Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 295

Meu Talento Se Chama Gerador

Empurrei a porta do Jona’s Diner e entrei. O aroma quente de carne grelhada, manteiga e ervas invadiu imediatamente meu olfato.

Era uma mudança bem-vinda em relação ao ar seco e empoeirado do deserto. O lugar era bem maior do que eu esperava. Só o saguão tinha piso de madeira polida, iluminação dourada suave e uma escadaria larga que se curvava para os andares superiores.

Meus olhos percorreram o espaço. Famílias reunidas ao redor das mesas, casais cochichando em cabines, e viajantes solitários sentados no bar, bebendo devagar. Todo mundo parecia relaxado—como se não tivessem nada a temer.

Uma garçonete se aproximou, e eu notei ela imediatamente.

Ela era bonita, com cabelo castanho-avermelhado até os ombros, preso casualmente em um coque frouxo, e olhos da cor do âmbar. O uniforme dela estava bem passado, e ela se movia com uma confiança calma que só vem de fazer algo mil vezes.

"Boa noite, senhor," ela disse, oferecendo um sorriso educado. "Mesa para um?"

"Sim," respondi, retribuindo o sorriso dela. "E… se puderem me atualizar sobre as notícias recentes, seria útil. Tenho estado um pouco desconectado."

Ela inclinou a cabeça, curiosa, mas sem parecer invasiva. "Claro. Vou arrumar uma mesa privativa e algo para você assistir às notícias."

Ela virou-se e me levou até as escadas, subindo ao segundo andar. Segui ela por fileiras de mesas até chegarmos a uma cabina pequena, meia-aberta, perto do canto. Tinha uma vista perfeita do salão abaixo, mas ainda assim me dava alguma privacidade.

Encostei na cadeira. "Ótimo lugar."

"Pensei que você ia gostar," ela disse, sorrindo um pouco mais. "Já já trago a conta."

Enquanto ela se afastava, me reclinei e ativei minha percepção.

Fios de sons vieram de todos os lados—conversas casuais, talheres batendo, risadas, brigas ocasionais entre amigos. Filtrei tudo rapidamente, tentando captar algo importante.

Logo, a garçonete retornou com um tablet de metal prateado. Ela o colocou à minha frente, tocou na tela, e ela se desbloqueou, transmitindo uma reportagem ao vivo.

"Me avise quando estiver pronto para pedir," ela disse, então me deixou à vontade.

Assenti e foquei na tela.

A primeira manchete me atingiu forte.

"FERANS CHEGAM À TERRA PARA ENCONTRO HISTÓRICO COM IMPERIO"

Piscou os olhos. "Que diabos?"

Ferans estavam vindo para Vaythos.

A notícia me surpreendeu. E, presumindo que Steve já tenha informado a eles o que precisava, isso deveria ter sido cancelado.

'Talvez eles tenham algum plano', pensei.

"Quando aconteceu isso?" murmurei para mim mesmo, passando pelos outros canais. Todas as principais redes estavam cobrindo o mesmo evento. Algumas tinham ângulos diferentes ou painéis de especialistas, mas a mensagem era a mesma: os Ferans estavam chegando para se encontrar com o Imperador.

Procurei mais fundo, navegando por outras notícias. Alguns relatos surgiram sobre ataques de Abominações, espiões Pêanu, e assim por diante, mas a notícia mais quente ainda era a chegada dos Ferans.

Balancei lentamente a cabeça, tentando entender. "Que jogo eles estão jogando?"

Justo então, a garçonete voltou. "Já decidiu o que gostaria?"

Olhei para ela. "Sim. Traga uma mistura—os melhores cortes de carne que tiver. Todos eles. Grelhados, assados, o que tiver. E um destilado forte para acompanhar."

Ela riu suavemente, anotando. "Mais alguma coisa?"

"Na verdade, sim. Pode embalar uma porção extra de carne pra viagem? Só uma porção consistente. Vou precisar mais tarde."

"Claro," ela respondeu, fazendo uma pequena reverência antes de se afastar.

Me reclinei e deixei o olhar vaguear pelo ambiente. Famílias rindo, amantes se aproximando, crianças implorando por sobremesas.

