
Capítulo 422
Meu Talento Se Chama Gerador
— Não sou apenas uma fera bruta — eu disse, tentando soar calmo.
— Você é — retrucou Lyrate, com os olhos estreitos. — Consigo sentir suas emoções quando luta. Você só quer socar ou destruir coisas com seu bastão.
Eu dei de ombros. — Mais ou menos, admiti, formando um sorriso de canto.
— Então... o que acha? — perguntei, voltando-me para ela. — Estou na dúvida entre o macaco e a raposa de nove caudas.
Lyrate piscou surpresa, claramente surpresa. — Por que tanta dúvida? Vá pelo Macaco, claro. A vantagem da Kitsune é a Lei da Criação, que já tenho. Posso montar um exército para você, se quiser.
Ela se inclinou mais perto, com a voz calma, mas determinada. — Além disso, o Macaco é um híbrido. Quem sabe que outras habilidades ele pode despertar de sua linhagem serpentina? E eu gosto do fato de que já compreende forças diferentes como suas leis.
Eu fiz um som inconclusivo, deixando suas palavras penetrarem. — Sabe... você está fazendo sentido. Também estou considerando o Macaco. Ele será o ataque forte do nosso grupo.
Prendi os dedos das mãos, sentindo a expectativa crescer no peito. — Certo. Está decidido. Então, o Sr. Macaco Serpente é o escolhido.
Sem hesitar, dei um passo à frente e apareci bem na frente do macaco sentado.
No instante em que cheguei, ele lançou um rugido ensurdecedor, ecoando pelo pico da montanha cortada. Suas mãos enormes agarraram um porrete de osso, e as runas gravadas em seu corpo brilharam intensamente, de cor laranja vibrante, prendendo a besta no lugar. O chão tremeu sob seu poder, e até o ar pareceu vibrar com a força de sua presença.
Levantei as mãos levemente, deixando minha Essência fluir para fora numa onda calma e controlada. — Está tudo bem, grandalhão — falei suavemente, com voz firme. — Vou te libertar dessas correntes.
O peito do macaco arfou enquanto ele rosnava baixinho, testando-me, com os olhos brilhando com uma inteligência brutal e uma fúria barely contida. Calor emanava de seus músculos, escamas serpentes reluziam sob a luz. Sentia a tensão em seu corpo, cada tendão preparado para reagir se eu fizesse o movimento errado.
— Parece que você tem uns problemas de raiva, grandão. Hora de se acalmar — falei, levantando a mão.
— Você não é o único que pode usar força — adicionei.
Ativei a Lei da Atração, e o macaco parou de repente. Seus olhos se arregalaram de choque, incapazes de compreender o que estava acontecendo. Antes que pudesse reagir, movi a mão para baixo, fazendo seu corpo enorme cair no chão com força, e o segurei ali, pressionando cada centímetro contra a pedra.
O impacto enviou vibrações pelo solo, e a besta se debateu brevemente, mas meu controle manteve-a firme.
Depois que foi completamente dominada, empurrei minha Essência final no coração nulo.
— Acúmulo do Coração Nulo: 1000 / 1000 Essência
Uma nova corrente de alma se formou instantaneamente. Ajoelhei ao lado do macaco gemendo, seu corpo enorme tremendo enquanto tentava se levantar, mas não conseguia.
Pressionei a palma da mão contra sua cabeça. — Submeta-se — sussurrei.
Minha Essência seguiu meu desejo. Era uma ordem. De dentro de mim, o Coração Nulo se agitou, girando e brilhando com mais brilho, com propósito. Ele zumbia através do meu peito, pelos meus braços, e em cada fibra de mim.
Então, tudo parou. O ar. Meu coração. Até o próprio pensamento congelou. Parece que o mundo todo havia parado no tempo.
Escuridão me engoliu em seguida. O mundo real desapareceu como uma memória distante. Estava numa pedreira rachada, flutuando em um vazio negro sem fim. Não havia estrelas, nem luz, apenas um frio silenciar.
À frente, uma porta enorme apareceu. Coberta de poeira, com runas brilhando levemente.
Uma corrente explodiu do meu peito, brilhando forte e densa. Ela se lançou adiante sem hesitar, atingindo a porta com força. A porta estremeceu. Poeira caiu. As runas ficaram mais brilhantes. Uma pequena fenda se abriu, e de lá saiu uma esfera vermelha, a alma do Macaco Serpente, presa e contida. Seu corpo estava enrolado, seguro e silencioso, seu poder trancado por dentro.
A corrente conectou-se à esfera, então arrastou-a direto para mim. Ela passou pelo meu peito e se fundiu com o Coração Nulo. Um novo núcleo se formou ao lado do branco — vermelho, menor, mas denso.
Dentro, a alma do macaco flutuava, silenciosa e contida. A conexão entre nós brilhava claramente.
Uma onda de energia percorreu-me. O vazio rachou, e eu assenti, de volta à montanha, com a mão ainda tocando o crânio do macaco.
O corpo do macaco começou a se desfazer. Seu porrete de osso quebrou, as escamas no peito e nos braços se desprenderam, e a pelagem preta se desfez em cinzas.
Então, o macaco brilhou como uma chama. Energia saiu de seu corpo, disparando em minha direção. Acertou minha testa. E o macaco desapareceu.
Assim que a corrente da alma se conectou, uma recordação invadiu minha mente. Senti como se fosse meu próprio corpo, vivendo pelos olhos do macaco.
Estava correndo. Pedras voavam sob meus pés. Criaturas monstruosas me perseguiam, dentes estalando, garras raspando o chão. Meu peito arfava, cada músculo gritava, mas eu não podia parar.
Logo atrás, os rosnados e rugidos dos perseguidores ecoavam como trovões.
E então, o chão cedeu. Cai.
O ar passou rápido por mim enquanto a fenda me engolia inteira. A princípio, tentei me contorcer e lutar, mas a gravidade daquele abismo era diferente de tudo que já tinha sentido.
Ela me pressionava como um peso vivo, empurrando-me contra as rochas afiado abaixo. Cada movimento era uma agonia, cada esforço parecia inútil.
Bati com força no chão. A dor explodiu pelo corpo, mas gritei mesmo assim, um barulho carregado de furor e medo.
Minha raiva queimava mais forte que a dor, mais cortante que o medo. Tentei me levantar, tentar resistir à atração, mas a gravidade me puxava de novo e de novo.
Meu corpo tremia de exaustão, mas me recusei a ficar no chão.
Dia após dia, arranquei, pulei contra a força esmagadora. Polegada por polegada, aprendi seu ritmo, senti as mudanças sutis na pressão, a forma como cada força puxava ou resistia.
Meus músculos rasgavam e cicatrizavam, minha mente se aguçava, e pouco a pouco, comecei a subir. Cai muitas vezes, machucado e cansado, mas cada fracasso alimentava minha raiva e determinação.
Por fim, agarrei a borda da fenda. Com um último impulso furioso, ergui meu corpo para fora. Deitei ali, com o peito ardendo, os punhos enterrados na pedra, olhando para o céu.