Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 318

Meu Talento Se Chama Gerador

Levantei a mão e a apontei para a onça. A Essência girava ao redor do seu corpo, levantando-a sem esforço no ar. Minha Psínapse pulsava com energia renovada, e eu enxergava o mundo com uma clareza nova.

Quando a onça chegou perto de mim, coloquei a palma da mão sobre a cabeça dela e murmurei.

“Submeta-se.”

A minha Essência respondeu—não com fúria, mas com força de vontade. Um comando, não um pedido.

Do fundo de mim, o Coração Nulo reagiu.

O núcleo no meu peito acendeu-se, girando cada vez mais rápido, uma poderosa engenhoca branca de propósito. Senti-a vibrar pelos meus ossos, através de cada fibra do meu ser.

Depois, igual ao que acontecera antes, ela parou.

Tudo congelou.

O ar. Meu ritmo cardíaco. Até o próprio pensamento pausou, como se o mundo estivesse esperando.

O silêncio era absoluto.

E então o mundo desapareceu.

A escuridão me engoliu por completo, o real desaparecendo como um sonho distante. Voltei a estar de pé na trilha de pedra rachada, suspenso em um vasto e sufocante vazio. As estrelas não brilhavam aqui. Só havia preto, e o frio que o acompanhava.

À minha frente, estava a porta colossal. Inalterada. Sem que ninguém pudesse abrir.

Polvilhada de poeira. Runas tremeluziam fracamente como brasas mortas. E novamente, eu tinha a sensação de que aquilo não era apenas um portal para algum lugar aleatório.

Dói no meu peito.

Uma corrente explodiu do meu esterno—brilhante, grossa, azulada. Ela não arrastou nem caiu. Flutuava, pulsando com poder antigo, cada elo carregando um propósito. Ela não hesitou—voou direto em direção à porta gigante.

Claang.

A porta tremeu.

Poeira escorreu. Teias caíram. As dobradiças antigas gemeu.

Uma fresta se abriu.

Daquele espaço, emergiu a esfera, de um vermelho profundo e vibrando com força contida. Dentro, flutuava a alma da Onça-Pantera. Seu corpo estava em posição de sono, preservado, intocado pela corrupção que afligia sua forma real. Correntes pesadas prendiam seus membros, pescoço e cauda, contendo seu poder.

A corrente conectou-se à esfera.

Então, puxou.

Forte.

A esfera não resistiu. Voou em minha direção, como uma bala de luz através do vazio. Bateu no meu peito, mas não houve impacto. Ela atravessou-me, fundindo-se com o Coração Nulo.

Um novo núcleo formou-se ao lado do branco.

Vermelho.

Menor, mas tão denso quanto. Dentro, eu via a alma da pantera suspensa em silêncio, presa e imóvel. A ligação entre nós brilhava clara.

Um último pulso ressoou no meu peito.

O vazio foi destruído.

Respirei de volta à realidade, de pé no mesmo lugar. Minha mão ainda estava sobre o crânio dela.

O corpo da Onça-Pantera começou a se desintegrar. Primeiro, seu chifre rachou e se despedaçou em fragmentos vermelhos. Depois as garras se soltaram como poeira ao vento. A pelagem negra se dissolveu em fios de luz, que flutuaram para cima.

Então, toda a forma cintilou.

E se intensificou.

Uma rajada de luz vermelha avançou.

O mundo desapareceu.

E outro tomou seu lugar.


Encontrei-me numa selva escura. Instantes, percebi que estava assistindo à visão da onça.

A onça estava agachada, cada respiração profunda e calma. Ao redor, a selva fervilhava de vida—cantinhos, farfalhar de folhas, o rugido distante de uma cachoeira. A luz prateada filtrava-se por entre as folhas espessas em feixes dispersos. Ela se movia como sombra. As patas mal tocavam as folhas caídas.

Mas ela não estava caçando.

Estava explorando.

A criatura se movia com uma curiosidade silenciosa. Andava pela selva não por presa, mas com propósito.

