Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 396

Meu Talento Se Chama Gerador

— Agora? — Perguntei.

— Agora — confirmou Edgar. — Tanto o General quanto Sua Majestade reservaram um tempo na agenda para vocês dois. Eles veem… potencial. Aquele tipo que molda o futuro do Império.

Steve e eu trocamos um olhar rápido. Sem pressão.

Partimos imediatamente, Edgar nos conduzindo pelos corredores em forma de labirinto até as salas de audiências privadas. Os guardas na entrada abriram passagem sem uma palavra, e encontramos o Imperador sentado à uma grande mesa, sem a postura formal de sempre, desta vez relaxado.

— Entrem — disse ele, fazendo um gesto para nos afastar. — Sentem-se.

Fizemos isso.

Ele olhou para Edgar e perguntou: — Achava que Billion iria com o General Cassian?

Edgar assentiu e respondeu: — Era o plano, Sua Majestade. Mas surgiu um imprevisto, e o General estava ocupado.

Os olhos do Imperador se estreitaram por um breve momento, mas ele apenas empurrou um murmúrio silencioso. Então, voltando o olhar para nós, um sorriso sutil apareceu em seus lábios quando ele me olhou.

— Você cresceu de novo — disse.

Lembrei-me de ter impulsionado todas as minhas estatísticas além de 2000 e assenti. — Eu gosto de me superar.

Ele aprovou com um gesto de cabeça. — Isso é ótimo. Vi e ouvi o relato completo da batalha. Vocês dois tiveram desempenho acima do esperado. Mas você, Billion… — seus olhos fixaram em mim — — Você se adaptou a lutar contra um Grande-Mestre mais rápido do que a maioria dos veteranos experientes sonharia em fazer, e aprendeu até sua lei?

Acenei com uma pequena cabeça. — É… um truque que tenho. Vi como funcionava e o tornei meu.

Um sorriso leve curvou seus lábios. — Trapaça perigosa, essa. E valiosa.

Steve ficou em silêncio, deixando a atenção do Imperador mudar de nós dois.

Conversamos mais alguns minutos sobre a situação da família Holt antes que a expressão do Imperador escurecesse. — Temos pouco tempo para celebrar nossas vitórias. A guerra está chegando — com os outros dois mundos. Vai ser brutal. Cruel. Muitos dos nossos vão morrer.

Suas palavras fizeram o ar na sala pesar.

— Você está preparado? — ele perguntou.

Sem hesitar, respondi: — Sim. — Steve também concordou.

— Bom. — O Imperador recostou-se, analisando-nos com atenção, como se estivesse pesando uma decisão. Então, olhou para Edgar. — Saiam.

Edgar não questionou. Gesticulou um breve aceno, depois saiu fechando a porta atrás de si.

O Imperador levantou-se e disse: — Venha comigo. Há alguém que você precisa conhecer, e também precisarei da sua ajuda. Considere isto um favor pessoal que estou pedindo. Ficarei muito grato.

Aquelas palavras surpreenderam tanto Steve quanto eu. Trocaram um olhar rápido, a curiosidade brilhando em nossos olhos. Um favor pessoal do próprio Imperador — essa definitivamente não era uma solicitação comum. O que o governante do império poderia querer de nós?

As palavras do Imperador ainda ecoavam na minha mente enquanto seguimos por uma série de corredores sinuosos dentro do palácio. O ar ficava mais frio a cada passo, a luz mais fraca, o silêncio mais denso. Finalmente, chegamos a uma porta metálica enorme — sua superfície escura, quase fosca, mas que transmitia uma força que fazia eu perceber que até eu precisaria de esforço para quebrá-la.

Sem dizer uma palavra, o Imperador abriu a porta e entrou. Steve e eu o acompanhamos.

O cômodo além era organizado, quase excessivamente limpo. Paredes de azul claro, um vaso de flores num canto com botões apenas começando a abrir. Um leve aroma de pétalas frescas preenchia o ambiente, em contraste estranho com a tensão pesada que nos envolvia imediatamente.

Ela estava ao lado da cama.

Postura calma, mas rígida, suas mãos e pés amarrados por correntes pesadas que brilhavam suavemente sob a luz.

