Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 254

Meu Talento Se Chama Gerador

Ela balançou a cabeça rapidamente.

Steve não estava convencido. Ele avançou e pressionou sua lâmina firmemente contra o pescoço dela.

"Sem mentiras", ele rosnou, com a voz baixa e ameaçadora.

Ana recuou e respondeu às pressas.

"Juro, não sei de muita coisa! Eles não me dizem esses detalhes!"

Eu estreitei os olhos e me aproximei mais.

"Então, me diga o que você sabe. Quando os planos deles vão começar? Onde eles vão agir? Quem mais está envolvido? Quais são os papéis dos Holt nisso? Você está nos dando migalhas, Ana. Isso não é suficiente."

Ela parecia sem esperança.

"É tudo o que eu sei, juro. Sou só uma seguindo eles, uma criança. Eles não me envolvem em nada sério."

Inclinei um pouco a cabeça, observando ela se contorcer.

"Entendi. Então deixe-me te perguntar outra coisa.

"Por que você veio para esta ilha mortal conosco, sabendo exatamente do Deathmist? Você sabia o quão perigoso era. Então, me diga, Ana—quem você reportou para? Ou melhor, deveria perguntar… para quem você me contou?"

O rosto dela finalmente mudou. Ela ergueu a cabeça, os olhos brilhando com lágrimas não derramadas.

Ela encarou direto os meus olhos e respondeu em uma voz baixa, trêmula.

"Para o meu irmão. Eu... eu contei a ele. Quando vocês saíram para a sua evolução. Nunca tinha ouvido falar de alguém entrando em um espaço separado só para evoluir, e eu entrei em pânico. Não sabia o que fazer."

Respirei fundo, deixando suas palavras me influenciarem.

"O que você falou para ele?"

Ela não piscou. Não desviou o olhar.

"Tudo."

Endireitei um pouco a cabeça e murmurei.

"Steve."

Sua espada crepitava enquanto raios dançavam ao longo da lâmina.

Num movimento suave, a lâmina cortou limpo o pescoço de Ana.

Seus olhos se arregalaram de choque, mas ela nem teve tempo de gritar. Sua cabeça caiu de seus ombros, rolou pelo chão de madeira e parou aos meus pés.

Olhei para ela por um momento—para a garota que uma vez sorriu e riu conosco, fingindo ser nossa amiga.

Mas essa ilusão morreu agora. Assim como ela.

Sangue escorria da cabeça de Ana, formando uma poça entre nós no chão. O cheiro metálico e afiado enchia meu nariz.

Fechei os olhos e, contra minha vontade, minha mente revisitou cada momento que compartilhei com ela. Cada olhar. Cada palavra. Cada risada.

Mas não consegui evitar duvidar de tudo.

Cada memória agora parecia uma encenação. A sua gentileza, sua curiosidade, seu apoio silencioso… tudo começava a parecer camadas de uma mentira cuidadosamente construída.

Mesmo quando ela sacrificou sua asa—não parecia mais algo nobre. Parecia que ela estava reforçando seu papel. Mantendo a fachada até o fim.

Porém, não consegui me obrigar a culpá-la completamente.

Ela fez o que precisava fazer. Talvez estivesse seguindo ordens do irmão. Talvez acreditasse que estivesse ajudando seu povo. De uma forma distorcida, ela permaneceu leal—só que não a nós.

Mas não podia deixar de questionar onde erramos. Como Steve e eu deixamos isso acontecer? Como caímos tão facilmente nisso, especialmente em território inimigo?

E então me dei conta. O erro começou muito antes da missão.

Arkas.

Ele nos contou que os Ferans tinham sido capturados. Isso plantou a semente. Já começávamos a formar uma imagem na cabeça—uma imagem de vítimas, não de inimigos. Então, quando encontramos uma garota isolada, escondida e parecendo uma donzela em perigo, não questionamos.

História dela encaixava-se perfeitamente. Muito perfeitamente.

