Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 426

Meu Talento Se Chama Gerador

Lucien olhou para mim por um momento, depois sorriu sutilmente antes de falar.

"O que o garoto ganharia em se voltar contra nós? Se ele quisesse esse trono, eu poderia entregá-lo a ele pessoalmente. Mas será que ele parece interessado nisso?"

Cassian inclinou a cabeça em concordância. "Não, Majestade. Parece não ser o caso."

Lucien recostou-se no trono, seu sorriso se aprofundando. "Então, parece que nossas apostas foram bem feitas. E tudo graças a você, Dante." Seus olhos afiados se desviaram para mim.

Eu apenas assenti em resposta.

Foi então que a voz de Damian cortou, firme e curiosa. "Como você descobriu?"

Suas palavras atingiram mais fundo do que eu esperava. Olhei para o chão, minha mente se encheu de memórias que tinha enterrado há anos—a vida que já vivi, o conhecimento que carregava. Um suspiro escapou antes que eu finalmente respondesse.

"Não é difícil de perceber... não se você realmente souber o que procurar," disse em tom baixo. Minha voz ecoou um pouco na vasta sala do trono. "Encontrei o garoto na zona elemental. Fui lá após ouvir rumores de que Arkas em pessoa tinha se interessado por outra criança. A curiosidade me guiou, mas o que encontrei foi muito mais do que esperava."

Levantando lentamente a cabeça, meus olhos se fixaram por um momento em Damian antes de se voltarem de novo para Lucien e Cassian.

"Foi aí que eu vi Billion," continuei. "Percebi seus movimentos, seu foco, e, mais importante, seu potencial. Vocês precisam entender, de onde eu venho... há um conhecimento muito maior sobre dons despertos do que nesse império. Lá, o que vocês chamam de talentos não são apenas talentos. São bênçãos. Bênçãos concedidas ou talvez escolhidas pelo próprio Sistema."

Assim que pronunciei essas palavras, a sala mudou. Cassian franziu a testa, Damian se inclinou para frente, e até mesmo o jeito calmo de Lucien se tornou mais agudo, mais atento.

"Essa é uma das formas como o Sistema interfere no nosso mundo," expliquei lentamente. "Aqueles com talentos, por mais fracos que sejam, são pessoas marcadas pelo Sistema. Ele viu seu potencial antes mesmo de eles despertarem. Favoreceu-os… ou talvez acreditou neles. E, assim, quando despertam, levam essa marca adiante."

Vi os três processando essa verdade, e por um momento, silêncio preencheu a sala do trono.

Eu insisti. "Talentos são divididos em cinco categorias. Cada uma tem sua cor e sua frequência. Violeta é a mais fraca, depois índigo, depois azul, depois verde. E, por fim, a mais poderosa, amarela."

Parei para garantir que eles estavam acompanhando e, então, falei com firmeza: "Quando vi Billion naquela época, ele não conseguia controlar a aura do seu talento. Ela vazava livremente dele. E o que eu vi... foi amarelo."

Lucien se inclinou para frente, sua voz carregando uma ponta de entusiasmo. "Então, o garoto tem um talento da categoria mais forte."

Assenti uma vez. "Sim. E, se ele realmente crescer, se alcançar os ranks superiores, ele não será apenas poderoso. Pode se tornar algo mais. Uma ponte. Uma conexão entre o Sistema e esse universo, assim como os antecessores que carregaram amarelo."

Respirei lentamente, me estabilizando antes de seguir. "Mas algo mudou no caminho."

Os olhos de Lucien se estreitaram. "O que você quer dizer?"

"Quando encontrei Billion novamente," continuei, minha voz agora mais baixa, "a aura não era mais amarelo. A luz que o cercava, havia se transformado. Agora, seu talento brilha em preto."

As palavras ficaram pesadas no ar.

Os olhos de Cassian se arregalaram, sua voz urgente. "Preto? O que significa preto?"

Balancei lentamente a cabeça. "Não sei. Nunca ouvi falar. Nunca li a respeito. Nem em registros antigos, nem em ensinamentos antigos. Para mim, é totalmente desconhecido."

O olhar de Lucien se intensificou sobre mim, sua tonalidade carregada de cálculos não ditos. "Apesar de ser bom ou ruim?"

Mais uma vez, tudo o que pude fazer foi sacudir a cabeça. "Não tenho certeza," admiti. "Pode significar algo maior que o amarelo... ou algo pior. Talvez ambos."

Depois disso, um silêncio caiu sobre nós. Vi a mente de Lucien a trabalhar, os ombros de Cassian tensos, e os olhos de Damian fixos em mim, como se tentasse extrair mais segredos.

Por dentro, porém, sentia o mesmo de quando o tinha visto pela primeira vez: inquietação. Porque, pela primeira vez em muito tempo, encarava algo que não entendia.

E neste universo, o desconhecido era muitas vezes o mais perigoso de tudo.

Deixei o silêncio imperar por um momento, com os olhos deles fixos em mim, esperando por mais. Finalmente, falei novamente.

"Mas não precisa se preocupar," disse lentamente, deixando as palavras se assentarem. "Uma coisa é certa: o talento dele é poderoso. Muito, muito poderoso. Já vi sua força de perto. Se quisermos realmente levá-lo ao limite, precisaríamos de alguém acima do nível 280, talvez até 290, e não qualquer lutador comum, mas alguém com mais de três leis. Isso se ele lutar sozinho, sem usar as invocações que mantém escondidas. Com elas, o desafio fica ainda mais imprevisível."

Lucien se inclinou para frente, com expressão pensativa. "Entre os jovens que você já viu na sua vida, daquele mundo de onde veio, como esse Billion se compara?"

Parei, pensando cuidadosamente. Rostos de um passado distante vieram à minha mente, flashes de batalhas e rivalidades que moldaram a juventude daquele mundo.

"Ele estaria entre os melhores," admiti por fim. "Mas... ainda pode haver alguns capazes de superá-lo. Não por falta de talento, mas porque vêm de raças especiais, nascidas com dons que quebram as próprias regras."

Alguns deles eram criados em famílias onde conhecimento e recursos fluíam sem parar. Contra esse tipo de vantagem, até um prodígio como Billion teria uma subida difícil."

Recordei de um jovem em particular. Uma arrepios percorreu meu corpo ao surgir a lembrança. "Havia um garoto," falei em tom baixo, "cujo talento permitia que ele recuperasse trinta por cento da força do inimigo—estados, compreensão, até algo relacionado às leis."

"O que quer que seu oponente tivesse, uma parte se tornava dele. Ele crescia rápido. Muito rápido. Antes que percebesse, já ultrapassava qualquer outro. Mas um dia, souberam que ele tinha sido capturado. Depois disso… nada. Sumiu. Como se nunca tivesse existido."

Levantei o olhar, encontrando o contato visual de Lucien.

"Se ele continuar crescendo nesse ritmo, será uma ameaça ambulante para o universo. E, quando isso acontecer, as pessoas virão atrás dele. Mas, ao contrário do outro, ele não será encarcerado. Ele permanecerá livre."

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