
Capítulo 343
Meu Talento Se Chama Gerador
Os cinco estávamos dentro do amplo túnel da prisão, o ar ainda pesado de poeira e calor residual. Celas alinhavam os lados do corredor, a maioria delas destruídas ou queimada, as grades de ferro torcidas pela batalha recente. Cinzas flutuavam suavemente pelo espaço, passando de leve pelas pedras rachadas no chão.
O Cavaleiro estava a uma curta distância, sua silhueta negra e elegante imóvel como uma sombra, olhos carmesos brilhando fracamente enquanto observava o túnel como um sentinela silencioso.
Xin, que não parava de massagear as têmporas desde que a luta terminou, finalmente quebrou o silêncio.
"Ok. Sério. Alguém me explica o que diabos está acontecendo? Por que o Império está atacando? Que dia é hoje? Eu morri na prisão e agora isso aqui é uma espécie de vida após a morte estranha, onde tenho que acompanhar um cara que congela noventa monstros só pra fazer um ponto?"
Ming suspirou e cruzou os braços.
"Ignore-o. Ele fica assim depois de batalha. Mas quero saber, por que o Império está aqui, Billion?"
Olhei para Steve, que me deu um pequeno encolher de ombros que parecia dizer sua culpa, sua explicação.
Expirei lentamente.
"Os Holts estavam usando esse reino para realizar experimentos ilegais, transformando prisioneiros em Abominações. Eles estavam trabalhando com os Ferans e planejavam liberar essas criaturas contra o Império. Então agora, estamos erradicando-os, todos, sem exceções."
Xin assobiou.
"Caramba. Você está me dizendo que, todos esses anos que eu fiquei apodrecendo numa cela, os Holts estavam inventando monstros mutantes como se fosse uma receita de sopa amaldiçoada?"
"Mais ou menos," disse Steve, casualmente apoiando a espada no ombro. "E você era a carne."
Xin piscou. "Sabe, eu sempre achei que eu era gostoso."
Ming rolou os olhos. "Então é por isso que o Império está aqui. Extermínio total."
"Exatamente," afirmei. "Ordem é para matar todos os Holts do reino. Sem exceções."
Steve sorriu.
"Dá uma sensação boa, não dá? Anos e anos desses bastardos se achando a família real, e agora podemos retribuir, com juros."
North, que estava ao meu lado, ajeitou um fio de cabelo para trás da orelha.
"E a luta do Dante?" ela perguntou, com a voz calma, mas marcada por preocupação.
Assenti. "Ele está segurando um dos Grandes Mestres dos Holts, Hugh. Tá uma confusão lá fora. Se ele perder—"
"Ele não vai," North cortou, firme.
Xin soltou um assobio baixo.
"Espera aí, Dante. O Dante? A Lenda? Caramba, achei que ele fosse só um mito."
O Cavaleiro rosnou levemente de perto.
Os olhos de Ming se voltaram para ele.
"Ok, isso me lembra. Quem diabos é aquele?" Ele apontou para o Cavaleiro. "Porque aquilo não é uma besta normal. Aquilo fica ali parado como uma estátua sombra com olhos."
Xin foi até ele e franziu os olhos, mexendo a mão na frente do rosto do Cavaleiro.
"E aí? Tá vivo aí dentro? Pisca duas vezes se você come gente."
O Cavaleiro não piscou.
Steve deu uma risadinha.
"Ele come gente."
Eu esclareci com a voz firme.
"Ele é meu. Só um pet pessoal."
Ming levantou uma sobrancelha.
"Um beast pessoal que devora Abominações como sopa e lança raios crimsons da boca?"
"Muito talentoso," respondi simplesmente.
Xin deu um passo atrás e cochichou para Ming: "Quero um."
"Não consegue pagar um," murmurou Ming.
O Cavaleiro rosnou novamente.
"Eu não disse nada!" Xin rapidamente levantou as mãos. "Tenho profundo respeito pelo gato assassino."
North lançou uma rápida olhada para o Cavaleiro e depois voltou ao assunto. "Qual é o nosso plano agora?"
"Limpeza," eu disse. "Avançamos pelo resto deste reino, eliminamos qualquer Holt que ainda esteja vivo e garantimos que ninguém escape. O Império não quer sobreviventes. Se eles escaparem, a verdade sobre este reino pode desaparecer com eles."
"Revenge and justice?" Steve perguntou com um sorriso de canto.
"Revenge é justiça," respondi sem vacilar.
Xin estalou os dedos com um sorriso.
"Mano, tenho uma lista de Holts que preciso arrebentar. Posso riscar os nomes enquanto a gente avança? Assim fica mais profissional."
Olhei para ele com uma expressão séria.
"Até agora, não deixei ninguém vivo."
Xin piscou. "Espere, sério?"
"Sério," acrescentei, rindo. "Quando cheguei, já tinha enfrentado metade da família amaldiçoada sozinho."
Ming ergueu uma sobrancelha.
"Então... o que exatamente estamos eliminando?"
Eu dei de ombros.
"O que sobrar. Restantes, forças de reserva. Talvez alguns Holts ainda estejam escondidos."
North sorriu de lado.
"Na velocidade que isso vai, eles deveriam se render logo."
Conversávamos enquanto corríamos, os passos ecoando no chão de pedra rachada.
A tensão tinha se aliviado um pouco, substituída por uma energia estranha de meio de expectativa, meio de adrenalina. Avançamos pelo túnel e seguimos direto para a câmara do portal.
