Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 446

Meu Talento Se Chama Gerador

Você não conhece isso? ele inclinou a cabeça e perguntou, quase confuso por eu precisar questioná-lo.

Não respondi. Em vez disso, deixei meus olhos se dirigirem para a plataforma de gelo sob ele. Ela estava derretendo mais rápido agora, a temperatura tinha subido, vapor subindo ao ar enquanto a água assoprava e evaporava.

A cada segundo que passava, a plataforma ficava mais fina, menos estável. Ele também percebeu, e sua face ficou pálida.

— Ahh—sim, sim, eu vou responder. Espere, espere. Não me deixe cair. Uhm… o emblema pertence à facção de onde eu venho, — gaguejou ele, palavras escapando em pânico.

— A facção da Lua Meio. Existem três facções com base nas três luas do nosso céu: Lua Cheia, Lua Sombria e Lua Meio.

Cada uma tem um líder, mas acima deles está o imperador, Staurn Max da família Max. A linhagem do imperador… é como uma ponte, uma mistura de todas as três facções. Isso mantém o equilíbrio. Nenhuma das facções ousa derrubá-lo.

Passei a cabeça lentamente, observando. Era um sistema simples, mas eficaz: dividir o poder e depois unificá-lo sob um só trono. Isso dificultava as rebeliões, facilitando o controle.

— Por que você não ajudou o grupo que lutava contra a aberração antes? — perguntei. — Vi você observando, mas não levantou uma mão.

Ele tremeu os lábios. — Porque cada facção tem cotas a cumprir. Se não… as punições são aplicadas.

Franzi os olhos. — Que tipo de punições?

— Qualquer coisa — ele disparou. — Multas, prisão, morte… até venda como escravo.

Levantei uma sobrancelha. — Para todos?

Ele hesitou. — Talvez… não para a família Max. Ou para famílias com grandes mestres. Essas estão acima de tais punições.

Minha tonalidade ficou mais cortante. — Quantos mestres grandes vocês têm?

O homem engoliu em seco. — Não sei ao certo. Rumores dizem cerca de trinta… talvez quarenta.

— Onde fica o mais próximo? Posso encontrá-lo?

— Uhm… talvez na cidade de Kilo. Foi o que ouvi dizer.

Eu ia perguntar mais, mas minha percepção se agitou. Algo se moveu pelo céu, rápido e afiado. Olhei na direção, fazendo um zoom até ver uma mulher cortando o ar em direção à floresta como uma estrela cadente.

Seu nome surgiu na minha visão.

[Kim Kuzi – Nível 264]

Um sorriso surgiu nos meus lábios. Finalmente. Era ela quem eu aguardava.

Ela atravessou a distância em poucos momentos, parando bem onde a aberração de uso de espaço, inconsciente, jazia. Seu olhar varreu a área, atento e cauteloso. Ela circulou uma vez, procurando ameaças, e depois voltou-se à besta.

Sua mão se levantou, e o espaço virou uma ondulação. Uma onda fina como lâmina cortou o espaço. A cabeça da aberração deslizou para fora do corpo, rolando pelos ombros.

— Ohh, — murmurei.

Seu nível disparou instantaneamente, pulando para 268.

— Então ela também usa espaço, — pensei, franzindo a testa.

Sem hesitar, virou-se e começou a voar de volta ao longo do caminho que veio.

Voltei meu olhar para o prisioneiro. — Beleza, cara. Acabou a conversa. — levantei um dedo, e um feixe de luz atravessou sua testa. Seu corpo caiu para frente enquanto a plataforma sob ele finalmente cedeu, despencando na escuridão.

Depois, olhei para cima, acelerando até ficar acima do percurso de Kim. Meu corpo se deslocou rapidamente, acompanhando-a silenciosamente pelo céu.

Enquanto voava, meus pensamentos retornaram ao plano original que tinha proposto: usar o reino como base para atacar Peanu e Sukra. Na época, acreditava que todos tinham concordado. Mas o acordo deles não era com o como do meu plano. Era apenas com a ideia da invasão em si.

