
Capítulo 297
Meu Talento Se Chama Gerador
***** [Ponto de vista de Edgar]
— É ele. É verdade. Quer me acompanhar? — Perguntei, quase sem conseguir segurar o sorriso na voz.
Arkás não compartilhou do meu entusiasmo. Seu tom monótono ecoou através do telefone.
— Sem necessidade. Apenas informe ao Imperador. — Respondeu.
Assenti, mesmo ele não podendo me ver. — Pode deixar. —
A ligação terminou com um clique suave. Joguei o telefone no bolso e me virei, só para encontrar Steve ainda suspenso no ar — completamente envolto pelas minhas sombras, com os braços abertos como se estivesse numa pintura dramática de um museu caro.
Ele levantou uma sobrancelha.
Suspiro.
— Você podia ter dito alguma coisa. — Comentei.
Steve sorriu.
— Achei que fosse deixar você terminar antes de interromper. Sabe, profissional. — Disse, de maneira descontraída.
Com um gesto casual, as sombras se desprenderam dele e recuaram como gatos assustados ao chão. Steve aterrissou de ponta, deu uma sacudida, completamente indiferente.
— Sabe, — ele falou, caminhando até a mesa dele, — quando mandei aquele e-mail, esperei uma resposta. Talvez um “obrigado, Steve” ou um “bom trabalho”. Não um ninja-assassino invadindo meu quarto e me jogando como um pano de chão. —
— Você devia saber que uma mensagem dessas não se escreve por e-mail, — refleti. — Passou um susto no Arkás. Tive que confirmar. —
Steve sorriu de lado e se jogou na cadeira.
— Ele está vivo e bem o suficiente para mandar a boca. Acho que meu e-mail cumpriu o seu papel. —
Assentei com a cabeça e me virei em direção à porta.
— Dá um oi ao Imperador por mim, — Steve gritou atrás de mim.
— Não, — respondi, já desaparecendo numa sombra difusa.
Reapareci do lado de fora do escritório do Imperador. Os corredores estavam silenciosos, o chão de mármore vibrava levemente com os fios de Essência entrelaçados nele. A porta era simples, com pouca decoração, mas pulsava com energia, graças às runas gravadas nela.
Antes que eu pudesse erguer a mão para bater, uma brisa leve passou por mim. Alguém tinha chegado.
Um homem de preto elegante estava à porta do escritório. Cabelos prateados até os ombros. Um manto que ondulava como se tivesse vontade própria. Damian Rayleigh, a sombra pessoal do Imperador.
Ele olhou para mim com a expressão habitual, indecifrável.
— O Sua Majestade está aí dentro? — Perguntei.
Ele assentiu uma vez. — Está.
— Preciso de uma audiência de emergência. É urgente. —
Por um momento, Damian ficou em silêncio. Depois, com a mesma graça silenciosa de sempre, deu um passo à frente e desapareceu dentro do escritório, como uma sombra que se funde na tinta. Os portas se abriram suavemente um segundo depois.
Entrei e imediatamente me dei de joelhos.
— Sua Majestade. —
O Imperador Lucien Rayleigh olhou para cima do documento na mão, os olhos afiados apesar da hora avançada.
Ele ainda vestia as roupas formais, azul royal profundo com detalhes dourados, embora a coroa estivesse repousada na mesa. Ao seu lado, Damian reapareceu e retomou seu lugar à direita do Imperador.
— Levante-se, Edgar, — disse Lucien. — Qual motivo o traz aqui nesta hora? —
Levantei-me com postura firme. — Temos confirmação. Billion Ironhart saiu do reino. —
Os olhos de Lucien se arregalaram ligeiramente, uma expressão que para qualquer outro soaria como um verdadeiro estouro de raiva.
Damian piscou, sua cabeça se mexendo sutilmente enquanto processava a informação.
— Você tem certeza? — ele perguntou.
— Sim, Your Majesty. A confirmação veio do Steve. Eu verifiquei pessoalmente. —
Lucien recostou-se, os olhos estreitos em um pensamento sóbrio. — Então o garoto sobreviveu, afinal… —
— Sim, Arkás está a caminho de trazê-lo de volta, — respondi.
O ambiente ficou em silêncio.
Então, Lucien levantou-se.
— Damian, — ele falou, — informe a Arkás que ele deve trazer Billion direto para a capital. Sem desvios. —
Damian assentiu uma vez e desapareceu sem fazer som.
Lucien virou-se para mim, com um tom mais frio. — Também precisaremos do Dante. —
Hesitei. — Deseja que ele seja convocado... formalmente? —
O olhar de Lucien era tão firme quanto pedra.
— Não. Apenas certifique-se de que ele entenda... isso não é opcional. —
Curvarei-me novamente. — Entendido. —
— Vá, — ele disse simplesmente, já voltando ao seu desk.
Assenti com firmeza e saí do escritório do Imperador. Assim que as portas se fecharam atrás de mim, corri pelo corredor, sombras deslizando sob meus pés para acelerar meu movimento. Não havia tempo a perder. —
Cheguei à biblioteca do palácio em poucos segundos. Empurrei as portas e entrei, o cheiro de papel antigo e madeira polida me invadindo.
Os corredores principais estavam vazios, com lanternas flutuantes lançando luz tênue. Naveguei com prática entre as estantes altas, até chegar a um canto isolado do ala leste.
Lá, escondido entre uma fileira de pergaminhos esquecidos e uma cabine de leitura vazia, havia uma das peças mais estranhas de todo o palácio: uma estátua de um coelho.
Quase três pés de altura, feita de mármore branco que brilhava suavemente sob a luz das lanternas. Orelhas longas erguidas, olhos esculpidos com precisão assustadora. Totalmente deslocada para o restante da biblioteca formal e régia.
Ficando de joelhos na frente dela, falei calmamente.
— A criança voltou. O Imperador chamou uma reunião. —
Pauso, depois acrescento: — Obrigatória. —
As palavras ficaram suspensas no ar por um segundo. Então, os olhos da estátua piscaram suavemente, como se tivesse reconhecido a mensagem.
Levantei-me e exaltei, a tensão se esvaindo dos meus ombros como um casaco descartado. As tarefas estavam feitas. As engrenagens estavam em movimento. Agora, é só aparecer na reunião e assistir à tempestade se formar.
Um sorriso brincou nos meus lábios.
Agitei a mão, puxando uma garrafa elegante e fosqueada de licor escuro do meu anel espacial. A tampa abriu com um chiado suave. Dei um gole — suave e ardente, exatamente como gosto — e encostei na coluna mais próxima.
Caminhei calmamente para frente, assobiando baixinho e saindo da biblioteca com um passo tranquilo e um sorriso satisfeito.
— Que o caos comece. — murmurei.