E quando ela afirmou que não sabia dos planos dos Ferans, eu não acreditei. Ela devia saber de alguma coisa. Pelo menos, sabia que aquela história de captura era falsa. Ela fazia parte daquela mentira.

Sorri e abri os olhos.

Steve ainda estava ao meu lado, olhando para o corpo dela.

Voltei a cabeça e perguntei suavemente: "Ei. Você está bem?"

Ele não respondeu imediatamente. Apenas piscou, deu uma leve giro na espada, fazendo uma fina arco de sangue saltar da lâmina, e depois descartou o movimento. Riscou um relâmpago e a arma desapareceu de sua mão.

Ele me olhou e disse com meio sorriso: "Claro que estou. Nunca gostei de pássaros. Sempre fui mais de gato."

Depois, virou-se para Lily e se afastou do cadáver de Ana.

Mas eu sabia que era melhor assim.

Dos dois, quem mais tinha se machurado era ele. Passou três semanas inteiras com ela. Só eles dois. Conversando. Comendo. Dormindo sob o mesmo céu.

E ela os traiu.

Forcei os dentes.

Olhei novamente para o corpo decapitado dela pela última vez.

Levantei a mão.

As chamas ganharam vida, envolvendo seu corpo num instante. Carne e osso se transformaram em cinzas em segundos. Não houve grito, nem som—apenas fogo e o sussurro do adeus final.

Depois, apontei um dedo ao que restou.

Minha Essência se agitou e engoliu completamente a cinza, puxando cada traço dela para o nada. Nenhuma prova de que ela esteve aqui.

Apenas memória. E silêncio.

Me virei e olhei para Lily. Ela não pronunciou uma palavra durante tudo o que tinha acontecido.

Mesmo agora, permanecia imóvel, calma como sempre, com seus olhos grandes nos observando em silêncio.

Nossos olhares se cruzaram e quebrei o silêncio.

"Então você sabia da verdade no instante em que entramos nesse espaço, não foi?"

Sua voz era tão suave e gentil quanto sempre, mas carregava peso.

"Sim. Como poderia não saber?", ela respondeu. "Sempre estive aqui, criança. Vejo tudo o que acontece neste reino."

Assenti lentamente, a memória retornando com clareza.

A primeira coisa que Lily disse ao entrarmos neste espaço foi uma observação sobre Ana ser uma Feran. Ela percebeu na hora. Não escondeu. Eu é que não tinha percebido.

Eu tinha perdido o sinal—de novo.

Mas não havia tempo para insistir nisso agora.

Problemas muito mais urgentes nos aguardavam. Eu não fazia ideia do que acontecia lá fora. E precisávamos informar alguém o quanto antes. Tudo que havíamos descoberto aqui—sobre os Ferans, os Holts, o traidor—tinha que chegar às mãos certas.

Olhei novamente para Lily.

"Lily, mais cedo você disse que poderia nos mandar embora daqui, certo? Para onde exatamente você pode nos levar?"

Ela respondeu com aquela certeza calma.

"Posso enviá-los perto das coordenadas onde o portal foi formado. Aquele criado pelos outros humanos—os que vocês chamam de Holts."

Assenti. Era bom o suficiente. Perto, mas não tão perto.

Agitei a mão e peguei o comunicador que Edgar tinha me dado.

Virei-me e o entreguei a Steve.

"Aqui. Toma."

Steve olhou para o aparelho, o cenho franzido. Não o pegou imediatamente.

"Quer que eu vá?"

Assenti.

"Sim. É melhor que alguém explique tudo o que vimos e ouvimos pessoalmente. Eles não vão acreditar por esse comunicador, especialmente se estivermos acusando um grande mestre—ou talvez até mais de um—de serem traidores. Vão pensar que fomos capturados e obrigados a mentir."

Pausei por um momento e depois continuei:

"Então, vá. Assim que sair, entre em contato com o Edgar. Diga onde você está e o que aconteceu. Depois, siga para a capital e explique tudo em detalhes."

Ele olhou para mim e perguntou: "Qual é o plano então? Você acha que eles vão atacar os Holts ou levar as informações para os Nagas?"

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