Dante, em particular, rejeitou minha abordagem. Ele dizia que o reino nunca poderia ser usado sem alertar ambos os mundos.

Forcei uma expiração lenta, afastando a ideia. Por ora, apenas segui Kim.

Ela sobrevoou áreas de terra, passando por florestas, rios e cidades. Aproveitei para captar tudo, cada detalhe.

As cidades menores pareciam miseráveis.

Enquanto acompanhava Kim pelo céu, deixei minha percepção se espalhar para baixo, passando pelos centros menores que cruzávamos. De cima, tudo parecia normal — muros de pé, ruas alinhadas, casas inteiras. Mas ao focar mais fundo, a verdade veio à tona.

No primeiro centro, vi pessoas caminhando com coleiras de ferro no pescoço, correntes grossas ligando grupos como se fossem animais enjaulados. Alguns carregavam cargas nos ombros, machucados e crus. Os guardas ostentavam emblemas de Lua Cheia em suas armaduras.

Mais adiante, em outra rua, avistei dois corpos deitados ao ar livre. Ninguém parou. Ninguém se importou.

As pessoas simplesmente passavam por cima deles, com os olhos desviados, como se morte na rua fosse tão comum quanto passar poeira.

Em outro bairro, homens brigavam abertamente nas vielas, punhos e lâminas colidindo, enquanto os espectadores torciam ou apostavam quem cairia primeiro.

Nenhum deles interferia. Apenas assistiam, com amusement, como se a violência fosse mais uma forma de entretenimento.

E ao redor do peito ou da manga quase de todo mundo, havia a marca de lealdade — um emblema bordado. A Lua Cheia dominava ali, estampada em trapos e tecidos finos.

Aqueles sem emblema algum eram raros — tão raros que, ao notar um ou dois, estavam agachados na sombra ou encostados na parede, como se existir sem pertencer a uma facção fosse uma ofensa.

A próxima cidade não era muito diferente. Crianças com coleiras limpas as ruas, enquanto comerciantes de roupas limpas com emblemas gritavam preços aos passantes. Vi uma mãe puxando seu filho apressada, afastando-se de soldados que inspecionavam a multidão como caçadores em busca de presa.

Ela não carregava emblema algum, mas o medo em seus olhos mostrava que ela sabia exatamente o que aquilo significava.

Porém, quando Kim sobrevoou uma cidade maior, o contraste foi impressionante.

A praça central reluzia com torres douradas, mercados transbordando de mercadorias, risos de nobres vestidos de gala. Aqui havia riqueza, muita riqueza. Mas tudo concentrado naquele núcleo resplandecente.

Fora da praça principal, o resto da cidade era um labirinto de favelas — casas menores, vielas apertadas, sujeira. Crianças pedindo esmolas nas portas do bairro interno, enquanto guardas as afastavam com as pontas de suas lanças.

Agora consegui perceber claramente o padrão. Quanto maior a cidade, mais aguda era a divisão: riqueza para poucos, correntes para o restante. E sempre, sempre, os emblemas costurados nas roupas — símbolos de pertencimento, ou talvez de submissão. Sem eles, ninguém era nada.

Continuei seguindo Kim em silêncio.

Ela reduziu bastante a velocidade ao passar sobre uma cidade. Minha percepção se expandiu instantaneamente. Essa se chamava Zeula, e parecia muito melhor que as anteriores. Ruas mais limpas, muros mais resistentes, uma certa ordem na movimentação.

Kim desceu direto na direção do palácio central, uma estrutura enorme que brilhava com pedra polida e portões protegidos. Passei meus sentidos por ele, e meus lábios se curvaram ligeiramente ao descobrir algo inesperado: outro grande mestre estava lá dentro.

— Gosto disso, — murmurei.

— [Phantom Dive]. — Ativei a habilidade.

Meu corpo desapareceu do ar e, no próximo instante, saí das sombras sob uma das pilastras do palácio, silencioso e invisível.

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