
Capítulo 443
Meu Talento Se Chama Gerador
Quando pousamos dentro do asteróide, a nave massiva foi lentamente desligando até que sobrasse apenas um murmúrio fraco.
A rampa estreou com um ruído sibilante, e eu segui Dante até a superfície rochosa e áspera. O interior da caverna não era nada impressionante, nada de paredes de metal ou luzes como eu meio esperava, só rocha suavizada de maneira artificial, quase como garras a escavaram até ficar oca.
Não havia nada lá dentro, exceto duas coisas: um amplo círculo rúnico desenhado no chão de pedra e uma simples cadeira ao seu lado, como se quem tivesse projetado aquele lugar pretendesse passar bastante tempo esperando ali.
O ar estava frio, seco e silencioso, quebrado somente pelo gemido distante do asteróide se movimentando ao nosso redor.
"É aqui," disse Dante.
Ele gesticulou em direção ao círculo rúnico. "Este é o canal. Conecta diretamente ao mundo de Peanu, logo além deste cinturão. Foi feito com a ajuda de nossos espiões já infiltrados, e da minha intervenção."
Observei as inscrições brilhantes. Elas não eram como runas de teleportação comuns; cada linha brilhava suavemente com essência espacial, e eu podia sentir sua instabilidade. "Então esse círculo é como... uma porta?"
"Exatamente. Mas você precisa entender uma coisa antes."
Dante sentou-se na cadeira, com os olhos semi fechados. "Sempre que o espaço dentro de um mundo é forçadamente arrancado de fora, a autoridade máxima daquele mundo é alertada imediatamente. Assim como nosso imperador sabe quando você abre um portal para seu reino de bolso, o mesmo vale para qualquer lugar."
Fitei-o com uma expressão de dúvida. "Como eles sabem?"
Ele inclinou a cabeça, como se estivesse decidindo o quanto explicar.
"Por causa do núcleo do mundo. Pense nele como o coração do mundo. Quando o espaço é rasgado, o núcleo sente. Instantaneamente. E, para manter a estabilidade, ele emite flutuações espaciais, reparando o rasgo o mais rápido possível."
Crusquei os braços, olhando fixamente para o círculo. A expressão "núcleo do mundo" bateu mais forte do que eu queria demonstrar.
"Todo mundo tem um núcleo," continuou Dante. "Sua força depende da profundidade e do poder do próprio mundo. Um mundo fraco terá um núcleo frágil, facilmente abalado. Um mundo forte possui um núcleo que nem eu ousaria confrontar diretamente."
Fiquei em silêncio, minhas ideias voltando à minha missão. Alimentar um núcleo de mundo com o Núcleo da Aurora.
"Onde fica um núcleo de mundo?" perguntei baixinho.
Dante piscou, surpreso com a pergunta, e depois encolheu os ombros.
"Isso é algo que pouquíssimos sabem. No nosso mundo, só o imperador conhece sua verdadeira localização. Normalmente, um núcleo não fica em um lugar acessível facilmente; ele se oculta dentro de uma dimensão de bolso própria. E possui vontade suficiente para se defender. Se você fosse procurá-lo, seria ele quem viraria a caça para você."
Então nem Dante sabia ao certo. Isso era ao mesmo tempo um alívio e uma frustração.
Aponto novamente para o círculo. "Se eu usar esse portal, o imperador de Peanu não vai perceber na hora que alguém invadiu?"
Ele balançou lentamente a cabeça.
"Sim. Se usar o caminho natural. Mas o que eu preparei aqui..." Ele se inclinou um pouco à frente. "Criei um canal ancorado dentro de uma zona de aberração em Peanu. Lá, um grande mestre das aberrações com domínio sobre as regras do espaço. Ao construir a saída dentro do domínio dele, o sinal fica... confuso."
"Confuso?"
"Ao invés de uma rachadura limpa no espaço, esse canal cria fissuras. O imperador de Peanu vai percebê-las, sim, mas vai acreditar que as fissuras estão se formando dentro do próprio mundo dele.
Como outra anomalia, do tipo que as aberrações deixam para trás. Ele não vai suspeitar de uma invasão de fora, pelo menos não imediatamente."
Avancei um passo, passando a mão sobre as runas que brilhavam suavemente. Elas zumbiam contra minha palma, instáveis, mas precisas. "Isso é inteligente. Mas qual seria a pegadinha?"
O rosto de Dante virou uma linha fina.
"A desvantagem é a dor. Viajar assim significa que o próprio canal é irregular, incompleto. Você sentirá as fissuras rasgando seu corpo. Eu consigo atravessar com segurança por causa das minhas proteções, mas como você vai sozinho..." Ele fez uma pausa. "Vai ter que aguentar sozinho."
Exalá lentamente. "Então, dor em troca de discrição."
"Exatamente."
Ele não exagerou na explicação, mas eu podia perceber, pelo tom de voz, que "dor" não era apenas desconforto. O risco era real.
De qualquer modo, acabei concordando. "Tudo bem. Se isso me permite mover sem alertar um império inteiro, eu dou conta."
Ele voltou a se acomodar na cadeira e suspirou. "Então está decidido. Vou ficar de olho no que você estiver preparando lá em cima, através de nossos espiões. Você quer que eles te encontrem e te passem informações direto?"
Neguei com a cabeça.
"Sem precisar. Isso estragaria a surpresa."
Dante fez um pequeno gesto de concordância.
"Tudo bem, se é assim que você quer. Mas você só terá um ou dois dias antes de precisar nos deixar entrar também."
"Entendido." Concordei com um aceno. "Então, vocês vão passar pelo mesmo canal?"
"Sim."
"Então, vou preparar tudo para a sua chegada."
Olhei novamente para o círculo por um instante. As runas ainda brilhavam fraca, frias, zumbindo com um poder reprimido, como se estivessem esperando meu passo para se completar.
Dante estava a alguns passos de distância, com sua aparência de velho falso, visivelmente desgastada. Seus ombros estavam caídos sob a luz pálida das runas, e percebi quanto ele tinha se consumido ao forçar aquele canal espacial a existir.
"Tem certeza disso?" perguntou suavemente.
"Sim." Endireitei-me, embora meu coração acelerasse de excitação. "Isso é algo que preciso fazer sozinho. O imperador já sabe minha resposta. E você fez mais do que suficiente para me levar até aqui."
Ele exalou pelo nariz, depois riu suavemente. "Teimosia parece coragem do ângulo certo."
Fiz um gesto de ombros.
"Escuta, Bilion. O canal não é estável. Você vai sentir que está sendo rasgado, esticado, puxado em direções que nenhum corpo deveria suportar. Se não resistir, vai acabar como uma mancha entre dimensões. E, assim que chegar, não demore. Vá embora imediatamente, porque as flutuações podem atrair alguém para investigar."
Concordei firmemente. "Entendido."
"Então, até mais. Se você conseguir sobreviver, a gente se vê em Peanu. Se não..." Ele deixou a frase no ar, mas seu olhar dizia tudo.
Sorri discretamente. "Você sabe que será a primeira opção. Não tente parecer um velho sentimental."
Sem mais palavras, subi no círculo. As runas acenderam sob meus sapatos, relâmpagos violetas e prateados se espalharam pelo ar, torcendo-se no espaço. A caverna roncou. Meu estômago deu uma reviravolta enquanto o espaço abaixo de mim encolhia, se partia e se dobrava para dentro.
O mundo se desfez.