Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 292

Meu Talento Se Chama Gerador

Lyrate perseguia outro homem pela floresta. Ele não tentou lutar como os demais. Talvez fosse inteligente o suficiente para perceber que era o mais fraco entre eles. Mas não importava. Seu fim seria o mesmo.

Ela se movia atrás dele como uma sombra, seu corpo feito de névoa carmesim. Em segundos, a névoa envolveu-o, formando um ciclone apertado. Antes que ele pudesse gritar, o ciclone mudou de direção e saiu correndo — deixando para trás uma pilha limpa de pedaços de corpo. Braços, pernas e a cabeça, tudo empilhado cuidadosamente, como se alguém tivesse arranjado assim de propósito.

Lyrate se recompôs ao lado dos fragmentos. Seus pés tocaram o chão da floresta, mas ela permaneceu imóvel. Desta vez, não perseguiu ninguém.

Sua espada se dissolveu na névoa, e ela juntou as mãos, com os dedos entrelaçados em um gesto silencioso — quase como uma oração. Seus longos cabelos vermelhos flutuavam suavemente ao redor, brilhando suavemente sob a luz da lua.

Então, a névoa ao seu redor se agitava.

Três tentáculos surgiram de suas costas. Longos, semelhantes a chicotes, e vivos — cada um feito da mesma espessa névoa carmesim. Pareciam tentáculos, mas se moviam mais como raízes, retorcendo-se e pulsando de energia.

Os tentáculos atingiram o solo com força. A terra explodiu enquanto eles se enterravam, desaparecendo em três direções diferentes em direção aos homens que corriam.

Um deles tropeçou em uma raiz. Outro olhou para trás uma única vez e cometeu o erro de diminuir a velocidade. O terceiro tentou pular nas árvores para escapar.

Não funcionou.

A terra sob cada um deles se abriu, e os tentáculos emergiram novamente. Cada um envolveu um homem pela cintura, enrolando-se apertados como uma cobra. O ar se encheu de gritos e gritos de pavor, mas os tentáculos já estavam arrastando-os para trás — puxando-os pelo chão da floresta como sacos de carne, chocando-os contra árvores e rochedos.

Eles lutaram, claro. Um lançou uma bola de fogo. Outro tentou cortar o tentáculo com sua lâmina. Mas era inútil. Seus ataques atravessavam a névoa, e os tentáculos simplesmente se regeneravam enquanto puxavam os homens para dentro deles.

Lyrate ficou esperando.

No momento em que eles chegaram até ela, a névoa que os segurava brilhava intensamente, e os três homens foram derrubados ao chão diante dela. Suas armas caíram ao lado. Ainda estavam vivos. Gemendo, ensanguentados, com os rostos pálidos de terror.

Os tentáculos se dispersaram na névoa, e então ela se moveu.

Sua espada reapareceu em suas mãos de forma tão suave quanto o ar. Um relâmpago rápido, e seus gritos foram silenciados.

Mais três pilhas de pedaços de corpo cuidadosamente cortados ficaram atrás de Lyrate, o sangue espalhado pelo chão da floresta como tinta se espalhando no papel.

Eu balancei a cabeça.

“Não precisa ser tão violenta assim,” murmurei.

Ela virou lentamente a cabeça, seus olhos brilhantes fixando-se nos dois únicos sobreviventes — Bruno e Grey. Ambos tinham fugido bastante dela, tentando escapar. Observei enquanto eles se moviam entre as árvores, quase na borda da cadeia de montanhas.

E decidi ajudar.

Com um comando mental rápido, indiquei a Lyrate para ir atrás do Bruno. Eu mesmo cuidaria do Grey.

Respirei fundo e pulei do topo da montanha.

O estrondo da minha aterrissagem ecoou pela floresta. Minhas asas se abriram atrás de mim enquanto atravessava o céu da noite como um míssil. O vento uivava nas minhas orelhas, mas eu já estava acima de Grey num piscar de olhos. O idiota ainda corria às cegas por entre as árvores, sem perceber o que vinha.

Sorria.

E caí.

Meu corpo se chocou contra o chão bem na frente dele.

BUM!

A terra se abriu sob meus pés. Uma cratera pequena se formou onde eu havia aterrissado. Poeira e detritos se levantaram ao ar, girando ao redor de nós.

Me endireitei lentamente e estiquei os ombros.

“Há quanto tempo, Grey.”

