
Capítulo 253
Meu Talento Se Chama Gerador
A espada de Steve cortou o ar, brilhando com uma luz afiada e mortal. Era rápida—demais—rumo direto ao pescoço de Ana. Não houve hesitação no movimento, nenhuma compaixão na mão dele. O momento parecia definitivo.
Antes que a lâmina tocasse sua pele, Ana gritou em pânico.
"Estoooobe!"
Mas o braço dele não parou. A mão não tremeu. Seus olhos estavam frios, focados.
Então vieram as palavras que fizeram a espada parar no meio do movimento.
"Pare! Há um traidor no seu Império!"
A lâmina parou—apenas a um centímetro do pescoço dela.
Ana tinha os olhos fechados de tanta tensão, esperando a morte. Quando percebeu que ainda respirava, abriu-os, arfando por ar. Seus olhos iam de uma espada imóvel ao rosto de Steve. Ela falou rapidamente, a voz trêmula, mas desafiante.
"Você não sabe quem eu sou. Sou neta do chefe da Tribo do Mutum Branco. Ele é um Grandes MESTRE! Se você me matar, nunca mais terá paz de novo!"
Os olhos de Steve não vacilaram. Ele empurrou a lâmina pra frente—só um pouco—and a ponta cortou seu pescoço, deixando uma linha fina de sangue.
Ele se inclinou e sussurrou: "Mais algum recado?"
O rosto de Ana se contorceu de choque. O medo dela se desfez, substituído pela raiva. Ela gritou como uma fera selvagem.
"Você é, porra, um idiota, seu mutante humano?! Como se atreve a tocar em mim?"
Meus olhos se estreitaram.
Isso… foi inesperado. Eu achava Ana doce, talvez um pouco teimosa, mas nada assim. Agora, com a máscara rasgada, não tinha certeza de quem eu estava olhando.
Ela continuou, a voz subindo com cada palavra.
"Você deveria estar grato por eu sequer ter olhado pra você. Eu deixei você ficar ao meu lado, deixar você me chamar de amiga. Sabe o que eu poderia fazer com um comando? Humanos rastejariam, implorariam, obedeceriam qualquer coisa que eu dissesse! E você——me ameaça?!"
Levantei-me lentamente, soltando uma respiração longa. Então, essa era a verdadeira face dela.
Estávamos completamente enganados sobre ela.
Ela não era bondosa. Não era indefesa. Era perigosa. E pior—ela sabia demais sobre mim. Sobre coisas que não tinha direito de saber.
Steve e eu não precisávamos falar para entender o que vinha a seguir. A menos que Lily nos impedisse, a história de Ana terminaria ali. Mas não antes de tirar cada gota de verdade dela.
A espada de Steve começou a crepitar com raios, brilhando com puro poder. Sua voz era calma, mas firme.
"Da próxima vez que abrir a boca, melhor dizer o nome do traidor no nosso Império. Dizer qualquer outra coisa, e eu acabo com você."
Pousei ao lado dele, olhos fixos em Ana. Eu podia ver—fúria pura em seu rosto. Ela não estava apenas com raiva. Sentia-se insultada, desrespeitada, impotente. Essa era a verdadeira dor dela.
Ela fechou os dentes e rangeu: "Como posso saber que você não vai me matar mesmo assim?"
Steve nem piscou.
"Você não sabe," ele respondeu simplesmente.
Seu lábio torceu de nojo.
"Então, escolho morrer sem te contar porcaria nenhuma. Vá em frente. Faça isso. Você não tem ideia do que está vindo para seu pequeno Império."
Respirei lentamente, deixando o silêncio que se seguiu se arrastar.
E então… minha vontade explodiu como uma tempestade descontrolada.
O chão de madeira sob mim rangeu e gemeu sob a força da minha presença. Até os raios que dançavam na espada de Steve pareciam hesitar, acalmando-se de seu crepitar violento, como se também sentissem a mudança.
Mas eu não parei aí. Peguei toda aquela pressão, aquela tempestade crescente de controle, e a descarreguei diretamente na mente de Ana.
Não falei. Não precisava.
O que projetei por meio da minha Psicoespe foi simples—brutal.
Ela não era nada. Uma criatura insignificante. Uma ave indefesa, presa sob o olhar de um predador tão acima dela que até a resistência parecia patética.
Seus olhos se arregalaram. O orgulho que até então carregava em seu rosto se esfarelou como vidro partido.
Ela sentiu isso. O peso. A humilhação e sua fraqueza na situação.
