
Capítulo 441
Meu Talento Se Chama Gerador
Acordei depois de uma sensação de que havia passado uma eternidade em um sono profundo e sem sonhos.
Pela primeira vez em muito tempo, meu corpo se sentia mais leve, descansado, quase como se o peso de batalhas constantes tivesse sido removido. A cama estava tão confortável que eu poderia ter ficado ali por horas, mas o pensamento do que me aguardava não me permitia ficar.
Alonguei-me, respirei fundo e me levantei, arrastando-me até o banheiro.
Depois de enxaguar o rosto e deixar a água fria retirar a sensação de peso do sono, tomei um banho caprichado. Ao me olhar no espelho, percebi que minha imagem estava mais nítida do que ontem, com runas levemente brilhando ao longo do corpo antes de se recolherem novamente.
As roupas que Lyrate tinha conjurado ontem ainda estavam dobradas cuidadosamente. Vesti-as novamente. Ajustei o colar do casaco, que encaixou perfeitamente, como se tivesse sido feito sob medida a partir de meus pensamentos. Dei uma última olhada em mim mesmo, arrumei o colarinho da veste e saí do aposento.
O palácio permanecia silencioso na manhã, com os corredores se estendendo infinitamente sob a luz que entrava pelas janelas altas. Não quis me perder em passeios. Meus passos me levarem diretamente ao escritório do Imperador, o único lugar onde sabia que respostas e responsabilidades aguardavam.
Empurrei as portas maciças. Dentro, o Imperador estava sentado, tão calmo e controlado quanto sempre, com telas piscando ao redor dele. Seus olhos afiados se voltaram para mim com aquela calma enigmática de sempre. Mas o que chamou minha atenção imediatamente não foi ele, e sim Dante.
Ele estava mais uma vez usando aquele mesmo disfarce: o velho frágil, com ombros curvados e cabelo prateado fluindo como uma cachoeira de idade. Mas meus olhos não eram enganados, e mesmo se eu quisesse fingir o contrário, sua aura o entregava. Era tênue, dispersa, como brasas morrendo após uma tempestade. Franzi a testa.
"Você está ferido?" perguntei antes que pudesse me controlar.
Os lábios de Dante se curvaram numa expressão de sorriso fino. Ele balançou a cabeça lentamente. "Não ferido. Apenas enfraquecido. O canal espacial que criei ontem me custou bastante. Vai levar tempo para me recuperar."
Isso explicou as fissuras que senti na presença dele. Ele não era alguém que poderia ser destruído facilmente, mas nem mesmo alguém como ele poderia escapar do custo de abrir um espaço no tecido do universo.
Assenti, entrando mais um pouco na sala. "O Imperador me disse que você quer ir sozinho no primeiro dia", disse Dante após um momento de silêncio, com os olhos estreitando-se enquanto me estudava.
"Sim", respondi sem hesitar. "Quero ir preparar algumas coisas eu mesmo. Colocar tudo em operação antes de nossas forças chegarem. Se quiser, posso cuidar da preparação."
Dante expirou pelo nariz — quase como uma risada, mas não exatamente — e disse: "Mas já temos espiões lá que podem fazer isso. Eles foram colocados há anos. Por que se arriscar?"
"Eu sei", insisti com firmeza. "Mas não sou eles. Você sabe que sou diferente. Existem coisas que posso fazer que eles não conseguem, preparações que só eu posso enxergar claramente. Você entende isso, não é?"
Por um momento, o silêncio se alongou. Seus olhos me penetraram, como se avaliasse minhas palavras minuciosamente. Então, finalmente, ele deu um leve e simples aceno de cabeça. "Sim, eu entendo."
O Imperador, que havia assistido calmamente, inclinado-se um pouco para frente. "Então está decidido. Você irá. Mas lembre-se: depois de amanhã, o canal será ampliado para que nossas forças possam passar. Não corra riscos desnecessários."
Reicuo minha cabeça em sinal de confirmação. "Entendido."