Com um gesto de mão, o pó se dissipou. Nos encaramos, olhos nos olhos.

Ele congelou. Seus olhos se arregalaram. Ele recuou um passo, assustado.

Sorri e olhei fixamente nos olhos dele.

“Espero que não tenha me esquecido.”

Grey foi quem primeiro veio nos buscar — ou melhor, nos sequestrar — para este mundo. Ele tinha uma relação próxima com Huge e com o primo do Rei também. A arrogância que costumava carregar, agora havia desaparecido. Agora, só havia medo, confusão e uma raiva crescente.

O rosto dele mudava de emoção, até se firmar numa carranca.

Ele rosnou: “Foi tudo obra sua? Você entende o que fez? Isto é uma guerra contra a família Holt.”

Eu assenti lentamente, divertido com o modo formal como ele ainda falava.

Então bati palmas. “Nossa, preciso elogiar: você realmente sabe falar besteira.”

A expressão dele escureceu.

“Garoto,” ele cuspiu entre os dentes cerrados, “parece que morar na floresta te deixou louco.”

Inclinei a cabeça, fingindo pensar a respeito.

“Louco…?” Optei por dar de ombros. “Talvez. Tanto faz. Estou aqui para levar você, do mesmo jeito que você me levou lá atrás.”

Ele riu congelado e cuspiu no chão.

“Eu vou te matar—”

Não o deixei terminar.

Avancei como um relâmpago, meu corpo fechando a distância em um piscar de olhos. A diferença de poder entre nós agora era pequena. Muito pequena. Ele costumava me olhar de cima para baixo. Agora, eu podia jogar ele como uma boneca de pano.

E fiz exatamente isso.

Eu me abaixei, e minha mão acertou seu abdômen com força.

BUM!

O corpo dele voou para trás como uma flecha quebrada, atravessando árvores, com a terra voando por toda parte. Corri atrás dele em uma velocidade impressionante.

Quando ele caiu e parou, eu já estava ao lado.

Minha mão se fechou ao redor da cabeça dele.

Com um rosnado, levantei-o e o joguei no chão.

Uma vez.

De novo.

Mais uma vez.

BUM! BUM! BUM!

“Cadê o orgulho da Holt agora?” gritei.

Os membros dele se soltaram. Sangue escorria pela boca, pelo nariz e pelos ouvidos. Ossos trincavam.

Ele gemeu fraco, tentando se levantar.

Pus meu pé em seu peito e o empurrei de volta ao chão.

“Nem pensar,” eu sussurrei.

Então, recuei a mão e o dei um soco na cara dele.

Uma vez. Os dentes voaram.

Mais uma. O nariz dele quebrou.

Três vezes. O rosto começou a inchar como massa sob pressão.

Quatro, cinco, seis.

Não parei até ver o rosto dele todo roxo, como uma fruta machucada.

Finalmente, levantei-me. Minha respiração estava firme, embora meus punhos sangrassem.

Olhei para Grey.

“O fim está próximo, Grey,” disse suavemente.

Seus olhos inchados se abriram parcialmente. Parecia querer falar, mas as palavras não saíram. Sua cabeça inclinou-se de lado, e ele desmaiou.

De repente, levantei uma sobrancelha e recuei rapidamente.

BUM!!

O corpo colossal de Bruno caiu do céu como um meteoro e atingiu Grey, formando uma enorme cratera sob eles. O chão rachou. As árvores tremeram. A terra voou como uma explosão.

Pisquei.

Lyrate apareceu do outro lado da cratera, saindo da névoa carmesim como a própria morte.

Seus olhos brilhantes encontraram os meus.

Não trocamos uma palavra.

Olhei para Bruno. O homem estava irreconhecível. Seus braços haviam sumido completamente. O peito afundado, ossos trincados para dentro. A armadura pesada que usava havia se rasgado como papel, e o rosto estava inchado além do reconhecimento. Ele não estava morto, mas também não vivia.

Senti isso — sua respiração era fraca, quase imperceptível.

Depois, olhei novamente para Lyrate.

Ela não falou. Apenas permaneceu ali, silenciosa, sem emoções, sua névoa lentamente se movendo ao redor dela como um manto vivo.

Mas sua mensagem foi clara.

Ela estava me dizendo: Sou melhor nisso do que você.

Eu sorri discretamente.

“Exibida,” murmurei, balançando a cabeça.

Estava feliz por essa louca estar do meu lado.

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