Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 445

Meu Talento Se Chama Gerador

Voei silenciosamente e rapidamente, entrelaçando-me entre as árvores. A princípio, a floresta parecia igual às de casa: o dossel verde-escuro se estendendo vasto, as mesmas montanhas ao longe.

Se eu fosse ignorar o fato de que tinha atravessado um portal espacial, poderia achar que ainda estava no meu mundo.

Porém, então meus olhos captaram o que realmente distinguia aquele lugar. O céu.

Três luas pairavam acima de mim. Mesmo sendo dia e o sol ainda ardente, as luas estavam nítidas, como discos prateados-brancos que pareciam quase ao alcance das mãos.

Cada uma quase do mesmo tamanho, posicionadas em oposição umas às outras, formando um triângulo no firmamento. Era algo antinatural, e, mesmo assim… hipnotizante. Porque em Vaythos há apenas uma lua.

Reduzi a altitude, desacelerei e logo alcancei o local onde percebera a presença humana antes. Com um pequeno impulso de vontade, suprimi minha aura e deslizei silenciosamente entre os galhos de uma árvore alta. A casca rangia suavemente sob mim, mas nenhum dos que estavam abaixo se virou.

Estudei-os. Todos trajavam armaduras feitas de algum metal cinza. Cada um tinha seu próprio conjunto, e parecia personalizado também. E, no entanto, havia um detalhe comum a todos: um brasão estampado no peito.

Lua Cheia. Meio Lua. Um círculo escuro, vazio.

Três desenhos, divididos entre eles.

Franzi o cenho. Facções? Ordens? Seja lá o que fossem, os símbolos eram demasiado deliberados para serem mero acaso.

No claro, o grupo marcado pela lua cheia, com quatro integrantes, lutava contra uma aberração colossal. A criatura era distorcida, vagamente reptiliana, com escamas escurecidas, e rosnava enquanto atacava-os. Seus movimentos eram rápidos, treinados, coordenados. Aço colidia com garras, e a Essência se acendia com cada golpe.

Mas os outros dois grupos — os com meio lua e as luas negras — ficavam parados, imóveis. Assistiam de lado, com as armas guardadas.

De vez em quando, faziam comentários provocativos sobre o grupo que lutava contra a Abominação.

Todos estavam muito abaixo do nível Mestre.

Encostei-me no galho, folheando os dedos na madeira de forma distraída. Alguma coisa não estava certa. Por que eles simplesmente observavam enquanto uma única equipe lutava sozinha?

Meus olhos se fixaram em um homem que permanecia na frente da facção da meia lua. Ele era o mais forte ali, tinha uma postura autoritária, e sua presença exercia uma pressão sutil sobre os demais ao redor.

[Borsalino Amarelo – Nível 173]

Ele parecia estar na meia-idade, com o rosto marcado pelo tempo, porém afiado, exibindo uma expressão séria que não se alterava mesmo com a batalha ao seu redor. Algo na calma dele ao ver outros lutarem me dizia que não era apenas um soldado comum.

"Isso serve. Você será o escolhido."

Levantei a mão e estalei os dedos.

Um som suave como uma ondulação subiu pelo ar. Não era alto, nem perceptível para quem estivesse ao redor. A onda atravessou a Abominação, os humanos lutando e os observadores. Em um piscar de olhos, seus corpos se enrijeceram, os olhos reviraram e, um a um, caíram como marionetes com os fios cortados.

Lei da Resonância.

Uma lei que me permitia sincronizar com o zumbido invisível das frequências que percorriam tudo: matéria, energia, Essência, até pensamentos. E, uma vez ajustada, podia distorcer, quebrar, interromper. Tudo o que fazia era manipular a ressonância deles, no ponto onde a Essência tocava a mente, e o resultado era imediato: inconsciente.

Desci suavemente do galho onde estava e me aproximei do homem.

Ele jazia no chão, o peito subindo e descendo devagar. Sem perder tempo, segurei-o pela gola e levantei-o em direção ao céu.

Quanto mais alto ia, mais rápido impulsionava, até que o vento uivava nos meus ouvidos e as nuvens se rasgavam diante de mim. O mundo lá embaixo encolhia — floresta, rios, montanhas — tudo engolido pela distância. Então, a verdade do zona apareceu diante de meus olhos.

O campo da Aberração não era infinito. Estava contido. Muralhas de pedra e aço circundavam a terra como uma prisão, trancando a floresta e as montanhas dentro dela.

Vi torres de vigia nas bordas e até uma pequena fortaleza na entrada única. Não era terra selvagem — era controlada, monitorada.

Parei quando tive uma visão clara e formei uma ampla plataforma de gelo sob meus pés.

As botas rangiaram ao tocar a superfície congelada enquanto soltava o homem inconsciente sobre ela. Com um movimento de dedos, mais um estalo e seus olhos se abriram lentamente.

O corpo dele se contorceu ao sentir a consciência retornar. Seus olhos se abriram devagar, ajustando-se ao branco cegante das nuvens ao redor. Então, seu olhar caiu rapidamente para baixo, e ele ficou sem fôlego.

Não havia nada abaixo dele. Nada além do céu aberto e do abismo infinito que o aguardava. O chão estava tão longe que até as florestas e montanhas gigantes pareciam brinquedos espalhados no mapa. Suas mãos tremiam enquanto tentava se equilibrar na superfície escorregadia de gelo.

"O—o que é isso… onde eu estou?!" Sua voz saiu trêmula de pânico.

Fiquei na sua frente, com as botas firmes na neve derretida. O gelo soltou um sussurro suave enquanto fios finos de água escorriam pelas bordas, rachando-se e sumindo no vazio abaixo.

Seu olhar se voltou para mim, estreitando-se enquanto procurava algo. Por um longo momento, apenas fixou o olhar, e então sua mandíbula caiu.

"Quem… quem é você?" Sua voz misturou medo e descrença. "Não consigo… não consigo ver seu nível… você é um Grande Mestre."

Inclinei a cabeça, deixando o silêncio entre nós se estender até que o som do vapor de água escapando do gelo preenchesse o espaço.

"Não tenho paciência para jogos longos," disse calmamente. "Tenho respostas que poderia descobrir sozinho, se vagueasse por aí por tempo suficiente. Mas estou esperando, e estou com pressa. Quanto mais rápido responder, mais rápido poderei salvar você."

Ele piscou rapidinho, a expressão de confusão passando pelo rosto. "Salvar-me…?"

Fiz um gesto para a plataforma sob ele. As rachaduras se alargaram, estalando mais alto enquanto uma nova se formava. "Porque se você não terminar antes que ela derreta, vai cair. Simples, não é?"

A cor dele esmoreceu. As pernas vacilaram, e ele se forçou a se agachar, agarrando-se à superfície de gelo como se ela fosse desaparecer a qualquer momento.

"Oque—o que você quer saber?"

"Primeira pergunta," disse, cruzando os braços. "Aquele brasão na sua armadura. O que ele significa?"

Os olhos dele rapidamente se dirigiram ao próprio peito, onde o símbolo estava gravado nas placas. Ele engoliu em seco.

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