
Capítulo 347
Meu Talento Se Chama Gerador
Dei uma tossida constrangida, tentando cortar o vai-e-volta entre os dois velhos antes que se prolongasse ainda mais.
"Então," eu disse, inclinando-me um pouco para frente, "terminamos de limpar o reino. Quando começamos a próxima fase?"
A provocação morreu na hora. Ambos se endireitaram, suas expressões ficando sérias.
Arkas foi o primeiro a falar.
"Com base na análise do Dante, há três locais ativos ligados à círculo de teleporte. Um em cada continente. Já marcamos os grandes mestres conectados a cada local, e sabemos que os contratantes estão escondidos em algum lugar do continente ocidental."
Ele fez uma pausa para respirar, depois acrescentou,
"Estamos apenas esperando a ordem final do imperador para agir."
Cilian segurou seu drinque de modo preguiçoso antes de dar mais um gole, depois colocou o copo suavemente na mesa.
"Ele está demorando, mas eu entendo. Assim que a gente atacar, vai ser barulhento. Aquele tipo de barulho que faz o mundo parar pra ouvir."
Concordei com a cabeça, minha mente já pensando adiante, tentando descobrir onde eu poderia ser mais útil e o quão bagunçada nossa missão poderia ficar.
"Quando ele der o sinal verde," eu disse, "a gente ataca os três ao mesmo tempo?"
Cilian olhou para Arkas, depois voltou o olhar para mim com um tom calmo e direto.
"Não apenas esses três locais," ele afirmou. "Eles são só os alvos surpresa. Assim que o sinal for dado, vamos atacar todas as principais forças do Holt ao mesmo tempo. Sem esperar mais. E os contratantes, esses também têm que ser eliminados."
Fiquei pensando lentamente. Isso tudo já não era novidade pra mim. Era parte do plano que havíamos traçado antes. Uma limpeza coordenada. Rápida. Definitiva.
Cilian recostou-se um pouco e acrescentou, "Deve chegar o sinal em breve. O Imperador está atualmente reunido com o Grão-Mestre Niel Holt. O líder dos Holts."
Meus olhos se estreitaram.
"Niel está na capital?"
Cilian assentiu.
"Sim. Bem no palácio. Ele é arrogante o bastante para entrar na toca do leão sem pestanejar. Acha que tem tudo sob controle."
Arkas interveio, um pouco mais cauteloso.
"Por isso estamos mantendo ele por perto. Um cara como Niel… você não pode deixá-lo solto. Ele é um dos cinco mais fortes do Império inteiro."
Soltei um suspiro devagar. Então o jogo já estava em andamento. O Imperador encarando o chefe dos Holts… e sorrindo.
Arkas quebrou meus pensamentos com um comentário repentino.
"Ouvi dizer que North também está no reino."
Eu pisquei, pego de surpresa.
Por um momento, esqueci completamente que agora eu tinha uma relação com ela de verdade. A lembrança daquele beijo piscou na minha cabeça, fazendo eu me endireitar na cadeira antes de rapidamente afastá-la e tossir.
"É… ela está lá," respondi de modo casual.
Arkas acenou lentamente, depois fixou seu olhar sério em mim.
"Ótimo. Então te mando uma ordem direta: impede ela de ir com o Dante."
Fiquei olhando para ele, totalmente desconcertado. "Espera… o que?"
Não tinha certeza se tinha escutado mal, ou se ele tava falando sério mesmo.
Cilian recostou na cadeira, sorrindo enquanto tomava um gole da bebida.
"Parece uma ordem pessoal, Arkas. Não enche o saco do pobre garoto. O que você espera que ele faça? Duelar com o Dante por ela?"
Arkas não desviou o olhar. A voz dele era calma, mas os olhos, afiados.
"Não sei. Mas te digo: não deixe ela ir. Se você deixar, sabe que não vou concordar com… aquilo."
'Aquilo?' pensei.
Cilian virou-se para ele, curioso.
"O que é isso?"
Arkas não respondeu. Em vez disso, manteve o olhar fixo em mim.
"Acho que ele sabe do que estou falando."
Afundei um pouco a cabeça e apenas fiquei encarando a mesa, fingindo estar pensando profundamente.
Mas por dentro?
Estava sorrindo que nem idiota.
'Velho… já fiz coisa pior.'
Depois disso, ficamos lá conversando mais sobre o plano. Mas então algo mudou. Arkas parou de repente, os olhos perdidos por um momento. Cilian também silenciou, colocando o drinque com delicadeza na mesa.
Arkas se levantou e olhou para mim.
"A ordem chegou. Precisamos partir."
Assenti sem falar nada e levantei a mão. Uma essência girou ao redor dos meus dedos enquanto invocava um portal violeta.
O espaço brilhou e se abriu, revelando a paisagem familiar do reino.
Arkas passou primeiro, sem hesitar. Cilian me cumprimentou com um gesto preguiçoso e entrou logo depois. O portal se fechou suavemente ao lado deles com um sussurro.
Sem perder tempo, saí do bar, estalei minhas asas e acelerei pelo céu, afastando-me da capital. Meu próximo destino era uma escarpa coberta por feitiços antigos de ilusão e barreiras enterradas, uma das casas seguras menos conhecidas do Império.
Passei pelo véu e entrei na estrutura parecida com uma caverna. Três figuras se voltaram na minha direção no exato momento em que cheguei.
Edgar avançou. "Chegou a hora?"
Assenti. "O reino está aberto. Vão."
Abri um segundo portal. Edgar e as outras duas passaram sem hesitar. Nem esperei para fechá-lo manualmente. Ele desabou atrás deles enquanto eu já me mandava de novo, agora de volta para o palácio.
Voei direto para o quartel-general, ignorado pelos guardas, que me reconheceram imediatamente. Passei por várias portas de segurança e cheguei à sala de guerra, onde o general, Dante, e mais três Grandes Mestres aguardavam.
Todos se voltaram para mim.
Falei rapidamente. "Eles entraram. Vou abrir o caminho agora."
Uma pulsação profunda de Essência cortou o chão enquanto eu invocava outro portal. Dante acenou para mim em sinal de aprovação, o general deu um passo adiante. E um por um, os seis entraram no reino.
Assim que chegamos, Dante se moveu sem uma palavra.
Ele avançou e começou a desenhar um círculo de teleportação, com faixas brilhantes de Essência. Suas mãos se moveram rapidamente, com precisão, como um artesão que termina algo que já fez mil vezes.
Quando o círculo estabilizou, brilhou e se conectou ao que Araks quis que se conectasse.
E então começaram a chegar.
Ondas de luz violeta piscavam, entrando e saindo enquanto mais Grandes Mestres passavam para o reino — um após o outro, suas presenças pesadas e concentradas.
O ar ficou carregado de poder. O silêncio do núcleo do reino agora se encheu de tensão e momentum não dito.
O Império estava ali.