
Capítulo 319
Meu Talento Se Chama Gerador
Quando toquei meu coração e me conectei com o núcleo da pantera, uma névoa carmesim surgiu do meu peito e saiu do meu corpo.
Mas desta vez, ela não se condensou para cima como fumaça. Ela rastejou, enrolando-se perto do chão, como uma predadora à espreita, passando sobre pedras e terra, silenciosa como o próprio suspiro.
O mundo ao meu redor escureceu. O vento parou, como se estivesse recebendo um novo membro na minha equipe.
A névoa se acumulou aos meus pés e começou a subir, formando uma silhueta agachada.
Desta vez, não houve grito nem entrada grandiosa. Apenas... um pulso. Como um segundo batimento cardíaco ecoando abaixo do meu.
E então—
De dentro da névoa, algo começou a se formar.
Uma grande silhueta, baixa no chão, forte e larga.
Gradualmente, apareceu um chifre curvado. Agora, preto, liso e afiado, torcendo em espiral.
Depois, vieram os ombros, maiores do que antes. O corpo mais alongado, mais forte, mais sólido. Suas garras tocaram o chão em seguida. Longas, afiadas e escuras como navalhas.
A pantera saiu da névoa. Seus pelos eram de um preto puro, mais escuros que as sombras. A névoa vermelha ainda se agarrava a ela, girando ao redor de suas pernas e costas. Seus olhos eram brilhantes e vermelhos, iluminados, observando tudo ao redor.
Ela não fez som algum. Nem rosnado, nem respiração. Apenas sua cauda se moveu, varrendo de um lado para o outro através da névoa.
Estava maior agora—seu corpo quase atingia meu ombro. Ela parou diante de mim e olhou fixamente.
A névoa carmesim se enroscou ao redor de seus pés, como se fosse parte dela. Seu chifre reluziu. Seus músculos estavam tensos e imóveis. Ela não piscou.
Então, uma corrente azul etérea surgiu do meu peito, estendendo-se pelo ar em um arco suave, conectando-se à base do esterno da criatura. Ela cintilou levemente.
E no instante em que apareceu, eu pude sentir o que a besta estava sentindo.
Ela não disse nada.
Olhei diretamente nos olhos dela e sorri.
"De agora em diante, vou te chamar... Cavaleiro."
Um suave zumbido passou entre nós.
Verifiquei seu nível.
[Pantera Leopardo – Nível 190]
Acenei com a cabeça e sussurrei: "Vem aí uma guerra. Te chamarei quando chegar a hora."
Com um gesto, desinvoquei-a. A névoa vermelha envolveu seu corpo e puxou ela de volta ao meu coração. O ar voltou a ficar calmo.
Logo então, Azaleia apareceu ao meu lado em um piscar de olhos.
"Então, esse é seu novo... animal de estimação?" ela perguntou, levantando uma sobrancelha.
"Mais ou menos," respondi.
Ela assentiu, cruzando os braços.
"Parece forte. E tem potencial... bastante potencial."
Acenei novamente, sem precisar dizer mais nada.
"Estamos prontos," ela continuou. "Vou começar o procedimento para o Steve. Quer ficar e assistir?"
Neguei com a cabeça.
"Não. O sol está quase nascendo. Preciso chegar na Capital."
"Então, tudo bem," ela disse. "Até logo." E, assim, ela desapareceu de novo.
Fechei os olhos e estendi meu vínculo de essência com o núcleo do reino, deixando a conexão da minha Essência se estabelecer. Peguei a moeda que Dante tinha me dado e a ativei. Quase imediatamente, senti sua presença, como um ponto vermelho brilhando na escuridão. Um sinal. Um ponto fixo perto da Capital.
Abri os olhos e balancei a mão. Um portal se formou na minha frente.
Entrei nele.
Quando saí do outro lado, estava a alguns quilômetros fora da Capital. Conseguia vê-la claramente ao longe—gigante, imponente e silenciosa. A enorme barreira ao redor dela brilhava fraquement, como uma besta respirando em seu sono.
Estendi minha percepção adiante até alcançar cinco quilômetros completos.
"Ótimo," murmurei.
Mas então... algo mais.
Uma sensação estranha, a apenas alguns metros atrás de mim. Não senti Essência alguma. Nenhuma flutuação espacial. Apenas... um bolso de espaço ali, silencioso.
Sorrir discretamente.
Levantei a mão e bati os dedos.
Uma ondulação de energia espacial se espalhou a partir do estalo, atingindo o bolso escondido. Ele cintilou, como uma pedra jogada na água.