O cheiro de especiarias assadas e carne fritando me puxou de meus pensamentos. A garçonete voltou desta vez com uma bandeja grande equilibrada facilmente numa mão.

Ela colocou diante de mim um bife grosso, suculento, com crosta de pimenta, e outros pratos com diferentes tipos de carne.

Meu estômago roncou.

O álcool veio em um copo alto—âmbar escuro e forte o suficiente para eu sentir o ardor antes mesmo de chegar aos lábios.

"Aproveite," ela disse com um sorriso, então se afastou novamente.

Me joguei na comida sem hesitar, devorando tudo como uma fera faminta.

Na metade, fiz uma pausa e a chamei de volta. Ela chegou em poucos segundos.

"Posso usar seu telefone por um momento? Preciso fazer uma ligação, e estou off the grid há um tempo."

Ela hesitou, depois assentiu e me entregou um telefone preto bem fino.

"Obrigado," disse, discando um dos dois únicos números que me lembro.

A linha tocou duas vezes antes de aparecer a voz do Steve, casual e curioso.

"Alô?"

Não pude evitar um sorriso de canto enquanto me recostava na cadeira. "Oi, docinho, sentiu minha falta?"

Houve uma pausa. Dois segundos completos de silêncio antes da resposta secamente deadpan dele.

"Não lembro de te passar meu número, Samantha. Como você conseguiu?"

Quase cuspi minha bebida. "Queagueu."

Ele explodiu de rir do outro lado, claramente se divertindo. "Caramba, é mesmo você. Onde você tá?"

"Continente Ocidental. Caltech," respondi, olhando casualmente pela janela do restaurante.

Houve um breve silêncio antes dele responder: "Entendi. Adivinha onde estou?"

Levantei uma sobrancelha. "Conte."

"Capital. Palácio Real."

Dei um assobio baixo. "Pois é... será que o Imperador te adotou ou algo assim?"

Ele riu. "Ainda não. Tô tentando impressionar ele, sabe? Charme e talento nato."

Concordei, sorrindo. "Tenho orgulho de você, meu amigo. Pena que o Imperador não tenha uma filha. Se tivesse, dava pra tentar casar você com ela."

Ficamos em silêncio por alguns segundos.

Então, a voz do Steve ficou um pouco mais séria, mas sem tensão. "Então... notícia boa ou ruim?"

Sem hesitar. "Só notícia boa."

"Legal," Steve suspirou aliviado. "Gostei disso."

Me inclinei pra frente, com expressão séria, e perguntei aquilo que vinha me incomodando desde que saí do reino.

"E essa história de os Ferans chegarem ao planeta? Pensei que você tivesse deixado claro pros superiores que esses bandidos são inimigos."

Steve soltou um suspiro longo do outro lado. "Fiquei sabendo. Acredite, eu dei meu jeito. Mas, quando saí do reino, essa reunião já tava em marcha. Foi combinada há semanas."

Franzi o rosto, batendo os dedos na mesa. "Ótimo."

"Pois é," ele respondeu. "Enfim, te conto tudo quando estiver aí. Quem quer que eu mande pra te acompanhar?"

"Arkas," respondi na hora.

"Entendido. Avisarei ele. Até logo, parceiro."

"É, até logo."

Desliguei a ligação e coloquei o telefone na mesa, minha cabeça já fervilhando com perguntas e possibilidades.

Sem perder tempo, me joguei novamente na comida, agora bem mais rápido que antes. Sem tempo para mastigar tranquilamente ou saborear os sabores. Eu tinha o que precisava, e a ideia de finalmente voltar à ação acelerou meu apetite.

Limpei a boca e dei uma goleada na minha bebida de uma só vez.

Com um suspiro satisfeito, levantei-me, peguei o pacote de carne que encomendei para a Silver, e pedi que colocassem a conta na minha identidade de condicional.

Saí do restaurante com a noite quente acariciando meu rosto. As ruas ainda vibravam com conversas e movimento, mas eu já tinha terminado de me camuflar.

Um sorriso cruzou meus lábios ao deixar a cidade para trás e seguir na direção de onde a Silver me esperava.

Arkas já estava a caminho.

E isso significava que tudo finalmente começaria a se mover.

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