Mas eu não me importei.
Com um pensamento, forcei que ela abaixasse a cabeça. Os joelhos dela tremiam, mas o corpo permanecia rígido. Sua mente lutava, mas minha Psicoespe—evoluída, lapidada, transcendente—rasgou suas paredes mentais como se fossem papel.
A cabeça dela caiu. Os olhos fixos no chão.
Ela olhava para nossos pés como uma serva que acaba de perceber seu lugar.
Eu me aproximei mais e falei, a voz firme e fria.
"Sabe, Ana… talvez eu não saiba exatamente o que os ferans estão planejando de verdade. Talvez eles até consigam queimar meu mundo até as cinzas."
Me agachei um pouco, suficiente para encarar seu olhar abaixado.
"Mas agora eu sei o que fizeram com a Azaleia. O que estão fazendo com as Nagas agora."
Empurrei-me mais pra perto.
"E fico pensando… quando as Nagas descobrirem a verdade, misturada a algumas mentiras cuidadosamente colocadas por mim sobre os tormentos que seu povo aguentou aqui, o que você acha que elas farão em troca?"
Ela permaneceu em silêncio, os olhos fixos no chão.
"Se você quer pelo menos uma chance de sobreviver, então abra a boca e nos diga tudo que sabe. Porque, de qualquer forma, Lily pode nos enviar para fora. E, quando estivermos fora, tudo que preciso fazer é gritar—contar ao mundo o que vi aqui.
Vamos ver quem sobrevive no final——vocês, ferans, ou nós."
Levantei-me, o olhar fixo nela, esperando.
Mas antes que Ana pudesse falar, Steve entrou na conversa, a voz afiada.
"O que você fazia naquele espaço de bolso com Dália? Por que está neste reino?"
Alguns segundos de silêncio pesado. Então Ana finalmente falou, a voz baixa, sem resistência nenhuma.
"Vim para este reino com meu irmão. Foi a missão dele—eu só acompanhei. Quanto ao espaço de bolso… eu estava lá para estudar Dália. Queria entender como as Nagas criam seus guardiões."
Os olhos de Steve se estreitaram.
"Seu irmão? Ele é um dos contratantes?"
Ela assentiu fraquejando.
"Sim."
Sobrancelha levantou ao ouvir aquilo.
"Onde ele está agora? E quantos contratantes já foram enviados aqui?"
Ana balançou a cabeça lentamente.
"Não sei onde ele está. Mas dois ferans foram designados para este reino. Um deles é meu irmão."
Fiz a pergunta que me consumia desde que tudo começou.
"Então, por que fingiram ser amigáveis conosco? Vocês sabiam que fugimos da prisão."
Ela demorou a responder. Uns segundos até que, finalmente, falou.
"Porque vocês eram… diferentes. Uma anomalia. Eu era honesta quando disse que nunca tinha visto um humano tão forte na sua idade."
"Achei que vocês fossem ser levados de volta à prisão ou capturados pelos Holts. Mas vocês me surpreenderam de novo——desativaram os colares. Depois disso, quando me falaram sobre sua missão, decidi seguir a mentira."
Olhei pra ela, atento.
"E a parte de ter sido capturada junto com outros ferans?"
Ela abaixou a voz ainda mais.
"Também foi mentira."
Meus olhos se estreitaram.
"Os Holts sabem que vocês estão aqui?"
Ela assentiu lentamente.
"Alguns sabem. Outros, não."
'Pelo menos alguns Holts sabem que os ferans estão envolvidos.'
Steve falou antes que eu pudesse responder, fazendo a pergunta que ambos precisávamos de resposta.
"O que os ferans estão planejando? E quem é o traidor no nosso mundo?"
A boca de Ana tremia, mas ela respondeu.
"Não sei o plano completo. Nunca me contaram tudo. Tudo que sei é que envolve os mundos humanos… e o traidor é um Grandes MESTRE responsável pelo Continente Leste. Ouvi os Holts comentarem isso uma vez."
As palavras dela me atingiram como um martelo. Meu cérebro ficou totalmente em branco.
Existiam apenas dois Grandes Mestres poderosos o suficiente para se encaixar nessa descrição—Reginald e Arthur Kent. Ambos eram lendas de guerra. Confiáveis. Reverenciados.
Então, lembrei——o massacre na Unidade 77 também aconteceu no Continente Leste. A base secreta onde os Holts estavam escondidos… também ficava no Leste.
Tentei manter a voz firme.
"Você sabe qual deles? O nome?"