Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 429

Meu Talento Se Chama Gerador

[Perspectiva de Steve]

No começo, parecia que ela estava cortando meu braço direito, me deixando mais fraco, vulnerável. Mas, com o passar dos dias, comecei a entender o que ela fazia. Sem firulas, sem depender de nada além de mim mesmo, não tinha escolha a não ser enfrentar a lâmina com nada além de minha própria técnica.

E, de algum modo, nesse estado mais enxuto, eu evoluía mais rápido. Ficava mais afiado. Meus instintos aprendiam a encontrar brechas, por menores que fossem.

Meus golpes começaram a atingir mais próximos, mesmo que ainda fossem absorvidos no final. Eu estava sangrando e machucado, mas me aproximava de algo mais real.

Finalmente, caí no sono, meu último pensamento firme na imagem de uma manhã em que minha lâmina finalmente derramaria sangue dela.


No dia seguinte, o ciclo começava de novo. Treinos intermináveis, trabalhos físicos pesados que destruíam meu corpo antes mesmo do treinamento de verdade começar. Eu enfrentava tudo isso, esperando pelo momento que realmente importava — o luta de combate.

Quando chegava a hora, repetíamos os mesmos exercícios de antes. Nada de novo, nada fácil. Cada movimento parecia um teste que eu já tinha falhado e que precisava rever novamente.

E, mais uma vez, me encontrava na sua frente, espada na mão, coração firme, cada músculo tenso pronto para agir ao menor sinal.

Seus olhos se aguçaram, e com um movimento de pulso ela soltou um corte relâmpago — magra, reluzente, mais rápido do que o olho podia acompanhar. Eu mal consegui levantar minha lâmina a tempo. A força fez minhas mãos tremer, rachou o chão sob meus pés, e ainda assim a aresta raspou meu lado, desenhando uma linha de fogo cruzando minhas costelas.

"Você falhou de novo."

"Quase consegui."

"Você quase não conseguiu." Ela deu um passo à frente, e mesmo a uma dúzia de passos de distância, parecia que ela me dominava. "Sabe o que separa assassinos de espadadores? Determinação."

segurei firmemente minha espada, sentindo o leve zumbido de raios incandescentes ao redor da lâmina.

Os ensinamentos dos últimos quatro dias giravam na minha cabeça — correria cega, maldições carregadas de velocidade, sombras persistentes após meus cortes.

Mas Hazel não estava me ensinando a acumular técnicas. Ela me obrigava a simplificar, a eliminar a hesitação até que tudo que sobrasse fosse uma única e letal verdade.

Ela levantou sua espada novamente, mas desta vez eu não esperei.

Avancei com tudo, relâmpagos explodindo sob meus pés, espada cortando em um movimento selvagem. O mundo desacelerou, o brilho do corte dela, o zunido do meu coração, a curvatura do ar ao redor do meu movimento. Por um instante, eu vi. A fraqueza. Não nela, mas no próprio ataque, uma ponta de energia vacilante, uma costura invisível, invisível a quem não vive no instante entre uma respiração e outra.

Eu ataquei.

Minha lâmina atravessou seu golpe, dispersando-o em faíscas de luz. A força me jogou um passo para trás, mas eu caí de pé, respirando forte, rindo como um louco. "Peguei você."

Sorriso discreto de Hazel, mas eu percebi. "Melhorou. Esse… foi o primeiro passo."

O golpe que acabei de usar — meio desesperado, meio instinto — não tinha nome em meu sistema. Não carregava o nome de uma técnica. Era meu. Um único golpe decisivo que cortava a própria fraqueza, mais rápido que o pensamento.

Sussurrei para mim mesmo: "Corte Fantasma." O nome soou certo. Uma fatia que existia num piscar de olhos, direcionada à falha que ninguém mais conseguia ver.

Hazel não comentou sobre o nome. Ela simplesmente me testou novamente. Mais golpes, mais rápidos, mais afiados. Cada um me forçava a encontrar sua fraqueza, a cortar no ângulo certo, na hora certa da respiração. Às vezes eu tinha sucesso, às vezes sangue voava, mas cada movimento refinava o limite da minha determinação.

Horas depois, caí exausto no campo de treinamento, espada sobre os joelhos, camisa grudada de suor e sangue. Hazel estava a poucos passos, tão calma quanto sempre, sem sequer ter suado.

"Você gosta demais disso," ela disse, passando a garrafa de água para mim.

Beijei a água, deixando ela apagar a fogueira na minha garganta. "Porque você é insana. Pessoas normais não usam sangrar até desmaiar como método de ensino."

Ela sorriu de leve. "Pessoas normais não sobrevivem para se tornar espadachins."

Ponto final.

Me recostei, olhando para as vigas do teto lá em cima. "Sabe, quando eu era criança, não sonhava em ser um assassino que rasga abismos. Eu só queria ser rápido o suficiente para ganhar brigas de bar, talvez impressionar umas garotas."

A Hazel levantou uma sobrancelha. "E agora?"

"Agora quero ser o homem mais rápido do mundo com uma lâmina. Quero que as pessoas ouçam meu nome e saibam que nem vão ver o golpe que mata elas."

"Essa fome," ela falou suavemente, "vai te manter vivo. Mas controla ela, ou ela vai te deixar vazio. Uma lâmina sem controle corta quem a empunha."

Voltei a cabeça para ela. "E você? Queria o quê quando começou?"

A expressão dela piscou por um segundo. "Liberdade."

Pisquei. "Liberdade de quê?"

"Das expectativas. De ser a irmã do imperador. De ouvir que caminho eu deveria seguir." Ela olhou para a espada, os dedos roçando sua aresta. "A espada me deu isso. Cada corte foi meu, não deles."

Aquilo me silenciou por um momento. Não esperava que ela fosse responder, quanto mais com tanta sinceridade.

"…Você é mais resistente do que parece," finalmente disse. "E também mais assustadora. De um jeito bom."

Ela realmente riu, um som afiado, raro, que pareciam poucas vezes ter ouvido. "Cuidado, Harper. Elogios não vão te salvar na próxima."

"Não falei para isso me salvar. Falei porque é verdade."

Ficamos ali mais um tempo, apenas respirando, deixando o silêncio se alongar de forma confortável. Meu corpo gritava para dormir uma semana, mas minha mão de espadachim rangeu, desejando tentar aquele novo golpe de novo. Corte Fantasma. Ainda não está perfeito, mas é meu.

Hazel finalmente se levantou, recolocando a espada na bainha. "Descanse enquanto pode. Amanhã, tudo recomeça."

Gemi, deitado no chão. "Amanhã, hein? Você não está querendo me matar de segredo, né?"

"Se eu quisesse, já teria te matado."

Ponto final.

Mesmo exausto, sorri. Porque, pela primeira vez, senti que estava chegando mais perto do espadachim que quero ser.

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