
Capítulo 344
Meu Talento Se Chama Gerador
— Espera… o quê?! — berrei, olhando para o céu.
Ainda sentia a presença de Dante, fraca, mas constante, repousando tranquilamente dentro do coração da nuvem verde bruxuleante.
— Você está me enganando, velhote? — chamei novamente, mais alto desta vez.
O único som foi uma risada baixa ecoando pelo ar.
— Caramba, — murmurei.
Então tudo começou a mudar.
A nuvem acima pulsou uma vez, como se tivesse acabado de inspirar. Olhei para cima e vi as bordas da massa verde se estendendo para fora. Expandindo-se. O que antes era uma tempestade ameaçadora acima da base agora começou a se espalhar como tinta derramada pelo céu inteiro.
Em segundos, cobriu tudo. Todo o reino escureceu sob a luz verde doentia. O sol desapareceu. O calor se escondeu. Tudo virou frio e molhado.
Então as manchas começaram a cair novamente.
Duas vezes mais.
Mais espessas. Mais rápidas. Mais raivosas.
Eles atingiram o chão com estrondos altos. Árvores assobiaram enquanto suas folhas derretiam. Pedras racharam e k�rdiam steam. Eu até observei um trecho de uma encosta de montanha ceder e deslizar enquanto o veneno destruía suas raízes. As florestas estavam deformando. A grama murchando. Animais corriam ou gritavam. Mas o pior de tudo—
A Essência.
Estendi a mão, instintivamente, e senti a sua presença.
Estava… errada.
O que antes era claro e obediente agora estava lento, viscosa e retorcida. Veias verdes pulsavam por entre as partículas da Essência. Não era mais só a terra. O veneno estava se espalhando para dentro da própria energia que compunha esse reino.
Corrupção.
Ele não estava apenas tentando destruir o lugar, ele queria arruiná-lo para sempre.
Eu apertei os dentes.
Levantei a mão, e meu bastão apareceu com um estalo agudo de Essência. Frio e sólido na minha mão.
A Essência explodiu pelo meu corpo como uma enxurrada, saindo do meu núcleo e canais até o bastão. Meus músculos tencionaram. Meus dedos se prenderam no cabo de metal enquanto absorviam mais e mais poder.
Um anel violeta se formou na ponta, girando lentamente.
Depois um segundo—menor, movendo-se na direção oposta.
Então o terceiro. Minúsculo, silencioso, brilhando suavemente no centro.
Já sentia o esgotamento. Meus membros começaram a tremer. Meu corpo ficava leve pelo súbito desgaste de Essência. Mas continuei firme. Concentrei tudo.
A chuva corrompida caía ao meu redor, mas eu não recuei.
[Feixe de Singularidade].
Os anéis se colapsaram para dentro.
Sem som. Sem clarão.
Apenas um ponto de luz violeta repousando calmamente na ponta do meu bastão.
Então ele disparou.
Um feixe fino, silencioso, maior que um fio, que se lançou direto ao céu e perfurou o coração da nuvem.
Não houve explosão. Nenhum clarão explosivo.
Apenas uma atração.
O ar se torceu à medida que o feixe se expandia ligeiramente. A chuva corrompida ao meu redor começou a se mover. Gotículas pararam no ar, depois começaram a subir lentamente.
Então começou, Essência devorando Essência.
O feixe criou uma singularidade no céu. E a partir daquele ponto, tudo ao redor começou a se colapsar nela. Blob de ácido foram puxados para cima, alongando-se como fios de slime antes de desaparecer na singularidade.
Até as partículas de Essência corrompida no ar começaram a se desfazer, sugadas e purificadas como energia bruta.
Trechos da nuvem começaram a se encolher, retrair-se, lutando contra a força de atração. A tempestade enorme não sumiu, mas sua espessura diminuiu. A agitação desacelerou. A cortina pesada no céu ficou mais clara, como uma névoa espessa começando a se dispersar.
