Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 427

Meu Talento Se Chama Gerador

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[Ponto de vista de Steve]

O campo de treinamento estava silencioso, salvo pelo leve zumbido da Essência pulsando pelo local. Eu ficava de frente para Hazel, a irmã do Imperador, cuja lâmina já estava desembainhada e descansava de forma relaxada na mão.

A forma como ela segurava a arma era descontraída, quase displicente, mas eu sabia que não era à toa. Ela era uma Grande-Mestre e estava realmente, realmente furiosa.

'Juro, minha vida é cheia de lunáticos,' pensei, lembrando de outro louco que conhecia, o Billion.

Meus dedos apertaram o cabo da minha espada. Faíscas dançaram levemente na lâmina, relâmpagos crepitando em expectativa. Dias de treino incessante tinham afiado meus instintos, mas aquilo era diferente. Era Hazel. Uma Grande-Mestre. Alguém que já trilhara o caminho que eu lutava para percorrer.

Sua voz quebrou o silêncio. "Você está muito tenso, Steve. Quer velocidade, mas está se travando por hesitar. Confie em seus instintos. Confie na sua lâmina. A Ruptura do Abismo não tolera dúvidas."

Respirei fundo e assenti. Ela foi a primeira a se mover.

Sua espada cortou o ar num movimento simples, mas nada ali era simples. Foi tão rápido que quase não consegui acompanhar, e até o momento em que levantei minha lâmina, a ponta dela já estava a um sussurro de minha garganta.

Rang!

Relâmpagos explodiram em meus braços enquanto eu impulsionava a Essência em [Fulgor Explosivo], o mundo desacelerando levemente o suficiente para que eu pudesse redirecionar o ataque dela. Minha espada ficou turva, mas Hazel esboçou um sorriso sutil e torceu o pulso. A força de sua contraofensiva me fez escorregar alguns passos para trás, com o chão rasgando sob minhas botas.

"Melhor," ela disse calmamente. "Mas ainda não está afiada o suficiente. De novo."

Eu avancei desta vez. Meu corpo quase se dissolveu em luz, guiado por [Investida Cega].

Minha lâmina balançou em direção ao meio do corpo dela, o ar vibrando pela velocidade, mas Hazel se inclinou de lado com uma graça que zombava do meu esforço. Sua espada disparou, mais rápido que o pensamento, mirando meu ombro.

Não hesitei, soltei. O instinto rugiu dentro de mim. Minha lâmina se moveu para cima, e por um instante, havia dois de mim. O rastro de tênue de minha investida se refletia atrás do verdadeiro. [Eco das Sombras].

O som de aço soou duas vezes em rápida sucessão. O golpe dela encontrou o meu, e o eco se chocou logo depois, obrigando-a a recuar um passo. Apenas um passo, mas suficiente para acender uma chama no meu peito.

Seus olhos se aguçaram. "Bom. Você está começando a sentir. A sombra da intenção, o eco da sua vontade. Agora, amarre isso ao abismo."

Eu prendi a mandíbula, forçando relâmpagos a correrem pelas minhas veias. Minha aura cresceu, escura e crepitante, e eu sussurrei as palavras que ainda soavam estranhas na minha boca.

"[Ruptura do Abismo]."

O mundo se estreitou em uma única linha. O momento ficou cristalino — a postura dela, a respiração, o ângulo do pulso. Eu avancei.

Minha espada se transformou em relâmpago negro, uma estocada destinada a acabar com tudo que estivesse em seu caminho. O ar se abriu, uma fenda de sombra seguindo na sua esteira.

Hazel não vacilou. Levantou sua lâmina com precisão quase preguiçosa, como se estivesse apartando um galho errante. Seu arco prateado cortou direto pelo meu ataque, desintegrando a sombra e o relâmpago com um movimento sem esforço. Meu ataque se desfez como fumaça, sumindo antes mesmo de alcançá-la.

Seus olhos encontraram os meus, calmos, quase entediados, como se dissesse: Isso é tudo?

Mas então ela sorriu.

Sua espada se moveu novamente, impossivelmente rápida. Cortou direto pelo eco do meu golpe, dispersando-o como névoa. No mesmo movimento, a parte de trás de sua lâmina pressionou contra meu peito antes que eu pudesse reagir.

Fiquei paralisado.

"Você hesitou de novo," ela disse suavemente, com os olhos fixos nos meus. "Você acertou o golpe, mas temia o resultado. O medo embota a lâmina." Ela retirou a espada e deu um passo para trás.

Expirei profundamente, o suor escorrendo pela testa. Meu corpo tremia com o esforço de manter o [Ruptura do Abismo].

A habilidade não era apenas física — ela dilacerava minha concentração, minha vontade. Cada movimento parecia exigir um pedaço de mim.

Hazel inclinou levemente a cabeça. "Você entende a diferença entre nós, Steve?"

Engoli em seco. "…Você não hesita."

"Exatamente. Ruptura não é sobre velocidade. É sobre certeza. Quando você avança, precisa acreditar que o próprio mundo vai se dividir antes que sua lâmina. Não esperança, não desejo, acreditar. Senão, só arranhará a superfície."

Olhei para minha espada. Ainda havia um brilho fraco de relâmpagos na lâmina, misturado com sombras que pulsavam e serpenteavam como fumaça. O poder estava ali, mas meu coração vacilava. Ela tinha razão.

"Quero ser alguém que possa acabar com uma luta com um só golpe," admiti.

"Um espadachim que não desperdiça movimento ou tempo. Apenas certeza. Apenas a lâmina."

Hazel sorriu levemente, quase com orgulho. "Então você já está trilhando o caminho. Mas é um caminho pavimentado com sangue e determinação. Não vacile, Steve. Cada golpe que der a partir de agora deve ser um pelo qual esteja disposto a apostar sua própria vida. Essa é a verdadeira essência da Ruptura."

Ela levantou a espada novamente, os olhos brilhando.

"Agora. De novo."

Apertei ainda mais meu aperto. A energia de relâmpagos voltou a subir, sombras se enrolando ao meu redor. Meu peito ardia, mas meu foco se aguçava. Desta vez, sem hesitar.

'F***-se, ou mata ou morre, Steve.'

Quando me movi, foi com tudo o que tinha, mas os resultados não melhoraram. Percebi que estava realmente acreditando menos.

Hazel não me deixou respirar.

No instante em que meu último golpe vacilou, ela estalou os dedos.

O ar tremeu, e uma fina cruzeta de luz prateada saiu da ponta da sua espada. Uma estocada voadora. Movia-se mais rápido do que qualquer flecha que já tinha visto, numa curva limpa, direta ao meu peito.

Reagi por instinto.

Relâmpagos correram por mim, e eu levantei a arma para encontrá-la com todo peso do meu corpo por trás da lâmina. O aço encontrou a energia e perdeu. A lua crescente cortou meu guarda, rasgando minha camisa e cravando-se nas minhas costelas. Calor e dor se espalharam, e sangue jorrou livremente.

Azurei os dentes, cambaleando para trás.

"Você hesitou," Hazel disse calmamente. Ela nem se moveu, seu cabelo prateado balançando com o vento de seu próprio ataque. "Você pensou em sobreviver, não em acabar com isso. Esse pensamento te custou."

Sua voz não tinha dó. Era cortante como sua espada.

Eu prendi a mandíbula e assenti. "De novo."

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