Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 431

Meu Talento Se Chama Gerador

Depois que terminamos a refeição, limpei os pratos enquanto a vovó insistia que eu não precisava fazer isso. Assim que lavei as louças e as coloquei de lado, voltamos para a sala. Ela escolheu seu assento de sempre, a poltrona perto da janela, postura reta mesmo quando deveria estar relaxando. Eu me sentei em frente a ela, ainda sentindo o calor da nossa refeição compartilhada pairando no ar.

Durante um tempo, ficamos em silêncio. A quietude não era desconfortável. Ela sempre foi assim. Mas então, ela recostou-se, cruzou os braços e me lançou um olhar. Aquele olhar específico. Aquele que atravessava qualquer defesa que eu achasse ter.

"Me fale sobre a garota", ela disse.

Eu pisquei. "Que garota?"

Ela levantou uma sobrancelha, os lábios se contorcendo levemente no canto. "Não finja me inocentar, Billion. Você acha que não estou de olho no meu próprio neto — ou pelo menos que não quero saber com quem ele está se envolvendo?"

Dei uma respiração, tentando desviar o olhar, mas o olhar dela era implacável.

"Não fica me chamando de 'Vovó'", ela disse, com uma voz calma, que carregava uma ponta de divertimento. "Você falou de batalhas, poder, Essência. Mas nunca uma palavra sobre o seu coração. Então, quem é ela?"

Recostei-me, esfregando a nuca. Por um momento, considerei negar, mas sabia que seria inútil. Ela não teria perguntado se não estivesse já certa.

"O nome dela é North", finalmente admiti. O som dele soou estranho ao ser pronunciado nesta sala, mas também… correto. "Ela é forte, rápida, teimosa, linda. Arkas é o avô dela."

A expressão da vovó suavizou. "North", ela repetiu, como se estivesse testando o nome na língua. "E você gosta dela?"

Dei um ligeiro e constrangedor aceno de cabeça. "Mais do que provavelmente deveria."

O riso dela foi baixo, mas sincero. "Aí está. Não foi tão difícil confessar, foi?"

Pousei a mão no rosto por um momento, então admiti: "Bem… não tenho certeza de como ela me vê. Talvez seja só atração, ou algo mais. Mas acho que ela também tem bons sentimentos por mim."

Ela concordou com um pequeno movimento, os olhos quentes. "Tenho certeza que sim. Você é um jovem inteligente. Seria difícil não gostar de você."

Ri baixinho e contei a ela alguns detalhes sobre North, pequenas observações que tinha feito. Minha avó ouviu com paciência, às vezes sorrindo, às vezes lançando aqueles olhares de compreensão que só os mais velhos conseguem.

Conversamos horas a fio – sobre minha infância, as travessuras que fazia, e tudo que estava acontecendo agora. Foi uma daquelas conversas raras que me fizeram sentir mais leve. Quando a noite caiu e o silêncio encheu a casa, trocamos boa-noite e fomos descansar.

Quando chegou o amanhecer, acordei cedo, com a luz fraca do sol entrando pelas cortinas. Mudei-me silenciosamente, sem querer perturbá-la de início, mas ela já estava acordada, sentada calmamente na cozinha com uma xícara de chá, como se estivesse me esperando.

"Você vai embora hoje", ela disse suavemente, mais afirmando do que perguntando.

Assentei com a cabeça, aproximando-me. "Sim. Tenho que voltar. As coisas estão acelerando, e não posso desacelerar agora."

Ela se levantou e, sem hesitar, me abraçou. "Você cresceu mais do que imaginei, Billion. Só lembre-se de uma coisa: força não significa nada se você esquecer quem realmente é."

"Eu não vou", prometi.

Com isso, endireitei-me, olhei mais uma vez ao redor da casa e abri um portal de tonalidade violeta. A Essência ondulou enquanto eu passava por ele, o calor de casa desaparecendo atrás de mim.

A mudança aconteceu instantaneamente. Estava de volta ao reino, mas não me detive por muito tempo e simplesmente saí em direção à capital. As muralhas altas da cidade eram visíveis à distância. Sem perder tempo, caminhei em direção a ela, o ar vibrando com vida e barulho à medida que me aproximava.

Meu destino era um dos restaurantes mais conhecidos, escolhido por Steve.

Quando entrei, duas faces familiares já estavam esperando. Steve me acenou, sorrindo largo. North sentava-se ao lado dele, com os braços cruzados, mas os olhos brilhando no instante em que me viu.

"Lá vem, o novo Grande Mestre em pessoa", disse Steve alto, batendo nas minhas costas ao chegar à mesa. "Parabéns, irmão. Você está deixando todo mundo para trás."

A boca de North se curvou num sorriso discreto. "Ele tem razão. Parabéns, Billion. Você cresceu… bastante."

"Obrigado", disse, sentando-me ao lado deles. "Para ser sincero, é estranho. Ainda sinto que não acabei de me adaptar totalmente."

Steve recostou-se, balançando a cabeça. "Melhor correr atrás logo. Porque eu acabei de receber minha missão também. Finalmente. E ela é dura." Sua expressão virou de sério. "Hazel está me puxando feito doido. Juro que ela gosta de me empurrar na direção do chão. Nunca levei tanta porrada na minha vida."

North deu uma risadinha. "Pelo menos você tem alguém te puxando. Dante não aparece muito. Depois do treino, eu basicamente… ando por aí. Dá conta de ficar entediada, pra falar a verdade."

"Entediar-se nem sempre é ruim", eu disse. "Mas entendo. Estamos todos inquietos agora, esperando a próxima coisa acontecer."

Steve deu um suspiro dramático. "Esperando? Eu não estou esperando. Estou sobrevivendo à Hazel. Essa é minha ocupação em tempo integral."

O olhar de North suavizou enquanto ela olhava para mim. "Ainda assim… é bom ver todo mundo aqui de novo."

Recostei na cadeira e dei de ombros. "De qualquer forma, a razão de ter chamado vocês dois aqui é simples. Em um ou dois dias, vamos para Peanu. Mas há algo que vocês precisam saber — pode ser que eu não vá com vocês."

A sobrancelha de Steve imediatamente se contraiu, a mão se fechando ao redor da xícara. "Como assim? Eles vão te colocar numa equipe separada ou algo assim?"

Balancei a cabeça. "Não, nada disso. É… meu próprio plano. Preciso conversar com o Imperador primeiro, saber o que pensa, e só depoisdecidir. Assim que souber, aviso vocês."

North inclinou a cabeça e falou, com um tom de suspeita na voz. "Por que acho que o que você está planejando não é algo comum? Na verdade, soa como uma loucura completa… algo que só você pensaria."

O olhar dela ficou fixo, afiado e preocupado, como se tentasse desvendar as camadas das minhas palavras.

Eu só poderia sorrir fracamente. "Quem sabe você esteja certa. Mas às vezes, o caminho louco é o que traz os melhores benefícios."

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