E, mais importante, a chuva parou.
Os últimos borrões verdes de veneno sumiram na singularidade.
Depois, silêncio.
O feixe desapareceu.
Os anéis violetas se dissiparam.
Minhas braços caíram ao lado, meus ombros relaxaram, e respirei lentamente, tremendo.
Não era fraco, de jeito nenhum. Minhas estatísticas físicas por si só eram suficientes para destruir pedra e aço. Mas a perda repentina de Essência… parecia que alguém tinha arrancado um pedaço da minha alma.
Olhei para cima novamente.
A nuvem ainda estava lá, grande e escura, mas já não chorava mais. Suas bordas recuaram um pouco. Consegui parar a chuva. Acelerei a corrupção.
Porém, a ameaça… ainda permanecia.
E então, lá do fundo do céu, ouvi novamente a voz de Hugh, distorcida e esticada pela Essência, mas alta o suficiente para atravessar o reino.
— VOCÊ ACHA QUE ISSO VAI ME PARAR?! COMO OUSAS, VOCÊS FORMIGAS INSEFÁVEIS!
A voz de Hugh retumbou pelo reino, fazendo a terra tremer como se fosse de papel. O próprio ar parecia pesado de raiva.
Olhei para cima.
A tempestade verde acima de mim agitava-se violentamente, nuvens espessas rolando sobre si mesmas como um mar enlouquecido. Então começou a torcer, deformar, puxar de todas as direções até—
Formou uma face.
Gigante. Olhos fundos. Uma boca esticada, escancarada, sem detalhes, apenas forma, veneno e raiva. As nuvens se funnelaram naquela boca, girando cada vez mais rápido, puxando o ar, transformando-o em uma arma.
Então disparou.
Um raio concentrado de verdíssimo, largo o suficiente para me engolir, caiu vertiginosamente do céu e perfurou o coração da nuvem.
Não houve explosão. Nem uma onda de luz grandiosa.
Apenas uma força de atração.
O ar se distorceu enquanto o feixe se expandia ligeiramente. A chuva corrompida ao redor começou a mudar. Gotas pararam no ar, depois começaram a subir lentamente, como se fossem puxadas pelo campo de força.
Depois tudo começou, Essência devorando Essência.
O feixe criou uma singularidade no céu. E a partir dela, tudo ao redor começou a se encolher nela. Blob de ácido foi puxado para cima, alongando-se como fios de slime antes de desaparecer na singularidade.
Até as partículas de Essência corrompida no ar começaram a se desfazer, sugadas, purificadas como energia pura.
Trechos da tempestade começaram a se encolher, diminuindo à medida que resistiam ao puxão. A tempestade gigante não desapareceu, mas ficou mais fina. A agitação diminuiu. A cortina pesada do céu ficou mais clara, como uma neblina espessa começando a se dissipar.
E, o mais importante, a chuva parou.
Os últimos borrões verdes de veneno sumiram na singularidade.
Depois, silêncio.
O feixe se esvaiu.
Os anéis violetas sumiram.
Meus braços caíram ao lado, os ombros relaxaram, e respirei fundo, tremendo.
Eu não era fraco, de jeito nenhum. Minhas estatísticas físicas eram suficientes para destruir pedra e aço. Mas a perda repentina de Essência… parecia que alguém tinha arrancado um pedaço da minha alma.
Olhei para cima novamente.
A nuvem continuava lá, ainda enorme e escura, mas já não chovia. Suas bordas se retraíam um pouco. Consegui interromper a chuva. Reduzir a corrupção.
Porém, a ameaça… permanecia.
E então, lá do fundo do céu, ouvi novamente a voz de Hugh, distorcida e esticada pela Essência, mas alta o suficiente para atravessar o reino.
— VOCÊ ACHA QUE ISSO VAI ME PARAR?! COMO OUSAS, VOCÊS FORMIGAS INSEFÁVEIS!