Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 425

Meu Talento Se Chama Gerador

[Ponto de vista de Dante]

Estava na sala do trono da capital real de Vaythos, envolto na minha máscara habitual.

Minha mão enrugada chamou minha atenção, e eu soltei um pequeno suspiro, balançando a cabeça. Nunca gostei de me esconder atrás de pele falsa e rostos disfarçados. Mas gostar não importava. Era questão de sobrevivência. Sem isso, teria sido capturado há muito tempo.

Eu era um fugitivo, perseguido por inimigos mais numerosos do que podia contar. Alguns deles ainda me procuravam, tinha certeza. Se algum dia vissem meu verdadeiro eu, não duraria um dia. Disfarce era meu escudo, minha máscara, minha única maneira de agir livremente neste mundo.

O chão de mármore sob meus pés brilhava, refletindo os pendões e colunas do salão. Ficava aos pés das escadas do trono, com os olhos levantados para encontrar o homem que governava esse império.

O imperador sentava-se ereto e imponente no trono, sua coroa repousando confortavelmente em sua cabeça. Ao seu lado, como uma sombra forjada em aço, estava Damian, seu guarda-costas e irmão na luta.

Já faz quase cinquenta anos desde o dia em que fui puxado para este mundo. Cinquenta anos longos de batalhas, fugas, esconderijos e de me arrastar por lugares onde não pertencia.

E, mesmo assim, de alguma forma, esses dois tornaram-se meus bons amigos. Estranho, não é? Um fugitivo sem lugar nesta terra, mas que encontra confiança em um imperador e seu guardião.

Eles conheciam parte da minha história, fragmentos de verdades que permiti que vissem. Mas nunca o quadro completo.

Aquietaram-se até que Lucien finalmente falou.

"Ele está atrasado."

As palavras do imperador carregavam aquele tom familiar de irritação.

Damian, de pé como uma coluna de pedra ao seu lado, respondeu sem hesitar. "Sim. Diferente de alguns, ele tem uma missão de verdade."

Observei as sobrancelhas de Lucien se levantarem, um sorriso ligeiro surgindo nos cantos da boca dele. "E o que exatamente você quer dizer com isso, Damian?"

Damian não pisqueou. Seu tom era plano. "Quer dizer que alguns homens trabalham duro para ganhar seu dinheiro. Trabalho honesto. Trabalho que exige tempo e esforço. Trabalho que pode fazê-los atrasar para encontros informais, não agendados, completamente desnecessários como este."

Quase soltei uma risada na hora.

Ouvir Damian zombando de Lucien dessa forma nunca deixava de me divertir. Os dois estavam nisso há décadas, presos nesse estranho jogo de insultos e lealdade. Eram mais que irmãos, embora nenhum deles admita isso em voz alta.

Lucien recostou-se no trono, batendo um dedo no apoio do braço, a coroa dourada inclinando-se levemente enquanto observava seu guarda-costas. "Cuidado, Damian. Fala como se seu imperador não tivesse nada melhor a fazer do que esperar sentado."

Damian nem virou a cabeça. "Só falo a verdade, Majestade. O império funcionaria melhor se seu governante soubesse o que é trabalhar de verdade."

Foi isso. Não consegui segurar uma pequena risada que escapou pelos lábios. Fingi uma tosse, mas ambos viraram o rosto na minha direção. Por um momento, vi dois pares de olhos, um divertido, outro irritado, fixos em mim.

Lucien arqueou a sobrancelha. "Algo que te fez rir, velho amigo?"

Balancei a cabeça rapidamente, forçando expressão neutra. "Nada. Por favor, continuem."

O sorriso de Lucien se alargou, e ele voltou sua atenção para Damian. "Diga-me, Damian, acha que poderia sentar nesta cadeira e fazer o que eu faço?"

Damian não hesitou. "Posso sentar. Posso usar uma coroa. Posso até olhar para as pessoas com aquela expressão de superioridade que você faz. Mas governar? Não. Provavelmente ficaria entediado assim como estou agora. Ainda assim, seria uma melhora."

Lucien sorriu baixinho, de forma suave. "Então, na sua cabeça, o trono é apenas uma cadeira e uma coroa?"

"Na minha opinião," disse Damian de forma seca, "é um lugar onde um homem com tempo de sobra se convence de que é importante."

Desta vez, não consegui evitar.

Uma risada escancarada saiu de mim, ecoando forte pelo salão vazio. Bati a mão na boca, mas já era tarde. Lucien me olhou com claramente reprovação, enquanto Damian permitiu-se um pequeno sorriso satisfeito.

Antes que a conversa deles pudesse continuar, as portas da sala do trono se abriram e Cassian entrou.

Meus olhos se fixaram no velho, o general do exército do império, enquanto ele caminhava com passos calmos e firmes em direção ao trono. Cassian era um homem com potencial assustador, alguém que poderia ter sido uma verdadeira lenda em um mundo maior. Mas aqui, neste cantinho de existência, todo esse talento parecia desperdiçado. O pensamento me fez suspirar silenciosamente.

O contato de seu olhar comigo durou um instante. Ele me fez uma pequena reverência antes de se curvar ao imperador.

Lucien endireitou-se na cadeira, inclinando-se para frente no trono, com olhos brilhando de expectativa.

Ele não perdeu tempo e falou com ansiedade.

"Então, como foi?"

Cassian tossiu, visivelmente surpreso com a impaciência de Lucien.

"Foi… chocante e assustador ao mesmo tempo."

Enquanto falava, seus olhos voltaram a me mirar, afiados e avaliadores, antes de continuar.

"Acredito que ele já poderia me dar uma luta à altura, pelo que testemunhei. Mas, honestamente…" Cassian fez uma pausa, balançando ligeiramente a cabeça, "acho que ele nem usou metade do seu poder. Se tivesse usado, temo que já pudesse me derrotar."

O sorriso de Lucien se abriu mais, cheio de entusiasmo.

"Ah, é? E o que mais?"

Cassian respirou fundo, com um tom de voz que misturava admiração e inquietação.

"Seus convocados são extraordinários. Cada um deles atingiu o rank de grande mestre. E, o mais importante, ele conseguiu mais um há apenas meia hora — um híbrido de macaco-serpente."

Lucien inclinou-se ainda mais para frente, com curiosidade quase infantil.

"E?"

Cassian hesitou um pouco, então entregou a última notícia.

"Ele já avançou para outra zona de aberração, uma que fica bem no interior das ruínas do continente perdido. Sozinho… bem, com seus convocados. Se minha impressão estiver certa, em menos de uma semana, talvez só o senhor, Majestade, continue forte o suficiente para enfrentá-lo… se ele decidir virar a casaca e lutar contra nós."

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