
Capítulo 252
Meu Talento Se Chama Gerador
Encarei meu olhar para Lily, estreitando os olhos enquanto tentava novamente escaneá-la usando o sistema. Nada apareceu. Nem uma etiqueta de classe, nível ou nome. Apenas vazio.
Ela disse que carregava uma parte da alma de Azalea… então, o que ela era exatamente? Um fragmento? Um fantoche? Uma avatar? Não conseguia distinguir. Mas, fosse o que fosse, ela não era normal.
Minha mente girava enquanto juntava as peças de tudo que ela tinha nos contado.
No final, tudo remetia a Azalea. Ela foi quem permitiu que o Fantasma entrasse nela. Ela foi quem, ao falhar na fusão, deu origem ao Deathmist. Não foram os Holts ou os Contratantes, pelo menos não originalmente. Eles eram apenas saqueadores recolhendo os pedaços.
Mas o que realmente me perturbava era a implicação de que esse reino não fosse tão secreto quanto eu pensava.
Se os Ferans sabiam dele, era bem provável que tivessem contado a outros também. Talvez até vendido o conhecimento. Talvez essa tenha sido a origem do envolvimento dos Contratantes. Quanto aos Holts... ainda não entendia como eles conseguiram reivindicar esse lugar.
Então, um pensamento me atingiu, e me voltei para Lily.
"Lily, você já saiu deste reino alguma vez?"
Ela respondeu naquela voz suave e calma. "Não. Sempre permaneci aqui."
Franzi o cenho. "Então, como você sabe que os Ferans conseguiram desenvolver com sucesso um método de transformação?"
Ela falou com tanta clareza, tamanha confiança. Mas, de acordo com sua história, os Ferans tinham roubado a pesquisa de Azalea e fugido. Demonstrava que teriam levado anos—talvez décadas—para transformá-la em algo funcional.
Então, como Lily sabia que eles tinham sucesso… se ela nunca viu o mundo exterior?
Lily deu uma risada baixa e amarga antes de responder.
"Eu não saí do reino. Mas isso não quer dizer que eles não tenham entrado."
Franzi o cenho. "Quem?"
"Os Ferans", ela respondeu calmamente.
Fiquei em silêncio, atônito. Isso nem tinha passado pela minha cabeça. Eu tinha imaginado que eles tinham roubado a pesquisa e nunca mais voltado. Mas, é claro… por que não voltariam?
Lily continuou, a voz mais aguda.
"Eles voltaram—para pegar o resto da pesquisa. Talvez até para assumir o controle do próprio reino."
Apagaram as provas. Sempre tiveram medo das Nagas nesta Galáxia. E agora que o método deu certo, queriam que nenhuma pegada permanecesse. Mas foi a arrogância deles que os entregou. Eles se gabaram da 'invenção'—bem alto."
Ela bufou de raiva.
"Eles também foram a causa da queda de Iris e Rose. O Fantasma ficou mais forte ao consumir seus fragmentos. Mas desta vez… nós matamos todos os cinco Ferans que entraram no reino."
Eu pisquei forte várias vezes.
'Droga.'
Os Ferans não eram apenas inimigos aleatórios de Azalea—eram a verdadeira raiz de sua queda.
Primeiro, destruíram a experiência de Azalea, depois voltaram e provocaram a perda de dois de seus fragmentos de alma.
Olhei para Ana. Ela cruzou meu olhar, mas havia confusão nos dela—como se estivesse incerta do que pensar agora.
Então, Steve quebrou o silêncio.
"Mas… como eles conseguiram voltar se Azalea controla o reino?"
Lily olhou para ele.
"Eles arrombaram. Igual à primeira vez. E de novo, na terceira—quando trouxeram as pessoas que vocês veem lá fora."
Meu coração acelerou, quase gritando: "Espera. As pessoas lá fora… as que controlam a prisão… foram trazidas pelos Ferans?"