Sem mais palavras, Dante estendeu a mão e deixou cair uma pequena engenhoca metálica no chão. Ela pulsou suavemente, com runas e padrões de essência brilhando em sua superfície. Um rumor baixo preencheu a sala, e uma ondulação se espalhou pelo ar. À nossa frente, o próprio espaço se abriu em um portal.
"Vamos," disse Dante simplesmente, passando por ele. Eu o acompanhei sem hesitar.
O mundo torceu e se curvou por um instante, e então meus pés tocaram novamente um chão sólido.
O que mais percebi foi o frio cortante do ar de montanha, fresco e picante contra minha pele. Estávamos em uma planície plana, aninhada no interior de uma vasta cadeia de montanhas de picos irregulares que se estendiam até onde os olhos podiam ver.
E lá, dominando todo o vale escondido à nossa frente, havia uma visão que me deixou paralisado.
Uma aeronave enorme — não, não apenas uma aeronave, mas uma verdadeira embarcação.
Linhas elegantes de metal eplacas gravadas com runas se estendiam por toda a estrutura colossal. As asas estavam dobradas nas laterais, vibrando suavemente com uma potência contida. Seu corpo brilhava com uma mistura de aço e luz de essência, uma combinação estranha de tecnologia e pura vontade. Flutuava logo acima do solo, um colosso inalcançável escondido do mundo.
Minha mandíbula ficou levemente caída. "É aquilo?"
Dante avançou um passo, os olhos cintilando. "Isso," ele disse com um traço de orgulho, "é minha nave pessoal. Uma embarcação que guardei sob sigilo da maior parte das pessoas. Seu nome é 'Asa do Inferno'. Já me levou por espaços infinitos. Me ajudou a escapar de muitas experiências próximas da morte."
"Asa do Inferno..." repeti baixinho, absorvendo a visão diante de mim.
"Funciona com essência. Cada parte dela foi projetada para canalizar e tecer essência para propulsão e proteção. Pode viajar onde navios comuns nem conseguem passar, deslizar por tempestades de vácuo e espaço, e manter seus ocupantes vivos mesmo quando as estrelas se tornam hostis."
Acrescentei um passo mais perto, tomado pelo espanto. As runas gravadas em seu corpo vibravam suavemente com meus próprios canais, como se reconhecessem a presença de alguém conectado à essência em si.
Dante riu baixinho ao perceber minha expressão. "Surpreso?"
"Mais do que isso," admiti. "Nem imaginava que algo assim existisse aqui."
Ele assentiu uma vez. "Poucos sabem nesta parte do universo. E ainda menos merecem colocar os pés nele. Venha."
A rampa da nave deslizou suavemente, uma linha de luz marcando nosso caminho.
"Sistema de segurança," disse Dante com calma. "Ele escaneia quem entra. Nenhum desconhecido sobrevive à tentativa."
A pressão desapareceu tão rapidamente quanto veio, e eu respirei fundo. O interior se abriu para uma vasta ponte de comando, repleta de painéis brilhantes, condutos cristalinos carregando fluxos de essência como rios de luz.
A cadeira central era alta, feita para comandar, enquanto os consoles ao redor vibravam suavemente.
Eu não entendia nada daquilo. Mas, convenhamos, parecia bem maneiro.
Dante caminhou direto até a cadeira de comando, colocou a mão no descanso e deixou a nave reconhecê-lo. Runas floresceram no deck em sinal de confirmação. Toda a embarcação pareceu despertar, seu zumbido se aprofundando como se ela tivesse dado uma respiração.
"Destino?" uma voz calma, mecânica, perguntou.
Dante recostou-se um pouco. "Asteróide PE-X13," ordenou.
A nave respondeu instantaneamente, coordenadas piscando nas telas.
Depois, com quase nenhum som, ela decolou e acelerou rumo ao céu. Olhei pela claraboia, vendo as montanhas se afastando ao longe. Logo, elas desapareceriam completamente, engolidas pelo vazio entre os mundos.