Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 291

Meu Talento Se Chama Gerador

Sentado de pernas cruzadas em um dos picos, com os olhos fechados, cercado pelo silêncio da noite. Gritos distantes e rosnados guturais ecoavam por toda a cordilheira, abominações agitavam-se na escuridão, mas eu ignorava tudo.

Minha percepção focava em um único ponto, na entrada por onde os Holt costumavam entrar na região. Azalea tinha me informado que eles fariam uma investigação naquela noite. Eu apenas aguardava.

O plano era simples: eliminar o grupo de investigação, capturar um deles e levá-lo para interrogatório.

Por um instante, considerei atacar a base deles para causar o caos, mas agora que podia mover-me livremente pelo reino, esse tipo de movimento parecia desnecessário. Arriscado, até. Só iria alertá-los ainda mais.

Além disso, eu precisava de mais informações. Queria saber o que Steve andava fazendo lá fora. Quais planos tinham elaborado. E não me importaria de mostrar um pouco de força na próxima vez que aparecesse na frente de Arkas e Edgar — com resultados que eles nem poderiam imaginar.

Minha mente divagou brevemente — para North, e para a Unidade 02. Mas consegui reprimir esses pensamentos antes que se fixassem. Não queria pensar neles agora. Não neste momento.

O tempo decorria lentamente. A noite se prolongava, fresca e silenciosa, mas eu permanecia completamente imóvel, concentrado na fronteira da minha percepção.

Então… senti.

Uma perturbação. Como ondulações em água parada, um movimento entrou no alcance da minha percepção.

Um sorriso sutil surgiu nos meus lábios.

— Eles chegaram.

Doze figuras correram pelo terreno abaixo, indo direto para a cordilheira. Na frente do grupo, havia alguém que reconheci instantaneamente: Grey Holt, primo do rei.

Finalmente pude ver bem o nível dele.

[Grey Holt — Nível 186]

Impressionante, mas não o mais forte.

Meu olhar passou para outro homem que estava mais atrás, um pouco mais corpulento, andando com passos pesados, porém calculados.

[Bruno Holt — Nível 194]

Então, ele era a verdadeira ameaça.

Os demais também não eram pipoqueiros. Todos estavam acima do Nível 170. Não era uma equipe de reconhecimento; era um time de ataque de alta periculosidade.

— Perfeito.

Levantei a mão e chamei Lyrate.

Uma névoa carmesma explodiu do núcleo atrás de mim, se entoando no ar antes de repousar ao meu lado. Lyrate emergiu dela, com seus cabelos vermelhos dançando ao vento, olhos brilhando em vermelho na escuridão.

— Lyrate — digo, mantendo a voz baixa, porém firme — vá lá embaixo e elimine todos eles… exceto os dois mais fortes. Você pode feri-los, mas não pode matá-los. Quero-os vivos.

Ela não falou nada.

Senti sua concordância através do nosso vínculo mental.

Sem dizer uma palavra, seu corpo se dissolveu em neblina novamente e desceu da montanha como uma onda de morte vermelha.

A caçada havia começado.

E eu permaneci exatamente onde estava, sorrindo para mim mesmo, esperando para ver até onde minha Elfa Phantom iria se divertir.

Eles se moveram rapidamente, o grupo de doze.

Seus passos ecoaram no chão enquanto avançavam mais fundo na cordilheira, sem saber do que os aguardava na escuridão.

Foi então que tudo começou.

O som.

Uma mistura estranha — um gorgulho molhado, repentino.

Eles também ouviram.

O grupo parou no meio da corrida. Um dos homens que estavam mais atrás fez um som de engasgo. Os demais se viraram, confusos.

Então viram.

A boca dele estava cheia de sangue. Olhos arregalados, chocados. Tentou falar, mas não saiu som algum. E então, lentamente — excessivamente lentamente — sua cabeça escorregou do pescoço e caiu ao chão com um baque surdo.

— Espalhem! — gritou Bruno.

O grupo dispersou, armas em punho, formando um círculo apertado. Gritaram nomes uns dos outros, tentando entender o que acabara de acontecer.

Mas já era tarde demais.

Nevoeiro espesso, vermelho e turbulento, avançava pelo chão, girando como algo vivo. E dali, ela saiu.

Lyrate.

Ela não fez som algum. Sua espada reluzia na mão, e seus cabelos flutuavam ao vento como seda iluminada pelo fogo. Os olhos brilhavam suavemente… calmos, frios e completamente vazios de emoção.

Ela pairava a poucos centímetros do chão, com a névoa se enrolando sob seus pés.

