
Capítulo 384
Meu Talento Se Chama Gerador
Um arco limpo de luz dourada disparou à frente com imensa velocidade. Cortou a segunda de esquerda para direita, Slippery, num piscar de olhos. A ilusão se quebrou imediatamente, revelando o verdadeiro atrás dela, tentando usar seu próprio clone como escudo humano.
Mas ele foi tarde demais.
Edgar já estava logo atrás dele.
"[Corte das Sombras]."
A lâmina dele brilhou de preto e cortou baixo, atravessando ambas as pernas nos joelhos. Slippery caiu gritando, as ilusões se despedaçando como vidro ao seu redor. Ele bateu no chão, com as palmas raspando a areia, boca aberta em um último suspiro enquanto tentava criar um véu de invisibilidade.
Mas já era tarde para o homem.
Lança de Cillian perfurou suas costas.
"[Gelo Glacial]."
A ponta explodiu com energia congelante. Cristal de gelo rachou para fora através do peito de Slippery, espalhando-se por seus membros como raízes prateadas. Seu corpo se enrijeceu violentamente, depois parou de se mover, com a boca aberta num último ar.
Cillian puxou a lança para fora. O corpo se quebrou em fragmentos congelados e se desfez, dissolvendo-se em pó pálido.
O campo de batalha voltou ao silêncio novamente.
Apenas Rocky permaneceu.
O Grande Mestre de cristal ficava sozinho, com o peito arfando, braços grossos brilhando como mármore esculpido. Seu corpo cintilava sob o sol, refletindo fragmentos do campo de batalha, dos corpos, do chão quebrado.
Ele olhou lentamente para os restos congelados de Slippery, depois para a cratera que Speedy havia caído.
"Nunca quis isso," disse ele, com a voz profunda e trêmula. "Só queria me erguer. Romper a barreira. Estar onde ninguém esteve. Toda a minha vida…"
Ele deu um passo à frente. Fissuras se espalharam sob os pés enquanto cerrava os punhos.
"Mas agora já é tarde."
Sem aviso, ele juntou as mãos com força.
"[Tempestade de Diamantes]."
Uma onda de choque irrompeu para fora—brilhante, cegante. Estilhaços de cristal afiados como navalhas explodiram em todas as direções como estilhaços de bomba. Os Grandes Mestres se protegeram rapidamente. O vento se movimentou formando uma barreira. Gelo surgiu para interceptar. Cassian conjurou uma cúpula de luz para bloquear a chuva de destruição.
Então Rocky avançou.
Seu corpo agora estava totalmente coberto por uma camada de cristal puro, grosso como armadura, brilhando com linhas de essência gravadas na superfície. Seus passos eram como trovões, rápidos e brutais.
Ele balançou um braço largo na direção de Cillian.
O usuário de gelo se abaixou, mas Rocky girou, usando o impulso para derrubar um segundo punho em forma de martelo.
O ombro de Cillian levou o impacto. A força o fez voar, escorregando pelos restos do campo rachado.
Cassian se moveu em seguida.
"[Rajada Solar]."
Dois feixes de luz solar condensada dispararam para frente, mirando nas pernas de Rocky. Os feixes atingiram, mas não surtiram efeito. Sua armadura de cristal brilhou e absorveu o calor, pulsando com veias douradas.
"Não desta vez," rosnou Rocky.
Ele pulou em direção a Cassian como uma rocha lançada de canhão.
Mas alguém já estava lá.
Um portal negro se abriu no ar.
E dele, Dante saiu.
Senti antes de ver, a mudança de pressão. Como se o próprio espaço tivesse exalado.
A presença de Dante se espalhou pelo campo de batalha como um cortina caindo sobre o ato final.
Ele se moveu mais rápido que qualquer outro.
"Tudo bem. A morte é o fim de qualquer jeito." A voz grossa dele ecoou enquanto cortava o ar com a mão.
Uma onda de energia cortou o espaço. O espaço entre Rocky e Cassian se dobrou num instante, distorcendo a trajetória da investida.
Rocky cambaleou à frente, preso no meio do movimento, como se a gravidade o traísse.
Edgar reapareceu atrás dele novamente.
Desta vez, o golpe atingiu a parte de trás do joelho de Rocky.
A lâmina deixou uma linha preta, como breu, por onde passou. Um pedaço do joelho de cristal foi arrancado limpo.
Rocky rugiu, cambaleando.
Ele levantou ambos os braços.
"Domo de Cristal: Reflexo!"
Uma esfera cintilante de armadura translucida o cercou, refletindo os feixes de Cassian e o gelo de Cillian para longe de sua superfície. Ela resistiu por cinco segundos.
Quatro.
Três.
Então Dante levantou a mão livre.
Sua voz foi silenciosa, mas ressoou.
"Colapso."
A cúpula se quebrou instantaneamente, como se o mundo obedecesse à sua ordem.
Ventos foram sugados de cima. O Grande Mestre do Vento, que ainda não havia falado, desceu agora com um furacão sob seus pés.
"Forma final," sussurrou. "[Cortador do Céu]."
Ele girou uma vez no ar. O vento se curvou formando uma longa lua crescente que uivou enquanto caía sobre Rocky de cima.
Ela cortou limpo o cristal no ombro de Rocky, expondo a carne por baixo. Sangue jorrou. Rocky rosnou, mas não caiu.
Ele se virou.
E, pela última vez, levantou ambos os punhos.
"VAMOS!" gritou, com dor na voz. "Se vou cair… não quero morrer de forma pequena!"
Ele se lançou à frente na última investida louca.
Mas desta vez, todos se moveram.
Edgar reapareceu à esquerda dele.
O gelo de Cillian cobria o chão sob seus pés.
O Grande Mestre do Vento o prendeu numa espiral descendente.
Cassian permaneceu firme.
E Dante entrou no caminho de Rocky.
Eles atacaram juntos.
"[Supernova Congelada]." – Cillian cravou sua lança no chão, aprisionando as pernas de Rocky em gelo explodente.
"[Espiral de Consumo]." – O vento uivava de ambos os lados, rasgando os braços de Rocky.
"[Julgamento Solar]." – A espada de Cassian se dividiu em cinco raios radiantes, que atingiram o peito de Rocky.
"[Corte das Sombras]." – A lâmina de Edgar rasgou o lado exposto de Rocky.
E finalmente—
Dante entrou, calmo como sempre.
Falou uma palavra.
"Adeus."
Aceiros se abriram no espaço, formando rachaduras.
E a cobertura de cristal no peito de Rocky se quebrou—uma, duas vezes—e então cedeu completamente.
O grande homem caiu de joelhos.
Depois silêncio.
Ele ficou lá, tremendo.
Pedaços de sua armadura caíram. Sangue escorria pelo corpo. Seus olhos fixaram no nada à sua frente. Tossiu uma vez. Então olhou para eles.
"Sabe," ele murmura, "achava que, se chegasse ao Grande Mestre… estaria livre. Que poderia simplesmente… seguir em frente."
Sua voz quebrou.
"Estava perto. Só mais um nível. Mais uma quebra de barreira, e eu teria visto. Teria tocado o poder real. Só queria subir…"
Ninguém se mexeu.
Ele abaixou a cabeça.
Uma pausa.
Então, um último sussurro.
"…mas acho que…."
Ele fechou os olhos.
A última pulsação de luz dentro do cristal do peito dele piscou.
E se apagou.
O campo de batalha caiu no silêncio. Respirei lentamente, abaixando a cabeça enquanto a poeira se assentava.