Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 398

Meu Talento Se Chama Gerador

O Imperador não me disse para onde íamos. Apenas falou: "Ande comigo", apoiando firmemente a mão no meu ombro. Quase imediatamente, um silêncio estranho se estabeleceu ao nosso redor, como uma bolha à prova de som.

Olhei para o chão sob meus pés, agora de concreto liso, não mais as pedras rachadas do pátio do palácio, mas minha sombra vacilava, como se eu não estivesse completamente presente.

Saímos às ruas da capital.

A primeira coisa que me atingiu foi o barulho: carros cujo ronronar suave percorriam as ruas, uma sirene distante, conversas saindo de cafés abertos.

Pessoas passavam, vestidas com roupas casuais, ternos de negócios ou uniformes simples. Soldados com casacos bem passados nos passavam em patrulha, passos firmes, mas sem being ruidosos. Todos pareciam ocupados, mas ninguém realmente nos notava. A presença do Imperador nos encobria como um escudo.

"Às vezes", ele disse baixinho, "é melhor ver sem ser visto."

Andávamos por uma avenida movimentada. Bandeiras em vermelho profundo e dourado penduravam de edifícios e postes de luz, tremulando na brisa suave. Fragmentos de conversas passavam por mim.

"...Holts finalmente recuou de vez…"

"...Ironhart? Ouvi dizer que enfrentou três ao mesmo tempo…"

"...Não, cinco. Meu irmão disse que eram cinco…"

Um calor tranquilo se espalhou no meu peito. O Imperador me olhou, mas não falou nada.

Em um café na calçada, uma mulher mais velha entregou uma xícara de café a uma jovem mãe e sorriu gentilmente. Suas mãos tremiam um pouco, mas sua voz continuava firme enquanto dizia: "Fique quentinha, querida. Este ano será difícil." Ela não sabia se sua loja ainda estaria de pé quando a guerra terminasse.

Passamos por um casal de jovens soldados encostados em um prédio, sussurrando. Um deles sorriu, o outro parecia tenso.

"Se essa guerra começar, estaremos na linha de frente."

"É, mas com nosso Imperador por perto, talvez não dure muito."

Não sabia se devia me sentir orgulhoso ou desconfortável.

O Imperador nos guiou por uma rua mais tranquila. Os sons mudaram, as conversas silenciaram, as vozes ficaram cortadas. Por uma janela aberta, escutei uma voz baixa de um homem. "Estamos elevando os preços agora, todo mundo assustado. O lucro está esperando."

Uma risada rouca respondeu. Meu estômago apertou.

"O medo alimenta os homens errados", disse suavemente o Imperador.

Passamos por um pequeno escritório com as persianas fechadas. Por uma fresta, vi moedas deslizando sobre uma mesa. Os homens conversavam com facilidade, mas suas palavras exalavam ganância—vendendo para os dois lados, prontos para trair quem pagar mais. Riam como se nada pudesse tocá-los.

"Essa é a outra face da cidade", disse o Imperador. "Quando o chão treme, alguns buscam uma arma... outros, uma carteira."

Voltemos a uma rua mais larga. Crianças corriam pelo meio da multidão, perseguindo uma bola enferrujada, suas risadas cortando a tensão no ar. Elas não se importavam com fronteiras ou batalhas, apenas quem marcaria o próximo ponto.

Um garoto tropeçou perto de mim, mas parecia nem notar que eu estava ali. O manto do Imperador ainda nos escondia. Ajoelhei-me e peguei a bola, devolvendo-a a ele. O menino sorriu e saiu correndo, gritando de alegria.

"A inocência é a coisa mais rara numa cidade", disse suavemente o Imperador. "É a primeira a desaparecer quando a guerra chega."

Suas palavras ficaram comigo enquanto entrávamos em uma pequena praça. Um contador de históriasSentava-se nos degraus, tecendo contos de heróis antigos e grandes batalhas. Sua voz prometia glória e vitória, mas eu me perguntava quantos nomes haviam sido apagados nas sombras.

Seguimos em frente e passamos por uma padaria com as janelas abertas. O aroma de pão fresco preenchia o ar. Lá dentro, uma jovem amassava a massa enquanto uma criança pequena sentado no balcão, assobiando suavemente. A vida continuava ali, mesmo com a tempestade que se aproximava.

Depois, passamos por um beco escuro onde três homens estavam próximos, falando baixo. Captei palavras sobre cargas e atrasos "acidentais", moedas trocadas em sussurros. Não foi difícil juntar o plano: impedir o abastecimento das linhas de frente e depois vender as mercadorias a um preço mais alto.

Meus punhos se cerraram. "Está deixando isso acontecer."

"Por enquanto", disse o Imperador, com olhar firme. "Saber quem se esconde nas sombras é o primeiro passo. Assim, você decide quando acender a luz e onde."

Cruzamos uma ponte sobre o rio que cortava a cidade. De um lado, soldados treinando em formação perfeita, com escudos batendo e espadas brilhando. Do outro, pescadores discutiam sobre uma rede rasgada, vozes subindo, mas sem se tornarem ásperas. A cidade pulsava de vida, frágil e feroz.

Quando nos aproximamos dos portões do palácio, o Imperador desacelerou. "Você viu esperança, ganância, medo e inocência. É por isso que luta... e contra o que. Então, diga-me, Ironhart, o que você vê?"

Pensei nas crianças, nos comerciantes, na idosa, nos soldados. Pensei na maneira como as pessoas falavam de guerra, algumas com mandíbula apertada, outras com sorrisos relaxados.

"É confuso", concluí finalmente. "Não há um bem ou mal simples."

Ele assentiu uma vez. "Exatamente. Ganhar significa proteger tudo isso. Perder significa perder tudo, o bom e o ruim. A vitória sozinha não basta. Você decide o que sobrevive."

"Vou ser sincero com você, Ironhart", continuou ele. "Seu objetivo não é apenas ficar aí, guardando essas paredes. Temos homens e mulheres, veteranos como eu, que passaram toda a vida defendendo este chão. Essa é a nossa responsabilidade, não a sua. Você não foi criado para vigiar portões. Você foi feito para quebrá-los."

Ele deu um passo mais perto e, por um momento, senti que o resto do salão desaparecia ao nosso redor.

"Eu não preciso que você seja o escudo mais forte deste mundo. Preciso que seja a lança que vá além de onde nenhuma mão já foi. Você deve ir mais longe do que qualquer um de nós já foi."

Viaje onde nenhum mapa é desenhado, nos céus que ninguém cruzou, em perigos tão vastos que ainda não terão nomes. Quando pisar em um lugar, seu nome deve ser suficiente para fazer os sábios hesitarem e os imprudentes fugir."

"Já vi o bastante de você para saber que seu potencial não é apenas raro, é perigoso nas mãos certas. E você tem as mãos adequadas."

Por isso, confio que você pode fazer isso, que não vou te prender às nossas fronteiras como um sentinela. Você nasceu para gravar seu nome em lugares que esta terra nunca sonhou alcançar."

Sua voz caiu para um tom mais sério e solene.

"A vida é frágil no universo em que vivemos. Você pode ser herói, tirano, santo—tanto faz. O bem ou o mal, o fim será o mesmo se perdermos. Se caímos, tudo acaba. O universo não se importará com nossas intenções, só com nossa força."

O Imperador se endireitou, ainda fitando meu olhar.

"Então, lembre-se disso, Ironhart. Você não vencerá a guerra ficando parado. Vencerá ao entrar em lugares que nunca deveriam ter sido tocados e retornar com a vitória escrita na sua sombra."

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