Ao entrar, o ar mudou.
Lyrate já estava lá, flutuando acima do centro da câmara como uma égua envolta em graça e perigo.
Cabelos vermelhos longos flutuavam atrás dela, brilhando fracamente na névoa carmesma que se enroscava ao redor do seu corpo. Abaixo dela, os círculos do portal permaneciam gravados na superfície.
Xin soltou um assovio baixo.
"Ok. Uau. Isso aqui é um anjo, um fantasma ou estou tendo alucinações de novo?"
"Ela é real," Murmurou Ming, com os olhos ainda arregalados.
Xin sorriu e chamou: "Ei, senhora flutuante misteriosa! Qual é o seu nome, e aceita convite para jantar?"
Sem palavras, Lyrate levantou um dedo.
Uma agulha de Essência carmesma se formou instantaneamente no ar e disparou direto na cabeça de Xin.
"Uau—!" ele gritou.
Eu me movi rápido, pegando a agulha a apenas duas polegadas da testa dele. O impacto fez um zumbido na palma da minha mão.
Sorri cansado.
"Lyrate é uma amiga."
Xin piscou. "Ela tentou me matar!"
"Ela faz isso. Não leve para o lado pessoal," eu disse, jogando a agulha de lado. "Ela gosta de matar. Tente não incentivar."
"Entendido," Xin murmurou, se escondendo atrás de Ming para se proteger. "Perigosa e bonita. Minha maior fraqueza."
Olhei para o Cavaleiro, que permanecia em silêncio perto da parede da câmara, observando Lyrate sem piscar.
"Você fica aqui," eu disse a ele. "Vigia o portal."
Ele rosnou baixinho, sombras se formando suavemente ao redor das patas.
Com isso, o resto de nós seguiu adiante, subindo em direção à sala de controle, o lugar onde o Grande Mestre e seus aliados comandavam tudo nos bastidores.
Aumentei o ritmo enquanto corria em direção ao local. Minha percepção já estava no limite, entrelaçando-se através de pedra, ar e Essência como uma rede. Mantive-a ativa para detectar qualquer mudança ou movimento inesperado.
E então, senti.
Uma súbita onda de energia. Um clarão de poder. Violento, desesperado, instável.
Parei imediatamente.
Steve frizou a face ao meu lado. "O que foi?"
Não respondi de imediato. Olhei com cautela, meus sentidos focados além das paredes, além do chão, além da pedra deste lugar corrompido. Sentia a presença de Hugh e Dante lutando dentro da nuvem verde de turbilhão escuro.
"Ele está fazendo alguma coisa," falei baixo. "Lá fora. Algo imprudente."
Steve ficou tenso.
"E o que a gente faz?"
Me voltei para ele, North, Ming e Xin. "Vocês quatro continuem. Vão para a sala de controle. Tentem encontrar qualquer coisa—dados, registros, provas do que os Holts estavam fazendo. Se este lugar colapsar, precisamos de algo para levar de volta."
Steve assentiu de forma firme. North parecia hesitante, mas não discutiu.
"Cuidado," ela disse.
"Sempre cuido," eu menti.
Então, virei e corri por outro túnel, aquele que eu percebia que me levaria mais próximo da superfície. Meu ritmo era acelerado, porém cuidadoso. Já sentia a energia pulsante dentro de mim, respondendo à minha intenção.
Na metade do percurso, parei de correr.
Força explotou através dos meus músculos enquanto liberava Essência neles. Minhas asas emergiram atrás de mim, grandes, brilhando com energia, faíscas de Essência crepitando nas bordas.
O solo acima era espesso, mas isso não importava.
A energia percorreu meus braços enquanto manipulava a terra, torcendo e puxando as camadas de rocha. Elas se abriram na minha frente, como se estivessem esperando para obedecer.
Com um pulo, disparando em espiral de força bruta, perfurei as camadas de rocha e metal. Minhas asas cortaram o ar atrás de mim, enquanto o túnel que criava seguia na minha esteira, reforçado por paredes de terra endurecida com Essência.
Então, quebrei através dela.
A superfície se estilhaçou ao meu redor, uma explosão de poeira e pedra, e eu ascendi ao ar livre.
E congelei.
Acima da base, o céu tinha mudado. A nuvem verde que antes pairava ameaçadora agora estava viva. De seu centro escuro, grossevos blobs de viscosidade verde caíam como chuva. Eles espirravam sobre a base, derretendo aço e rocha lado a lado. O ar tinha cheiro de podridão e veneno. Onde as bolhas pousavam, o chão chiava e queimava.
Veneno. Ácido. Morte.
E vindo de cima, escutei risadas.
Alta, aguda, insana.
Era Hugh.
Sua voz ecoava pelo céu envenenado.
"Velho assustador! Mesmo que eu vá morrer, vou levar metade deste reino comigo! Hahahahaha!"
A loucura na voz dele distorcia o ar.
Mas uma segunda voz seguiu. Mais baixa. Arranhando, rouca, como areia raspando no aço.
Dante.
"Vai lá, então."
Fechei os olhos em pausa.
"Até agora, esse velho ainda precisa se exibir," murmurei.
Então, a voz dele sussurrou bem no meu ouvido.
"Ei, moleque, deixo você cuidar disso. Tô entediado."
Abri os olhos rapidamente. "O quê?"