
Capítulo 305
Meu Talento Se Chama Gerador
“Você conseguiu uma namorada nova ou algo assim?” sussurrou Steve.
Revirei os olhos e dei uma risadinha, quase inaudível.
“Não, cara. Não é bem assim.”
Então eu cochichei: “Lyrate, sai.”
Enviei um sinal mental para o núcleo, e imediatamente, uma névoa carmesma emergiu do meu peito. Um instante depois, Lyrate apareceu ao lado do sofá, flutuando graciosamente como uma rainha fantasma convocada do além.
Seus olhos vermelhos se mexeram lentamente, percorrendo o cômodo e, então, fixaram-se em Steve.
Senti um choque súbito através da minha ligação mental com ela. Ela estava decidindo se deveria ou não matá-lo. Não precisava de palavras. Aquilo — aquela aura julgadora, que escaneava a alma — dizia tudo.
“Lyrate!” chamei rapidamente, endireitando-me. “Este é meu melhor amigo, Steve!”
Olhei para Steve e quase não consegui conter a risada.
Ele estava parado como uma estátua, com a boca escancarada e olhos arregalados, como se tivesse acabado de ver uma deusa ou um anjo da morte muito estiloso.
“Uhh… oi?” conseguiu gaguejar.
Lyrate não respondeu. Simplesmente flutuou ali, elegante e silenciosa, claramente sem se impressionar.
Bati nas costas de Steve.
“Relaxa, ela não morde.”
Steve não desgrudou o olhar dela. Ficou fixo na névoa vermelha ao redor de Lyrate, como se estivesse assistindo a uma bomba prestes a explodir.
Depois, virou-se para mim e perguntou: “Não me diga que ela é tipo a Silver.”
Eu fiz um pequeno sinal de cabeça.
“Algo assim.”
Seus olhos se voltaram para ela novamente, observando o movimento da névoa carmesma e o brilho intenso de seus olhos vermelhos.
“Ela é uma Elfa,” murmurou baixinho.
“Sim. Uma rainha elfa, na verdade.”
Ele soltou um suspiro dramático e longo.
“A vida é um puta injusta.”
Revirei os olhos e dei um tapinha no ombro dele, sorrindo.
“Relaxa, posso pedir para ela ser sua amiga, se quiser.”
Ele bateu na minha mão e se afastou.
“Sai fora.”
Depois, ele se levantou e deu mais uma olhada em Lyrate, antes de olhar de volta para mim. “Ela consegue usar espada?”
Assenti.
“Ela é insanamente boa nisso.”
Ele levantou as sobrancelhas, interessado.
“Posso treinar com ela?”
Imediatamente, balancei a cabeça.
“Ela está no nível 199.”
Seus olhos se arregalaram. Ele deu um passo para trás, apontando para mim como se eu tivesse traído a ordem natural do universo.
“Você tem uma invocação no nível 199?!”
Inclinei-me na cadeira, cruzando as pernas, e respondi de maneira casual:
“Sim.”
Steve deu um passo de um lado para o outro, murmurando baixinho: “Nível 199… Isso não é uma invocação, é um chefe final da campanha em vivo.”
Sorria.
“Então, tente não ofendê-la,” dei uma risadinha.
Steve se acomodou ao meu lado, massageando o rosto como se estivesse tentando processar tudo de uma só vez. Depois, voltou o olhar sério para mim.
“E quanto àquele favor que você mencionou?” perguntou em voz baixa. “Quando podemos fazer?”
Seu tom de voz me fez pausar. A expressão de sorriso sumiu do meu rosto na hora em que enxerguei o olhar dele — concentrado, decidido. Não era mais só curiosidade. Ele realmente precisava disso.
Levei um momento para pensar em tudo: o tempo limitado, o pedido do imperador, a operação que poderia estar por vir. E, finalmente, respondi:
“Logo depois que encontrar minha vó.”
Ele levantou as sobrancelhas.
“Tão rápido assim?”
Assenti.
“Pois é. Talvez estejamos indo para uma operação em um ou dois dias. Essa noite pode ser a única oportunidade que tenho. Depois, as coisas vão ficar mais complicadas.”
Ele não discutiu, apenas assentiu silenciosamente, compreendendo.
Alonguei os braços, me pus de pé.
“Beleza, então. Você fica aí com a Lyrate. Eu vou tomar um banho de verdade.”
Steve lançou um olhar para Lyrate, que flutuava calmamente perto, e depois olhou para mim.“Tenho certeza que ela não vai… você sabe, apunhalar eu ou transformar em vaso de planta ou algo assim?”
Massageei o queixo, fingindo pensar profundamente. “Hmm… ela não deveria. Mas se ela fizer isso, prometo que vou vingar você.”
“Muito reconfortante,” ele murmurou sem expressão.
Ri e dei uma palmada no ombro dele.
