
Capítulo 424
Meu Talento Se Chama Gerador
Quando Lyrate juntou as mãos, o chão sob os pés de Ragnar estremeceu como se tivesse vida própria. Com um estalo agudo, duas raízes negras enormes surgiram do solo.
Elas se deslizaram rapidamente ao redor de suas pernas, depois se enrolaram mais alto, apertando firmemente seu torso. Antes que Ragnar pudesse reagir, as raízes também prenderam seus braços, forçando-os contra o peito como correntes feitas de madeira viva.
Ragnar soltou um grito ensurdecedor que balançou a montanha, seus pulmões inflando enquanto seus músculos inchavam contra as amarras negras. O chão tremeu com sua luta, mas as raízes apenas apertaram mais, pulsando como se estivessem vivas.
Lyrate não lhe deu momento para respirar. Seu corpo se deslocou num piscar de olhos. Num instante, ela estava na frente dele, no próximo, já estava bem atrás de Ragnar. Sua espada brilhava preta, e com um movimento limpo e preciso, ela cortou as costas largas dele.
O corte foi profundo. Uma ferida ampla se abriu, uma névoa escura começando a sair enquanto Ragnar rosnava de dor. Seus olhos vermelhos brilhantes se estreitaram, dentes rangendo, furiosa energia ardendo através deles.
Mas Ragnar ainda não tinha acabado. Energia fervilhava violentamente ao redor do corpo dele, pesada e densa como uma tempestade prestes a se desabar. Com um grito gutural, uma onda de repulsa esmagadora explodiu dele.
BOOM!
A onda de choque destruiu as raízes, fragmentando-as em pedaços dispersos pelo chão. A mesma força atingiu Lyrate, fazendo-a voar para trás pelo ar.
Ragnar dobrou os joelhos, músculos se tensionando como molas. Então, com um estrondo ensurdecedor, ele se lançou ao ar, voando direto em direção a ela. Seu punho direito fechou-se com tanta força que tremia, a Essência se condensando no golpe.
Enquanto avançava, o próprio ar se comprimia. Um estrondo sônico ensurdecedor partiu o céu, enquanto um cone de força rasgava o ar a caminho de Lyrate como uma lança invisível.
Mas Lyrate estava preparada. Seu corpo começou a se desfocar, sua forma se fragmentando em uma névoa que se espalhava. Ela tentava escapar do ataque, mas a explosão atingiu seu ombro no meio do dispersar.
Seu corpo balançou, a névoa tremendo como se fosse carne, e ela congelou por um instante.
Aquele instante foi tudo o que Ragnar precisou.
Ele fechou a distância num piscar de olhos, se sobressaindo enquanto seu grande bastão de osso silvava em direção à cabeça dela com força letal.
Os olhos de Lyrate brilharam. Ela suspirou de leve, a névoa ao seu redor girando violentamente. Sua espada de repente deformou-se, alongando-se, engrossando, até se transformar numa espada de duas mãos quase tão longa quanto seu corpo. Ela a ergueu com as duas mãos e fez um movimento ascendente para enfrentar o golpe esmagador.
O bastão de osso e a espada se chocaram.
BOOM!
A explosão de força rasgou o ar. A própria montanha pareceu gemer enquanto uma onda de choque atravessava os picos, fazendo pedaços de rocha despencarem pelas falésias. O confronto lançou ambos para trás, seus corpos como projéteis rasgando o ar.
Mesmo voando para trás, Lyrate não perdeu um segundo. Ela estendeu uma mão em direção a Ragnar.
A terra respondeu ao seu chamado.
O solo abaixo deles se abriu com um rugido violento, enquanto espinhos negros e jagged, quase três metros de comprimento, surgiam como dentes de uma besta gigante. Então, com um estalo agudo, os espinhos se soltaram e voaram para cima, dezenas de primeiros, depois centenas, todos disparando como mísseis na direção de Ragnar.
