Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 430

Meu Talento Se Chama Gerador

Estiquei-me nas costas de Silver enquanto ele navegava pelos céus abertos, passando por nuvens brancas e macias. O vento acariciava meu rosto, frio e suave, levando embora o cheiro de sangue e cinza que insistia em ficar em mim há dias.

"Ah, que dia lindo. Aquilo lá realmente apodreceu," murmurei, cruzando os braços atrás da cabeça.

'Sim, além das batalhas, também não gostava. Muito monótono, muito cinza pra mim,' a voz de Silver ecoou na minha mente, com o mesmo cansaço que eu sentia.

Nos últimos quatro dias, minha pequena equipe de invocações e eu tínhamos ficado presos no continente perdido—ou no que sobrara dele. Uma terra destruída, infestada de Abominações. Dia após dia, batalha após batalha, seus gritos enchiam o ar enquanto os derrubávamos. Não havia mais nada pra fazer ali, nenhum descanso verdadeiro, só combate sem fim.

Olhei para os números brilhantes que flutuavam diante de mim.

[Bilhão Ironhart – Nível 295]

Quatro dias, e ainda sem sinal de desaceleração. Decidimos nos colocar uma desvantagem, forçar tudo que tínhamos—nossas habilidades, nossas leis, nossa resistência—ao limite. Se houvesse algum lugar para aprimorarmos nossas capacidades, era aquela terra deserta.

'Acho que a rixa entre Ragnor e Lyrate está ficando séria demais,' a voz de Silver quebrou meus pensamentos.

Sorreu-me uma risadinha. "Tudo bem. Ragnor é teimoso demais pra admitir que não é o mais forte entre os invocadores. Que eles se enfrentem. Uma hora ou outra, encontram uma saída."

'Não importa,' Silver afirmou com orgulho. 'No céu, sou o mais forte. Ninguém consegue me superar.'

Sorri de lado e dei uma palmada nas costas dele. "Claro, claro que sim."

Meus olhos voltaram a repousar no azul infinito que se estendia acima, pontilhado de nuvens preguiçosas e levadiças. Uma calma estranha tomou conta de mim. Depois de quatro dias seguidos de batalha e dos gritos constantes das Abominações, o silêncio do céu parecia uma bênção. Pela primeira vez em dias, permiti-me simplesmente apreciar isso.

Decidi que ia visitar minha avó. Já fazia tempo demais desde a última vez que a vi, e algo dentro de mim dizia que precisava ir.

Depois disso, em apenas alguns dias, partiríamos para Peanu. Essa viagem seria diferente—barulhenta, confusa, cheia de caos e morte. Uma tempestade prestes a acontecer.

Por ora, no entanto, Silver me carregava pelos céus, suas asas cortando o ar limpo enquanto voávamos em direção ao Cairo.

Primeiro pensei em cruzar direto para o reino e, de lá, seguir por terra, mas a sugestão de Silver de simplesmente voar pareceu melhor. Concordei com ele—era mais lento, mas me dava tempo para respirar.

A viagem nos levou mais uma hora.

Finalmente, Cairo se abriu abaixo de nós, suas ruas vibrando com a agitação habitual, barulhento e movimentado. Silver mergulhou baixo e pousou suavemente do lado de fora da minha casa. Dei uma leve palmada nele antes de enviá-lo de volta ao núcleo, e entrei sem demora.

A primeira coisa que quis foi um banho. Tomei um banho fresco e revigorante, deixando a água lavar tudo até me sentir mais leve. Depois, vesti minha blusa de capuz, o conforto familiar de sempre me envolvendo, e fui para a sala de estar.

Afundei no sofá, meus olhos se fixaram na parede. Lá estava o retrato da minha família. Olhei por bastante tempo, e lentamente minha expressão endureceu.

Aquela foto não era só uma memória—era um lembrete. Um lembrete de por que eu não podia parar, por que tinha que continuar lutando, evoluindo. Eu precisava de respostas. Precisava descobrir a verdade. E, acima de tudo, precisava encontrar as almas dos meus pais, não importando onde estivessem escondidas.

Enquanto pensava nos próximos passos da minha vida.

A porta se abriu sem que eu ouvisse a batida. Minha avó entrou, vestida com o uniforme militar, o cabelo preso de forma cuidadosa. Sua presença sozinha enchia a ambiente de calma.

"Bilhão," ela disse, com a voz firme, mas carregada de uma ternura que eu não sentia há muito tempo.

Levantei-me rapidamente. Por um momento, toda aquela coisa de que tinha feito esqueci, e ajeitei-me sem pensar. Avancei até ela e a abracei. Ela era menor do que eu lembrava, mas seus braços envolveram-me com a mesma força firme de sempre.

"Já faz tempo demais," falei baixinho.

"Faz mesmo," ela respondeu, puxando-se para trás para me olhar. Seus olhos afiados vasculharam-me como se lêssem cada cicatriz, cada mudança em minha postura. Então, de repente, sua expressão calma vacilou. As sobrancelhas se levantaram em surpresa.

"Você… Bilhão, seu nível…" A voz dela até vacilou. "Você me superou."

Dei um leve aceno. "Acho que sim."

Por um longo momento, ela ficou olhando para mim, entre orgulho e incredulidade. Depois soltou uma risadinha, colocou a mão no meu ombro. "Nunca pensei que veria o dia em que estaria parabenizando meu neto por ter me superado. Você se saiu bem, Bilhão. Além disso, muitíssimo bem."

"Obrigada, Vovó," disse suavemente.

Ela sorriu sutilmente e inclinou a cabeça. "E aí, o que gostaria de comer? Vou preparar algo pra você."

Neguei com a cabeça. "Não, hoje é comigo. Tenho assistido a alguns vídeos de culinária. Não é muita coisa, mas quero tentar."

Seus olhos se arregalaram um pouco de novo, depois suavizaram. "Você, cozinhando pra mim? Isso eu quero ver."

Sorrindo de leve, fui para a cozinha, pegando ingredientes na geladeira e nos armários. Coisas simples—legumes, arroz, ovos, especiarias. Minha avó se sentou à mesa, apoiando o queixo na mão, me observando com uma expressão de diversão silenciosa.

"Você se mexe como soldado até na cozinha," ela comentou.

Ria. "É o treinamento. Difícil deixar pra trás."

Enquanto o arroz fazia fofinho e os legumes fritavam na frigideira, conversamos. Não sobre batalhas, nem sobre Essência ou poder, mas sobre coisas normais. Ela me contou sobre a missão atual, os novos recrutas do exército, como Cairo tinha mudado nos últimos meses. Eu ouvi, colocando sal e mexendo, percebendo o quanto tinha sentido falta de ouvir a voz dela.

Quando a comida ficou pronta, coloquei na mesa diante dela. "É simples," eu disse. "Mas é feito por mim."

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