“Você vai ficar bem. Só não tente paquerar ela. Ela tem aquela vibe de rainha antiga — não tem paciência pra bobagem.”
Com isso, virei e segui para o banheiro, já imaginando a água quente e o silêncio. Depois de tudo que passei, um banho decente parecia quase um luxo.
Sai do banho, joguei uma camiseta por cima da cabeça e ajuste nos joggers. Quando entrei na sala de estar, pausei por um instante. Steve estava no sofá, totalmente absorvido na notícia. Flutuando ao lado dele, Lyrate observava silenciosa, com uma intensidade perturbadora na TV.
Pisquei, surpreso por vê-la tão concentrada na televisão. Mas logo dei de ombros e continuei.
Quando me aproximei do sofá, pronto para me acomodar ao lado de Steve, de repente ouvi o som de um carro chegando na frente de casa.
Meus sentidos se aguçaram imediatamente, escaneando a entrada.
Era ela.
A vovó estava saindo do carro.
Meu coração deu uma acelerada.
Sem perder tempo, desinvoco Lyrate, a névoa carmesma desaparecendo de volta para dentro do meu peito.
“Ela chegou,” sussurrei para Steve, de forma tranquila.
Ele assentiu também, levantando-se.
Virei na direção da porta e esperei.
Segundos se passaram.
O cadeado clicou.
A porta se abriu lentamente.
Ela entrou, ainda vestido com o uniforme militar habitual, olhos piscando e depois fixando-se em mim.
Ficamos parados por um segundo, apenas nos olhando.
O rosto dela suavizou. O meu, já tinha se acalmado.
Avancei um passo e não disse uma palavra. Simplesmente envolvi os braços nela.
Seus braços lentamente subiram e me envolveram de volta, firmes e quentes.
“Senti sua falta,” cochichei no ombro dela.
Ela passava a mão nas minhas costas suavemente.
“Estou feliz por você ter voltado,” disse suavemente. “De verdade.”
Assim, uma tristeza se esvaziou do meu peito. Voltei a me sentir em paz.
Afastei-me para olhá-la melhor. Ela parecia igual, calma e composta, mas podia perceber o nervosismo por trás dos olhos dela.
Ela me estudou por um momento, então falou:
“Você ficou mais forte.”
Assenti, sorrindo sutilmente.
“Fiquei sim.”
Ela inclinou a cabeça.
“Então… sua missão acabou?”
Dei de ombros pequeno.
“Mais ou menos.”
Os olhos dela se estreitaram um pouco enquanto ela trocava olhares entre mim e Steve, e então entrou mais na casa.
“Você comeu alguma coisa?”
Assenti.
“Sim, peguei algo lá fora.”
Ela levantou uma sobrancelha.
“Então… não quer que eu cozinhe algo pra você?”
Fiquei surpreso, pegando de surpresa.
“Umm… acho que ainda estou com um pouco de fome. Steve?”
“Huh? Ah — sim, eu também,” respondeu rapidamente, pegando o recado.
Ela sorriu.
“Boa. Espere na sala de jantar. Eu vou me arrumar e fazer alguma coisa bem rápido.”
Assenti e dei um empurrãozinho leve em Steve em direção à sala de jantar.
Ficamos lá esperando enquanto ela se movia pela cozinha. Os sons familiares faziam tudo parecer um pouco mais real novamente.
Olhei para Steve.
“Ei, por que Arkas ficou tão bravo com o Dante?”
Steve levantou uma sobrancelha.
“Você não sabe?”
“Saber o quê?”
Ele recostou-se na cadeira.
“Bom, como você já deve ter percebido, o Dante é meio… difícil de prever. É tipo o chefe do submundo do nosso Império… uns negócios de sombra, um pouco de matador de aluguel. E ele levou a North.”
Minha expressão endureceu.
“Ele levou ela? Como assim?”
“Quer dizer,” ele esclareceu, “ele a fez sua aprendiz ou estagiária. Tipo uma futura assassina, aluna ou o que seja. E Arkas está cobrando, porque o irmão da North entrou para Dante antes dela.”
Fechei os olhos, tentando processar aquilo. Uma parte de mim queria rir da dramaticidade, mas também fiquei com pena do Arkas.
De qualquer forma, murmurei:
“Talvez não seja coisa tão ruim assim.”
Steve inclinou a cabeça.
“North é ambiciosa. Se Dante pode ajudá-la a ficar mais forte, talvez seja o melhor. Ela vai ganhar poder e treino.”
Ele deu um sorriso amarelo, com os lábios apertados.
“Sim… mas acho que Arkas não vê assim.”
“Óbvio,” eu sorri maliciosamente. “O cara deve se sentir como se toda a família dele tivesse sido sequestrada por um tio duvidoso.”
Steve riu alto.
“Exatamente isso.”