Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 320

Meu Talento Se Chama Gerador

"Me diga, Bilion," disse o Imperador, sua voz baixa, mas firme. "O que acha que acontecerá se formos à guerra com os Holt?"

Deixei o silêncio se estender por alguns segundos. Só o som suave do taça de chá dele tocando o pires quebrou o silêncio.

"Se planejarmos bem," finalmente disse, "podemos feri-los. De verdade. Não estou falando de uma vitória simbólica—quero causar danos reais. Remover peças-chave. Romper o alcance deles."

E se fizermos tudo certinho... não precisaremos sofrer tanto em troca. Eles há muito tempo vêm crescendo como uma ameaça dentro do Império. Devemos eliminá-los antes que corroam o resto do corpo."

O Imperador assentiu lentamente.

"Eles têm dezenove Grandes Mestres," ele disse. "O Império tem quarenta e dois. Mas não podemos usar todos como eles podem."

Nossos estão dispersos, necessários para manter à distância as Abominações, os Fantasmas, e para monitorar Peanu e Sukra.

Holts podem mover toda a força de uma vez. Se entrarmos em guerra... o custo não será apenas em soldados. Civis vão morrer. Cidades podem queimar. Está preparado para isso?"

Inclinei-me para trás, com os olhos estreitando, pensando nisso. Então levantei o olhar para o céu que clareava.

"Então, torna-se mais importante do que nunca acertarmos a estratégia antes de agir. Não vou maquiar: pessoas vão morrer de qualquer jeito."

Mas se os Holts forem os primeiros a se mover, perderemos ainda mais, e não nos termos que desejamos. Então, sim... acho que devemos ser os que atacar primeiro. Estejam preparados para perdas, sim. Mas também para terminar rápido."

Ele appearancesum um som pensativo, não totalmente em desacordo.

"Mas e os Ferans?" continuou o Imperador. "São mais fortes que nós. Mais mundos. Mais recursos. Melhor armamento. Se derrotarmos os Holts, o que acha que farão?"

Essa questão me fez lembrar o que minha avó me contou horas atrás.

"Depende," falei baixo, "de como eles tratam os mundos mais fracos. Se forem do tipo que controla pelo medo, irão nos atacar diretamente, ou pior... apoiar nossos inimigos e nos sangrar nas sombras."

O Imperador levantou uma sobrancelha. "E se não forem assim?"

"Então talvez apenas assistam. Esperem para ver qual lado vale a pena investir. Depende do objetivo deles aqui. Veem para dominar ou estão só de olho em algo mais? De qualquer forma... acho melhor focarmos no que podemos fazer. Não no que eles podem fazer."

O Imperador ficou imóvel. Seus dedos passaram leve pelo lado da xícara de chá.

"Sabe," ele disse após uma pausa, "eu vejo isso em você. Você vai virar Grande Mestre em breve. E não me surpreenderia se for além disso. Transcender tudo que já vimos antes."

Franzí a testa, surpreso. "O que quer dizer, Majestade?"

Ele olhou nos meus olhos, calmo e claro. "Estou dizendo que quero apostar em você, Bilion. Você não é mais apenas um soldado. Quero que vire a face do futuro deste mundo."

Minha respiração ficou presa. "Você quer o quê?"

"Sim," ele disse. "Vou colocá-lo sob os holofotes. Que o mundo veja quem você é. Que vejam do que você é capaz. Um símbolo. Uma pessoa na qual o povo possa acreditar. Uma bandeira que eles possam se levantar. Quero usar você—não apenas como uma arma, mas como esperança."

"...Como assim, exatamente?"

Ele sorriu levemente, saboreando o chá. "Você ouvirá mais assim que resolvermos a questão dos Holts. Mas depois disso, pretendo agir. Um golpe inicial contra os Ferans. Nada físico, não se preocupe. Apenas uma jogada política. Um teste para ver o quanto eles estão realmente envolvidos nesta região."

Minha visão se dilatou. "Um ataque?"