Seus olhos pairavam de um galho a um arbusto, sua cauda se contorcia de leve com cada leve curvatura do terreno. O mundo ao redor dela não era só visual, era espaço. Seus sentidos iam além do cheiro ou som. Sentia as distâncias. As mediava por instinto.

Para ela, o mundo era ângulos e tensão, fluxo e posicionamento. Cada árvore tinha relação exata com outra. Ela pararia no meio de um passo se o equilíbrio ao redor parecesse errado, e ajustaria como se estivesse corrigindo um quebra-cabeça só ela pudesse perceber.

Em um momento, ela saltou sobre um desfiladeiro, não porque fosse preciso, mas porque sabia que podia. O salto não era força ou velocidade. Era certeza. Como se o próprio espaço tivesse se inclinado para dentro para dar espaço ao seu pulo.

Ela não aprendeu espaço nos livros. Cresceu ao lado dele. Sentiu-o. Viveu em harmonia com suas grades invisíveis.

Mas essa harmonia não durou.

A mudança veio numa tarde silenciosa, sem aviso.

Uma ondulação quebrou o céu da selva. Sem trovão. Sem luz. Apenas distorção—como se o mundo tivesse um soluço.

Pássaros fugiram em disparadas frenéticas. Insetos desapareceram na casca das árvores. A onça congelou no meio do movimento, músculos tensos, orelhas se movimentando enquanto olhava para cima.

E então… veio.

Uma tênue mancha de escuridão rasgou o ar, quase invisível—como uma mancha de sombra através da existência. Movia-se com velocidade e precisão desumana, direta para a onça.

Antes que ela pudesse reagir, a mancha atingiu.

A alma atravessou a cabeça da onça como uma lança de vontade corrompida.

A fera recuou, garras arranhando o chão, um rosnado subindo pela garganta, mas não era dor que ela sentia. Era invasão. Uma segunda consciência rasgando sua mente, desfazendo pensamentos e memórias.

Uma alma demoníaca.

Ancient. Amarga. E corrompida pelos Eternals.

Ela gritou. Não buscava coexistência. Não oferecia razão. Queria… sobreviver, tomar, dominar.

E a onça?

Ela lutou.

Com vontade. Com o instinto de quem jamais se entregou na vida.

Seus membros tremiam. Sangue escorria do nariz. A selva estremeceu com a pressão da batalha psíquica silenciosa.

Assisti enquanto a Essência do demônio queimava a espinha da onça. Os músculos ao longo das costas dela começaram a inchar. Seu corpo se contorceu. O chão sob ela afundou. Mas ela continuou lutando. Cada segundo, cada batida do coração—lutava.

E finalmente, as almas se fundiram e uma Nova Abominação nasceu.

O conhecimento do demônio torceu os instintos da onça, corrompendo-os. Sua compreensão de espaço virou jagged—irregular. Em vez de perceber o fluxo, a onça agora rasgava espaço. Em vez de deslizar entre brechas, perfurava-as.

Suas garras começaram a falhar. Seus passos destruíam o terreno. Tentáculos se formaram a partir de feridas sombrias em suas costelas. Seus olhos brilhavam escuros, mas lá no fundo… a faísca dourada permanecia.

Mesmo corrompida, ela nunca se entregou.

A visão vacilou, desapareceu.

*****

Abri lentamente os olhos e soltei uma respiração silenciosa.

As lembranças ainda estavam frescas, ecos da vida da onça agora gravados na minha mente. Senti seu orgulho, sua fome, seu espírito inflexível. E também senti a agonia—a dor pura, que cortava a alma, quando o demônio entrou e tentou levar tudo.

Gostei do que vi naquela visão. Da criatura que a onça tinha sido—curiosa, incansável, quase atrevida na forma como se movia pelo seu mundo.

E em nossas batalhas?

Foi a mesma coisa. Não importava quantos ataques eu absorvesse, quão facilmente evitasse ou contra-atacasse, ela nunca recuou. Continuou vindo. De novo e de novo. A determinação nunca vacilou.

Um sorriso tênue surgiu nos meus lábios.

Pois é. Eu gostava.

"Vamos dar uma olhada em você," murmurei.

E, com isso, estendi a mão e conjurei minha nova ligação.

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