Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 423

Meu Talento Se Chama Gerador

Estava no topo da montanha, deixando as memórias do macaco híbrido fluírem por mim. Ele sempre fora um lutador, briguento e orgulhoso, que se colocava em perigo várias vezes.

Seu ego o levava a brigas desnecessárias, mas, de alguma forma, a sorte o tinha mantido vivo mais vezes do que eu podia contar, escapando da morte por pouco a cada vez.

Porém, sua sorte finalmente acabou. A alma corrompida tomou conta, transformando-o em uma aberração.

Assisti tudo em silêncio, deixando as lembranças de seu passado se aprofundarem, sentindo tanto sua raiva quanto sua determinação.

Depois de alguns momentos, abri os olhos e concentrei-me na conexão que acabara de criar. "Saia", sussurrei.

Uma névoa carmesim emergiu do meu coração, espalhando-se pelo chão como fumaça de uma fogueira queimada.

Ela se contorcia e girava no ar, engrosando, formando redemoinhos, até começar a assumir uma forma definida.

Lentamente, uma silhueta imensa surgiu da névoa. Pelagem preta que brilhava com um poder obscuro, mas as escamas ao longo do peito, braços e pernas brilhavam em vermelho rubi, refletindo a luz como metal derretido. Seus olhos eram vermelhos, ardentes de inteligência e raiva.

Ele deu um passo à frente, o chão trepando sob seu peso, músculos tensos como molas prontas para disparar.

Seu bastão de osso, gravado com runas tênues, refletia o brilho vermelho de suas escamas.

Senti a energia bruta emanando dele, as leis das forças que ele dominara através de luta e fúria, agora completamente sob meu controle.

Fiz um gesto para Lyrate, que flutuava um pouco acima do chão, sua espada brilhando suavemente sob o sol.

"Nossa, ele parece ainda mais ameaçador assim", ela comentou.

Passei a mão no queixo, deixando o momento se estabelecer. Os olhos vermelhos do macaco brilhavam intensamente, fixando-se brevemente em mim antes de alternar o olhar entre Lyrate e eu.

"Acho que vou te chamar de Ragnar a partir de agora. Bem-vindo ao time", disse, com a voz calma, porém firme.

Ragnar piscou lentamente, quase como se estivesse reconhecendo o nome. Então, deu um passo à frente, músculos ondulando, e soltou um rugido que fez a montanha tremer. O chão vibrou sob nossos pés, e uma nuvem de poeira se levantou ao redor dele.

'Gosto do nome,' ouvi na minha mente, uma voz grossa, gutural, carregando orgulho bruto.

Sorri. "Claro que goste. É um nome forte, e espero que você corresponda a ele."

Ele rosnou em resposta.

'Sou sempre forte.'

Ri, passando a mão no queixo novamente. "Pois é, vamos ver. Por que vocês dois não treinam um pouco?" sugeri, olhando para Lyrate e fazendo um sinal de provocação com um olhar cúmplice.

O peito de Ragnar se inflou ao se estufar, suas mãos enormes se cerrando. Orgulho e desafio brilhavam em seus olhos; ele precisava entender hierarquia e confiança, mesmo que fosse só um pouco.

Verifiquei rapidamente o nível dele.

[Macaco Serpente – Nível 233].

Uma queda do seu antigo 250, mas ainda assim mais do que suficiente para manter Lyrate na ponta dos pés. Ela estava atualmente abaixo de 230.

Seus olhos brilhavam de excitação, e ela assentiu. Seu corpo começou a flutuar, espada em mãos, aura pulsando forte.

Então, o combate começou.

Ragnar foi o primeiro a atacar. Seu bastão de osso descreveu um arco descendente como uma árvore caindo, e eu imediatamente senti a mudança no espaço ao redor. Ele estava usando a lei da atração de forma sutil, puxando o corpo de Lyrate com o movimento, tentando fazê-la se alinhar com o caminho do bastão. O chão sob nossos pés gemeu com a força da explosão.

Lyrate reagiu instantaneamente.

Ela torceu o corpo no ar, as pernas impulsionando-se nas correntes de vento que tinha criado ao seu redor.

Sua espada brilhou, formando um construto defensivo rápido, feito pela lei da criação — uma lâmina efêmera que intercepta a força descendente. Faíscas voaram enquanto o bastão atingia, a força de impacto levantando poeira e detritos ao redor.

Ragnar grunhiu, girando seu corpo para manter o impulso.

A força de atração tentou novamente puxá-la para frente, mas Lyrate contrabalançou, cortando uma linha circular com a espada para se reposicionar um pouco para cima. A colisão de forças criou uma pequena ondulação no ar ao nosso redor.

Percebi que ela começava a estudar ele, a reconhecer seu padrão. Ele não era rápido, mas cada golpe carregava um poder esmagador.

Seu controle de gravidade ajustava sutilmente seu peso no ar, permitindo que golpeasse com mais força ou se recuperasse mais rápido. Ela precisava antecipar não só o movimento do bastão, mas também a puxada invisível.

Ragnar atacou novamente, desta vez pisando forte no chão. Sua aura gravitacional se expandiu, puxando Lyrate fora de equilíbrio. No instante em que ela se inclinou, ele avançou com o bastão querendo esmagá-la.

Ela respondeu num piscar de olhos. Girando no ar, criou uma pequena fileira de construtos de espadas flutuantes sob os pés, que usou para impulsionar-se lateralmente.

A força da investida tentava arrastá-la para frente, mas ela virou bruscamente, cortando o ar com sua espada para desviar parte da força. Ela deu uma cambalhota para trás, escapando por pouco do golpe do bastão.

Os olhos de Ragnar se estreitaram. Suas mãos apertaram ainda mais o bastão, e o campo gravitacional se intensificou, como correntes invisíveis puxando na direção dela.

Lyrate percebeu imediatamente — seu corpo ficou tenso por um momento enquanto ela reagia. Usou a espada para criar uma parede de energia fina, quebrando o efeito da atração o suficiente para deslizar de lado. O chão sob ela se partir onde as forças residuals colidiram.

Ele rugiu e avançou com um golpe horizontal, tentando derrubá-la com um só movimento. Lyrate girou graciosamente, deixando o golpe passar por baixo dela, e então atacou com a espada, cortando seu braço esquerdo. Faíscas e energia bruta saíram no impacto, mas Ragnar mal vacilou.

As runas gravadas em seu corpo brilhavam levemente, reforçando seu controle sobre as forças ao redor dele.

Vi seu orgulho crescer. Cada movimento era deliberado, testando Lyrate, tentando avaliar suas reações. A atração gravitacional, a repulsão e a força de puxar mudavam sutilmente com cada movimento — às vezes impulsionando-a em direção a ele, outras arrastando-a de lado. Não era algo caótico; era controlado, uma extensão de sua vontade.

"Não enche o saco, besta. Você não é o único aqui que domina leis avançadas", disse Lyrate, juntando as mãos.

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