Seu cabelo comprido e escuro estava limpo, caindo em ondas suaves pelos ombros. Mas o olhar dela, longe de ser gentil, era intenso. Seus olhos se moviam lentamente, deliberadamente, escaneando cada um de nós, primeiro o Imperador, depois eu, depois Steve, antes de se fixar de novo no Imperador.

A silêncio se alongou por vários segundos. Ninguém se moveu. Ninguém falou.

O Imperador foi o primeiro a quebrar o silêncio.

— Como você está, Hazel? — sua voz soou calma, quase casual. — Trouxe convidados para te conhecer.

Ela bustou. — Desde quando você começou a se importar com como eu estou? E quanto aos seus ‘convidados’… — seus olhos passaram por Steve e eu sem o menor sinal de interesse. — Eu não me importo.

Steve mexeu-se desconfortável ao meu lado. Mantive a expressão neutra, embora a tensão no ar fosse tão cortante que dava até para sentir.

O Imperador permaneceu impassível. Avançou mais um pouco na sala, falando como se ela nem estivesse ali, a rejeição parecia não afetá-lo.

— Hazel… deixe-me te apresentar. Esta é minha irmã.

Steve e eu travamos a respiração, trocando olhares rápidos. Irmã? Nenhum de nós tinha ouvido o Imperador mencionar família antes, quanto mais alguém assim.

Ela virou-se de costas para ele, mas ele continuou.

— Na última guerra — começou —, quando nosso mundo foi invadido pela Abominação e pelo Peanu ao mesmo tempo… perdemos dois continentes. Perdemos mais do que terra, perdemos família.

Sua voz ficou mais suave. — Perdi seu marido. Meu cunhado. E seu filho.

Os ombros de Hazel se tensaram, mas ela não falou nada.

— Naquela época — continuou o Imperador —, você queria que eu liderasse um ataque total ao mundo dos Peanu. Para exterminá-los.

— Ainda quero — disse Hazel, virando-se bruscamente para ele.

Ele encarou seu olhar sem piscar.

— Mas, como Imperador, não podia deixar que sentimentos pessoais influenciassem minhas decisões. Os Holts já estavam cercando, esperando uma oportunidade de atacar por dentro. Os Peanu estavam prontos para retaliação, esperando que caíssemos na armadilha deles. Se eu tivesse declarado guerra naquela época, a família Rayleigh teria sido apagada da história.

Os lábios dela se contorceram de nojo.

— Você foi covarde naquela época, e é covarde agora. Perdemos tantos de nossos—de nossas pessoas… de nossas terras… e você ficou de braços cruzados, não fez nada. Você não tem condições de ser Imperador.

Senti a raiva em suas palavras, mas a expressão do Imperador permaneceu impassível.

— Quando não tomei ação, minha irmã decidiu fazer por conta própria. — Sua visão passou brevemente por mim e Steve. — Ela invadiu o mundo dos Peanu sozinha. E por isso ela está aqui.

A voz de Hazel cortou como uma navalha: — Eu agi porque alguém precisava agir. Acreditei que nosso povo merecia justiça.

— E estou lhe dizendo — continuou o Imperador com calma — que entendo sua dor. Compartilho dela. Mas não sou apenas um irmão que chora por sua família. Sou um Imperador. Sou responsável por todos os nossos povos, não só pelos meus.

As correntes de Hazel tilintaram suavemente ao se aproximar dele. — Seu povo sofre porque você não tem vontade de lutar quando realmente importa.

— Eles sobrevivem — respondeu ele — porque escolho minhas batalhas.

A tensão entre eles ficou tão densa que parecia quase sufocante. Eu fiquei em silêncio, trocando olhares com Steve, que parecia preferir estar em qualquer lugar que não ali. Nenhum de nós ousou interromper. Não era lugar para isso.

Hazel deixou escapar uma risada amarga, mas nela havia dor. — Sobrevivem? É isso que você chama? Viver com medo da próxima guerra? Perder pedaço após pedaço do nosso lar até que nada reste?

— Se esse for o preço para garantir que ainda haja um lar para defendermos — respondeu ele — então sim.

Ela o observou por um longo momento, a raiva fervendo no ar como calor de uma forja. A voz do Imperador quebrou a tensão. — E aqui estou eu, irmã, porque decidi finalmente fazer aquilo que sempre quis que eu fizesse.

Seus olhos se arregalaram levemente, a expressão fria suavizando-se por uma fração de segundo. — Estou ouvindo — ela disse.

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