Quando as pessoas olharam para ela, ficaram boquiabertas.

Alguém do grupo gritou.

— Uma elfa?

O homem que liderava o grupo deu um passo à frente. Sua voz era áspera e cautelosa.

— Quem é você?

Lyrate não respondeu. Ela nem sequer olhou para ele.

Em vez disso, virou lentamente a cabeça em direção a um soldado que estava à sua direita. Ele encostara as costas contra uma árvore, tentando se proteger de uma surpresa.

Mas ele já estava prestes a ser atacado.

Lyrate levantou a espada e apontou para ele.

Na sequência, uma estaca grossa de madeira saiu da árvore atrás dele, perfurando-o completamente no peito e brotando do lado de fora da armadura, levando sangue junto.

— Elon! — gritaram alguns de seus companheiros em horror.

Mas era tarde demais.

A cabeça de Elon caiu para frente, sem vida, seu corpo pendurado na estaca como uma boneca quebrada.

Desta vez, não restaram perguntas.

Bruno Holt avançou, o rosto tomado de fúria.

— Ataquem! — rosnou.

Um dos homens ao lado de Grey levantou a mão em direção a Lyrate e gritou: "Amarre!"

Raízes grossas surgiram do chão, torcendo-se e disparando em direção a ela.

Levantei uma sobrancelha, inclinando-me um pouco para frente, já imaginando o que vinha por aí.

Você não usa nada relacionado a madeira ou natureza contra ela. Era pedir para acabar mal.

As raízes que deveriam aprisioná-la desaceleraram justo antes de alcançarem seu corpo. E, como se tocadas por uma mão invisível, suavizaram-se e envolveram-na delicadamente. Flores brilhantes floresceram em suas superfícies, como uma coroa de rendição.

O homem que lançou o feitiço congelou de choque, os olhos arregalados.

Lyrate virou lentamente a cabeça e o encarou.

Então, seu corpo se dissolveu em névoa.

— Cuidado! — alguém gritou.

Lyrate reapareceu atrás dele, e com um corte limpo, sua cabeça caiu do pescoço, batendo no chão com um som surdo.

— Aaaah!

Gritou Bruno Holt.

Ele era um homem de físico grande, escultural, na meia-idade, com várias cicatrizes e carregava uma espada longa gigantesca. O rosto dele se contorceu de raiva enquanto gritou e avançou em direção a Lyrate, com a espada erguida acima da cabeça.

Ele desceu com força.

Lyrate desviou com facilidade.

BAM!

A espada de Bruno atingiu o chão como uma rocha, levantando uma nuvem de terra e grama. Mas ela não ficou para ver o tumulto.

Antes que a poeira se assentasse, seu corpo se dispersou novamente em névoa carmesma.

Um pouco depois, raízes explodiram do solo ao redor, perfurando mais dois homens do grupo dele. Os tentáculos grossos ergueram seus corpos convulsos no ar e avançaram contra os demais, como serpentes famintas.

— Espalhem-se! — rosnou Bruno.

Desta vez, eles obedeceram. Finalmente.

Os sobreviventes restantes desapareceram na floresta, com escudos elevados e magias ativas, tentando se dividir e se defender das raízes.

— Idiotas — murmurei, baixinho, do alto do meu pico na montanha.

Estavam entrando na horta dela.

E nesta horta, só ela decidia quem florescia e quem morria.

Uma onda de névoa carmesma avançou em direção a um dos homens que fugiam.

Ele olhou para trás, olhos arregalados, enquanto a névoa vermelha o perseguia como uma tempestade viva. O medo tomou conta dele e ele se virou, estendendo o braço à frente.

Um rugido de fogo explodiu na floresta escura, iluminando as árvores com luzes trêmulas. Uma grande onda de chamas avançou direto para a névoa.

Mas ela não a deteve.

O fogo se partiu ao meio, como água, e de dentro dela, Lyrate saiu. Ela balançou a espada uma única vez.

Um arco carmesmo surgiu de sua lâmina e disparou na direção do homem como um relâmpago vermelho.

Ele gritou e tentou contra-atacar com sua própria espada de fogo. As duas fizerações se chocaram no ar, uma onda de choque se espalhou e balançou as árvores ao redor. Folhas voaram, fumaça se enroscou, poeira obscureceu a cena.

Quando tudo se acalmou, o bosque ficou em silêncio novamente.

E o homem?

Ele pendurava no ar, sem vida, atravessado no peito por um galho de árvore que antes não estava lá. Como uma estaca, atravessou-o, sustentando-o a poucos metros do chão, com os braços flácidos e a cabeça caída para frente.

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