Ele riu. "De novo, nada de espadas e chamas. Apenas um empurrão silencioso. Uma investida diplomática para ver se eles se assustam. Mas tudo o que planejo... tudo isso falha se você não for forte o suficiente. Preciso de um Grande Mestre que o mundo não possa ignorar. O mais jovem de todos. E o primeiro Transcendente a emergir do nosso povo."

Olhei fixamente, pensamentos fervilhando.

Ele não estava pedindo nada diferente do que já planejava. Tornar-se mais forte sempre foi o objetivo. Se ele usasse ou não como símbolo, isso não mudava nada.

Inclinei-me um pouco para frente e perguntei: "Majestade... já esteve na Galáxia Prisma?"

Um sorriso sutil tocou seus lábios. "Sim, estive. O que quer saber?"

Não hesitei. "Como é lá?"

Ele deixou escapar um som baixo, como se procurasse a palavra certa, e respondeu: "Caos."

Levantei uma sobrancelha.

"Lá é caos," disse novamente, desta vez mais devagar. "A paz que estamos acostumados no nosso mundo? Não existe lá. Há guerras todo dia. Traições. Lutas pelo poder. Egos se enfrentando. Eternos, Fantasmas, Abominações… tudo isso caminha por lá."

Ele fez uma pausa, depois continuou: "E os jovens lá… são muito mais fortes do que aqui. A Essência é abundante, mais potente. Alimenta tudo. E ninguém quer morrer, então lutam com mais força. Cada dia, se esforçam para sobreviver. Para se elevar."

Enquanto falava, senti algo despertar dentro de mim.

Um sorriso lento começou a se formar nos meus lábios. Não consegui evitar.

Aquele tipo de lugar? Selvagem, perigoso, cheio de caos?

Parecia exatamente o campo de batalha onde eu deveria estar.

Ele percebeu meu sorriso, mas não interrompeu. "Mas lembre-se, os humanos lá não importam muito. Não somos uma raça importante. Nem mesmo entre as cem principais, eu diria."

Isso me fez franzir a testa. "Isso vai me afetar se eu for lá?"

Ele deu um leve encolher de ombros. "Talvez. Podem zombar de você por de onde vem. Alguns podem até tentar te atingir só por você ser humano. Mas, no final…" Ele me olhou nos olhos, sério. "Sua força é o que vai falar por você. E as escolhas que fizer."

Assenti lentamente, deixando suas palavras me invadirem.

Já esperava algo assim.

E isso não me assustou.

De jeito nenhum.

Pelo contrário... isso me empolgou ainda mais.

O caos, o perigo, a luta constante para se levantar, eu queria tudo isso.

Então o Imperador falou novamente.

"Certo. Foi bom ouvir seus pensamentos. Começaremos a agir contra os Holts amanhã. Você deve estar presente na reunião na sala real pela manhã."

Assenti e levantei-me. "Obrigado, Sua Majestade."

Ele não disse nada inicialmente. Então chamou: "Dante."

Senti uma leve ondulação no ar, uma fluctuação sutil. O velho apareceu, ainda escondido, envolto naquela camada de espaço.

O Imperador continuou: "Leve o rapaz à Biblioteca Secreta. Deixe que escolha qualquer habilidade que desejar."

"Sim, Imperador," respondeu Dante.

Um instante depois, ele acenou com a mão e o mundo girou novamente.

Num piscar de olhos, estava em um salão amplo e aconchegante.

Estantes altas, repletas de livros antigos, rodeavam-me. Luzes suaves brilhavam acima. Telas flutuavam no ar, exibindo scripts em movimento e diagramas. O ar era quente e silencioso, carregado de Essência e tempo.

O sussurro de Dante vinha de algum lugar ao meu lado, baixo e divertido. "De quanto tempo você precisa?"

Pousei uma respiração lenta.

"...Dúzias de horas," comecei.

Não houve resposta.

Ele havia desaparecido.

Fiquei ali, sozinho, na biblioteca, com os olhos varrendo o conhecimento ao meu redor.

Era hora de me preparar.

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