Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 323

Meu Talento Se Chama Gerador

Puxamos lentamente um do outro. Suas bochechas estavam coradas, os lábios levemente entreabertos, os olhos arregalados e um pouco atordoados. Meu coração estava calmo e totalmente concentrado nela. Eu sabia que queria aquilo.

North piscou algumas vezes, depois desviou o olhar.

"N-Não é assim que se faz...", ela murmurou, ajeitando uma mecha solta do cabelo atrás da orelha.

Inclinei minha cabeça e sorri. "Ah? Então devo ter estragado. Deixa eu tentar de novo."

Antes que ela pudesse responder, inclinei-me e a beijei novamente. As mãos dela agarraram minha camisa, mas ela não me empurrou. Quando finalmente nos separamos, seus olhos voltaram a se abrir, ainda um pouco tímidos.

"Isso não foi bem o que eu quis dizer", ela sussurrou, com a voz ofegante.

Eu ri baixinho. "Então o que você quis dizer?"

Ela hesitou por um instante, ainda com as bochechas coradas. "Você devia me convidar para sair primeiro. Isso é o jeito certo."

"Ahhh", eu falei, sorrindo. "Desculpa, acho que não consegui me controlar depois de te ver de novo."

Peguei a sua mão com delicadeza e a segurei suavemente. "North Winter, quer namorar comigo?"

Ela me encarou, os olhos buscando os meus. Depois, lentamente, sorriu.

"Sim."

Inclinando-me novamente, nossos olhares nunca se afastaram. Meu coração pulsava com entusiasmo, um sorriso suave estampado nos lábios de ambos.

Nossas bocas se encontraram mais uma vez. Suaves. Firmes. Verdadeiras. Envolvi-a com mais força, enquanto minhas asas se expandiam, levantando-nos suavemente para o céu. O vento nos rodeava, mas eu mal percebia. Estava demasiado focado na doçura dos seus lábios, na maneira como ela se segurava em mim, no ritmo que compartilhávamos naquele momento.

A beijada começou suave, mas foi ficando mais intensa e apaixonada, até que minhas asas batiam mais forte, nos levando mais alto, entre as nuvens. Quando me afastei, o ar parecia elétrico. Dei um tapinha nos céus e compressei o espaço abaixo, formando uma plataforma sólida. Ambos aterrissamos nela com facilidade.

"Você está linda", eu disse.

Ela sorriu de volta. "Ainda bem que você está seguro."

Com um pensamento tranquilo, dissipei minhas asas e me aproximei para abraçá-la. Ela se soltou em mim, seu corpo encaixando-se perfeitamente ao meu, como uma peça de quebra-cabeça que faltava. Segurei-a como se não quisesse soltar. Honestamente... não queria.

Por alguns segundos, parecia que o mundo era um lugar maravilhoso.

Afastei-me um pouco para olhá-la nos olhos. "Sentiu minha falta?"

Ela assentiu, sem hesitar. "Senti."

Seus olhos percorriam meu corpo de cima a baixo, e ela começou a listar coisas.

"Olhos novos, asas, uma tatuagem estranha... e você ficou ainda mais forte. Ótimo. Como se já não fosse intimidador o suficiente."

Ri baixinho e assenti. "Você também mudou. A menina que sempre estava correndo com um arco agora empunha adagas. Isso me surpreendeu. E pra fechar..." pausei. "Você ficou ainda mais linda."

Ela bufou e se virou para o bosque e o vale imenso lá embaixo. O som de um rio ecoava de algum lugar, e bem ao longe, sussurros frágeis de Abominações podiam ser ouvidos, mas nada disso tocava aquele momento.

Ela sentou-se na beirada da plataforma, as pernas balançando sobre o penhasco. Eu sentei ao lado e peguei sua mão suavemente.

"Você mentiu", ela disse de forma suave.

Eu pisquei. "O que?"

"Você não me contou sobre sua missão", ela virou a cabeça em minha direção. "Você e o vovô planejaram tudo. Poderia ter me contado."

Expirei, já imaginando quem tinha contado a verdade.

'Dante', pensei. 'Aquele velhaco safado.'

"Desculpe", eu falei, virando-me completamente para ela. Dei uma leve aperta na mão dela. "Não foi minha escolha esconder isso de você."

Ela olhou nos meus olhos por um momento, depois assentiu. "Entendo. Era uma missão secreta, e quero entender isso. Mas ainda assim doeu não saber de nada. Tive a sensação de... não importar."

Minha mão se apertou um pouco mais. "Você importa. Sempre importou."

Ela encostou a cabeça no meu ombro, e ficamos olhando para o vale tranquilo, embora perigoso, lá embaixo.

"Depois que você foi embora, me senti fraca", ela disse. "Inútil. Ficava pensando: se eu fosse mais forte, talvez pudesse ajudar. Então o Dante apareceu. Pediu para eu virar a aluna dele. Disse que me treinaria pra eu ficar ao seu lado."

Resmunguei: "Ainda um velhaco suspeito."

Ela riu baixinho.

"Sim, mas ele cumpriu a promessa. Me ensinou as leis do vento antes mesmo de atingir o nível Mestre. Treinou com as adagas, me fez superar meus limites inúmeras vezes. Algumas semanas atrás, ele me falou que você tinha chegado ao nível Mestre e que eu também poderia chegar lá. Então eu consegui. Conquistei uma classe lendária... habilidades poderosas... e ainda assim, o que eu mais queria era estar onde você está."

Ela virou a cabeça novamente, com os olhos castanhos fixos nos meus.

"Eu gosto de você, Bilhão Ironhart", ela sussurrou.

As palavras dela tocaram fundo em mim. Sem pensar duas vezes, estendi a mão, a levantei do colo e a abracei de novo. Sua cabeça descansou contra meu peito.

"Eu também gosto de você, North", respirei lentamente. "Sinceramente... acho que gostei de você desde o primeiro momento que te vi. Naquele dia mesmo, decidi. Se tivesse que acontecer, eu estaria contigo."

Pousei uma respiração profunda.

"Sei que o mundo está se destruindo. Sei que talvez não tenhamos muitos dias de paz assim. Mas se tivermos... quero passar esses momentos com você. E ficar forte ao seu lado. Para que esses dias ruins nunca mais aconteçam."

Ela riu baixinho, uma risada leve que aqueceu meu peito.

"Você parece um velhinho", ela brincou.

Sorrindo, eu respondi: "Não dá pra um homem falar de paz com uma menina tão linda ao lado?"

Ela fez cara feia e me deu um pequeno beliscão no braço.

"Para de me chamar de linda", ela murmurou. "Tô toda cansada e suada de tanto treinar. Se eu soubesse que você vinha, pelo menos teria me arrumado ou me vestido melhor."

Fiquei de brincadeira surpreso.

"Ué, sério? Porque se você está assim linda agora, nem imagino que confusão você farias se se arrumasse para valer."

Ela desviou o olhar, claramente tentando esconder o sorriso que se formava nos lábios.

"Idiota."

Inclinei um pouco mais a cabeça e, mais baixo, disse: "Por você."

Ela piscou. "Por mim... o quê?"

Sorrindo, eu respondi: "Idiota… só por você."

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