sistema, conseguiu prever."
O silêncio aprofundou-se. Senti quase o peso de seus pensamentos se comprimindo, como engrenagens gigantes girando lentamente na escuridão.
"A questão," concluiu Shijian, "é: o que poderia ser?"