Ri comigo mesmo. "Vício ruim, se meter sorrateiramente nas coisas dos outros, sabe."
[Domínio Absoluto]
Meu domínio se expandiu instantaneamente, e agora eu conseguia vê-lo. Alguém estava escondido dentro de uma camada de espaço dobrado.
Ponto o dedo e tracei uma 'X' no ar.
Por um momento, nada aconteceu.
Depois, a 'X' queimou no ar, e o espaço se rasgou ao longo das linhas que desenhei, abrindo o bolso como se fosse papel.
O indivíduo foi revelado.
Um homem idoso.
Grande barriga redonda, quase saindo do shirtinho apertado. Careca por cima, com poucos fios de cabelo na testa. Óculos grossos. Pele enrugada. Corcunda.
Sinceramente, não sei se devo ficar surpreso, enojado ou impressionado com o quanto essa aparência elaborada era convincente.
Ele soltou uma risada seca.
"Não abuse, garoto. Ainda posso dar uma palmada na sua bunda, se quiser."
Sorri de canto. "Claro, pode. Mas a verdadeira pergunta é—você faria isso?"
Ele piscou para mim.
"Quer dizer que eu não teria coragem?"
Neguei com a cabeça.
"Não, velho. Eu não disse isso. Só perguntei... você faria?"
Ele coçou a barba, pensativo.
"Talvez. Ainda estou decidindo se devo ou não."
"Tudo bem," afirmei apenas com um encolher de ombros. "Me avise quando decidir. Tenho lugares aonde ir."
Ele soltou uma risada rouca e exagerada. "Hohohoh!"
Depois, sua voz mudou. Mais profunda, mais lenta.
"O Imperador chamou você. Vamos lá."
Antes que eu pudesse reagir, ele acenou com a mão e o mundo girou.
Tudo se torceu de lado por um instante, como se o espaço tivesse se dobrado. Quando a coisa se acomodou, me encontrei de pé em um jardim. Flores floresciam por perto, e o som de água a correr podia ser ouvido ao fundo, suave.
Logo à minha frente, o Imperador estava sentado ao lado de uma pequena mesa de chá, com postura relaxada, mas com um olhar afiado. Ele me observava diretamente.
Fiz uma reverência profunda.
"Vossa Majestade."
Ele assentiu lentamente.
"Sente-se. Vamos tomar um chá. O dia está prestes a começar."
Fui até a única outra cadeira em frente a ele e sentei.
Ele despejou chá em uma xícara de porcelaininha, empurrou em minha direção e falou com um sorriso calmo.
"Pensei que você ficaria mais tempo com sua avó. Arkas escreveu no seu arquivo que você é meio workaholic... mas agora, eu vejo por mim mesmo."
Cocei a nuca e dei uma risadinha baixa.
"Sim... acho que é verdade."
Ele levantou uma sobrancelha.
"Acha?"
Fiz uma risada meio sem jeito.
"Ok, é verdade. Só... gosto de ficar mais forte."
Ele tomou um pouco de chá, com os olhos ainda voltados para mim.
"Isso é bom. Mas às vezes, desacelerar também tem seu valor."
Acenei, aceitando a xícara que ele ofereceu.
"Entendido."
O Imperador se recostou um pouco, deu um gole no chá.
"Espero que Dante tenha te ajudado."
Assenti.
"Ele ajudou. Mas... por que ele parece daquele jeito?"
O Imperador levantou um pouco a sobrancelha.
"Como assim?"
"Você sabe," eu disse, fazendo gestos vagos. "Velho. Careca. Barriga saindo. Aquela aparência de tio-avô estranho que já viu muitas coisas."
O Imperador riu suavemente. "Essa é uma das perguntas que ainda não consegui resolver. Ele adota essas formas estranhas há décadas."
"Já lhe disse isso mais de uma vez," ele disse, balançando a cabeça. "Ele não liga. É uma coisa que se recusa a mudar, não importa o que eu diga."
"Então, nem mesmo você consegue convencê-lo?"
Ele sorriu. "Existem pessoas que obedecem às regras, e outras que são as regras. Dante é o último caso. Não ouve ninguém, nem mesmo eu."
Sorri de canto e levantei minha xícara. "Confortante."
"De certa forma, é," respondeu o Imperador. "Desde que esteja do nosso lado."
Ele olhou em direção à borda do jardim, onde a luz começava a invadir através das sebe, suave e dourada.
Então sua voz mudou—mais profunda, mais vagarosa.
"Dize, Bilhão," ele disse. "O que você acha que vai acontecer se entrarmos em guerra com os Holt?"