
Capítulo 447
Meu Talento Se Chama Gerador
Quando meus pés tocaram o mármore polido do hall do palácio, estendi minha percepção para fora como uma onda. Em poucos segundos, todo o palácio se desenrolou na minha mente como um esboço tridimensional, cada cômodo e corredor editados com precisão cristalina.
Era quase assustador. Um palácio tão grande deveria estar repleto de atendentes, guardas, criados, cozinheiros e mensageiros. E, no entanto, não havia nada—nenhum batimento, nenhuma respiração, nenhum sussurro nervoso ecoando pelos grandiosos corredores.
Nada além de duas presenças distintas, afiadas e opressivas, ambas irradiando a inconfundível pressão de mestres.
E ambas marcadas, claramente, pela Lua Negra.
Os emblemas estavam por toda parte, desde os estandartes pendurados sobre cada corredor até os insígnias gravadas em colunas e marcadas nas janelas de vidro.
Respirei lentamente, entrelaçando Essência através da minha Ressonância, ajustando minha ressonância até que minha aura escapasse de qualquer percepção. Para eles, eu havia desaparecido. Uma ondulação apagada antes mesmo de ser notada.
Passo a passo silencioso, vagueei.
Os corredores eram ostentosos: tapetes vermelhos bordados com fios de prata, murais pintados e emoldurados em ouro, retratando as conquistas da Lua Negra, e lustres imensos pendurados por toda parte.
Passeei com calma, entre corredores, até que uma sala em particular chamou minha atenção. Uma fechadura, pesada, repleta de runas, bloqueava sua porta. As defesas vibravam levemente, pulsando com camadas de proteção feitas para manter intrusos afastados. Meus lábios se curvaram levemente. Eles não esperavam alguém como eu.
Um toque com minha Psinaipse foi suficiente. A Essência deslizou pelas linhas rúnicas, as sobreescreveu com comando absoluto, e as proteções entraram em modo de dormência, como uma chama extinta. As portas pesadas sussurraram ao se abrir.
Dentro, estava a biblioteca.
Fileiras e mais fileiras de estantes altas revestiam as paredes, cada uma cheia de livros e papéis.
"Perfeito."
Não perdi tempo. Minha Psinaipse se lançou na ação, e o ambiente se encheu de fios de percepção.
Cada página, cada runa, cada palavra de tinta brilharam dentro da minha mente. Palavras, diagramas, registros de batalhas, listas de recursos, esquemas arquitetônicos—tudo jorrava como uma enxurrada.
Cinco minutos. Era tudo que eu precisava. Quando recuei, havia consumido toda a biblioteca. Minha Psinaipse a carregou, escavando na memória.
Deixei as portas fecharem silenciosamente atrás de mim.
Até então, Kim já tinha avançado mais fundo no palácio. Detectei sua presença mudando, seus passos leves, porém apressados, a confiança de alguém que acreditava ser intocável aqui. Segui sua sombra, minha aura ainda bem ajustada para evitar a detecção.
Ela passou por uma ampla porta dupla e entrou numa câmara onde o segundo grande mestre aguardava.
Olhei imediatamente ao vê-lo.
[Rockes Dave – Nível 271]
Alta, com ombros largos, sua armadura marcada com linhas pretas e prateadas. Sua aura se pressionava para fora como uma pedra de moagem, densa e áspera. Um homem que carregava violência nos ossos.
"Finalmente," disse ele, sua voz áspera e impaciente. "Demorou pra cacete."
Kim exalou dramaticamente, como se o ar em seu redor tivesse se ofendido. Ela puxou as luvas e fez careta.
"Você não entende, Rockes. Viajar para fora... é sufocante. A sujeira, o lixo, as massas rastejantes. Juro, toda vez que tenho que olhar pra eles, sinto meus olhos sujos. Preciso de um banho longo pra lavar tudo isso."
Rockes riu, um riso baixo e desagradável.
"E, no entanto, são úteis." Ele recostou na cadeira, cruzando os braços grossos no peito.
"A cota aumenta a cada ciclo. Se eles não fizerem força pra pegar cabeças de aberração ou se não esfolarem as minas por materiais, nossas armaduras não serão construídas. A Lua Negra não tolera fracasso."
Kim sorriu com um sorriso afiado. "Então, não vamos deixá-los falhar. Vamos apertar ainda mais. Se não conseguirem cumprir a cota, podem morrer. Outros ocuparão o lugar deles."
Ela puxou um fio de cabelo para trás, com tom quase entediado. "Honestamente, estou cansada de ouvir desculpas dos fracos. Devem agradecer por lhes darmos um propósito."
Mantive-me na sombra de uma coluna, silencioso, observando.
Da forma como ela falou, a crueldade casual, o desprezo absoluto, era suficiente para confirmar o que eu já suspeitava.
Esses dois não eram apenas governantes; eram parasitas. Alimentando-se do sofrimento dos povos abaixo, usando o poder como corrente, com o emblema de sua facção como uma marca.
Rockes inclinou a cabeça, os olhos se estreitando. "E as aberrações? Ouvi dizer que os números estão diminuindo em volta de Zeula. Precisam se afastar mais para alcançar as contagens."
Kim deu de ombros levemente.
"Então, vão se afastar mais. Não é problema nosso se morrem pelo caminho. Precisamos de recursos, e a Lua Negra não perdoa escassezes. Melhor perder algumas centenas de camponeses do que perder prestígio com o conselho."
Rockes assentiu, os olhos se fechando enquanto o silêncio se prolongava entre eles. Então, com um ligeiro sorriso nos lábios, disse: "Ah... seu nível aumentou."
Kim ficou tensa, só um pouco, antes de forçar um tom casual.
"Sim. As flutuações espaciais foram causadas por uma aberração usando leis espaciais. Me irritou, perdi tempo... então, enfrentei e a matei."
O sorriso de Rockes se aprofundou, sua voz suavizando com uma preocupação fingida.
"Ah, é? Deve estar cansada. Vá descansar, minha esposa."
Kim inclinou a cabeça em sinal de agradecimento, seu tom firme.
"Sim, preciso. Por favor, informe ao líder que foi um falso alarme."
Sem mais palavras, virou nos calcanhares e saiu da câmara.
Assim que a porta se fechou atrás dela, o sorriso de Rockes desapareceu.
Uma carranca se desenhou no rosto dele, e ele bateu a mão na mesa à sua frente. A madeira pesada quebrou com um estrondo ensurdecedor, estilhaços espalhando-se pelo chão.
"Filha da mãe," cuspiu, com uma voz carregada de veneno.
Começou a andar de um lado a outro pela sala, passos pesados ecoando no mármore. Observei em silêncio. O homem não estava bravo agora, parecia incomodado, quase cauteloso, como se estivesse refletindo alguma coisa na cabeça.
Após alguns momentos de agitação, pegou seu comunicador e discou.
"Qual é a situação, Rockes?" veio uma voz áspera, encorpada do outro lado.
"Foi um falso alarme, Harold," respondeu Rockes com tranquilidade. "Apenas uma aberração mexendo com leis espaciais."
"Uma aberração?" A voz ficou mais aguda. "Desde quando aberrações têm esse poder todo, pra balançar o próprio coração da capital?"
"Por isso, mandei a Kim," disse rapidamente. "Foi a conclusão dela."
Silêncio. Então, a voz relaxou.
"… Entendido, então."
A ligação caiu.
Rockes abaixou o dispositivo, a mandíbula apertada. Seus nós dos dedos ficaram brancos enquanto sua mão apertava até o comunicador rachar sob a pressão, o som sutil de metal se partindo preenchendo a câmara.