O rosto de Ragnar se torceu em um rosnado. Seus olhos brilhantes se estreitaram, e ele os fechou por um instante. Seu pelo ondulava como ondas, fios levantando-se como se estivessem presos em uma tempestade. Uma esfera translúcida começou a girar ao redor de seu corpo, reluzindo com ondulações resplandecentes de poder.
O primeiro espinho atingiu a barreira. Não perfurou. Em vez disso, no momento em que tocou, foi lançado com força violenta para trás, girando na direção oposta.
Depois veio outro. E outro.
Dez. Vinte. Cem.
Cada espinho que conseguia alcançá-lo era lançado para longe com uma força esmagadora, quebrando-se em fragmentos enquanto era arremessado de volta.
A barreira parecia ficar mais forte a cada impacto, a esfera giratória vibrando com energia enquanto absorvia a pressão e a transformava para fora. O chão da montanha se rachava e estilhaçava com a força, lajes de pedra se desintegrando como se fossem atingidas por martelos.
Quando os últimos espinhos se desfizeram, o campo de batalha tinha virado um amontoado de pedra quebrada e destroços dispersos.
Ragnar e Lyrate finalmente pararam, pairando no ar, a uma certa distância um do outro. Seus olhos estavam fixos. Ambos brilhavam em vermelho, mais intensamente do que antes, quase queimando.
A névoa ao redor deles pulsava para fora, e suas auras eram como tempestades furiosas, colidindo e rasgando o ar ao redor.
Eu avancei. Em um piscar de olhos, apareci entre eles, separando aquele confronto de forças com minha presença.
"Certo," eu disse com firmeza. "Podem parar. Já vi o bastante."
Ragnar soltou um rosnado baixo, o peito subindo e descendo como se ainda não estivesse pronto para parar.
Lyrate inclinou levemente a cabeça, com uma expressão calma, porém afiada. "Eu mal tinha começado," ela comentou.
Dei um encolhido de ombros. "Talvez. Mas acabou agora. Temos trabalho a fazer, e nenhum de vocês será útil se continuarem se destruindo. Vão descansar."
Antes que qualquer deles pudesse responder, liberei minha vontade. A névoa carmim ao redor deles se agitou violentamente, envolvendo seus corpos como correntes vivas. No próximo instante, eles desapareceram, sendo puxados de volta com força para o núcleo.
Silêncio. Afinal.
Respirei fundo, relaxando os ombros ao finalmente olhar ao redor.
O campo de batalha estava um caos. Pelo menos três picos de montanhas foram destruídos, sobrando apenas rochas fragmentadas espalhadas pelo vale. O chão estava craterado por toda parte, marcado por cicatrizes profundas causadas pelas pontas negras de Lyrate. Pedras quebradas flutuavam na aura residual, poeira ainda suspensa no ar.
"Confusão," murmurei baixinho. "Totalmente uma confusão."
Mas era o que eu queria. Já tinha visto o suficiente do poder deles, de seus limites, de suas instintos. Isso bastava por enquanto.
Me endireitei e olhei para o horizonte. "De qualquer forma," pensei comigo mesmo, "preciso relatar isso… e levar essa aberração embora."
Com esse pensamento, levantei voo, meu corpo cortando o ar enquanto me dirigia para a base da prisão.
Os três soldados ainda estavam lá, visivelmente tensos ao me verem aterrissar. Os olhos deles pulavam de mim para a direção de onde vim, como se sentissem a destruição ainda residual. Falei diretamente com eles sobre o macaco.
Eles trocaram olhares nervosos, ficando de pé de lado. Um deles abriu a boca para reagir, mas o olhar fixo em mim fez sua voz falhar. Ainda assim, o clima de hesitação permanecia no ar.
Suspirei e peguei meu comunicador, entrando em contato com Cassian. Em poucas palavras, expliquei, e a resposta veio clara e firme: permissão concedida.
Fechei a linha e voltei minha atenção aos soldados. "Está resolvido," falei de forma simples.
A tensão deles desapareceu, e eles acenaram rapidamente, abrindo passagem.
Sem perder mais tempo, atravessei o portal. Meu destino estava definido. A capital. A sede. Eu precisava de uma nova zona de aberração.