Lily assentiu.
"Sim. Eles trouxeram os humanos. Criaram os portais para que mais entrassem."
Fechei as mãos em punhos cerrados.
Os Holts foram trazidos aqui pelos Ferans.
Isso virou tudo de cabeça pra baixo. Até então, eu pensava que os Ferans eram as vítimas—pelas palavras do Arkas. Que eles tinham sido capturados e os Holts tentavam se aproveitar para fazer algum acordo.
Mas, se Lily tinha razão… então, eles não eram apenas vítimas. Faziam parte disso. Ou estavam apoiando o Império—ou planejaram conquistar um pedaço do nosso mundo para si.
Meu maxilar travou.
Não, eu precisava saber.
Minha percepção se espalhou pelo salão inteiro. Mantive o olhar fixo à frente e murmurei baixinho.
"Congela."
A essência ardeu invisivelmente. O corpo de Ana ficou rígido abaixo do pescoço.
"Billion?" ela exclamou chocada.
Steve olhou para mim, tenso.
Não olhei para ela. Mantive a voz calma.
"Ana… quanto você sabe? Seja honesta comigo. Você foi realmente capturada? Ou tava fingindo?"
Porque agora o pior cenário começava a parecer possível.
E se Ana fosse uma infiltrada? Os Ferans sabiam o tempo todo sobre os guardas serpentes, o castelo, a pesquisa—e enviaram alguém para espioná-la de dentro.
Só ouvi que os Ferans eram os que estavam sendo examinados. Mas, na prisão, não vi um único Feran—nenhum. O que vi foram Nagas, presas, usadas como cobaias. Isso por si só já colocava tudo em dúvida.
E aí vinha a história da Ana.
E se fosse só isso—uma história?
Começava a parecer possível.
Se o Império foi alimentado com informações falsas? E se os Holts nunca capturaram Ferans? Se o Imperador acreditasse nisso, faria qualquer coisa para evitar conflito—talvez até convidar os Ferans para nosso mundo, na esperança de manter a paz.
E o lugar onde conheci a Ana—não foi por acaso também. Era o reino particular da Dahlia. A única razão de eu estar nesta sala foi porque usei um círculo de teletransporte escondido no espaço, um que só via graças às minhas runas.
Mas a Ana afirmou que ela simplesmente… caiu lá? Que a anciã dela tentou teletransportá-la para fora do reino e, de alguma forma, ela acabou ali?
Quanto mais pensava, mais raiva fervia no meu peito.
Ana olhava entre Steve e eu, e então finalmente falou.
"Eu não sabia de nada disso, Billion. Tudo isso… aconteceu antes mesmo de eu nascer."
Fechei os olhos e respirei fundo. A próxima pergunta que ia fazer revelaria tudo o que eu precisava saber—de um jeito ou de outro.
Abra os olhos, olhei para Lily e perguntei calmamente: "Lily, existe alguma maneira de entrar nesse espaço particular sem usar o círculo de teletransporte?"
Ela respondeu com suavidade, com um tom triste. "Não. É o único jeito."
Eu continuei. "Dahlia também está em um espaço particular? E, se sim, como se acessa?"
Lily assentiu. "Sim, ela está. O espaço dela é selado da mesma forma—só acessível por um círculo de teletransporte escondido, como este."
Antes que eu pudesse responder, a voz de Ana soou, aguda e desesperada.
"Não, Billion—não escuta ela! Ela está mentindo! Ela odeia os Ferans. Ela só está inventando coisas!"
Recordei como entrei no reino particular da Dahlia. Tinha a piscina. Depois, o caranguejo. Depois, a árvore. Dentro da árvore, escondido no tronco, encontrei o círculo de teletransporte. Usei-o para me transportar até a cabana onde a Dahlia dormia.
Comparado ao círculo de teletransporte escondido no espaço aberto que levava ao reino particular da Lily, o que me trouxe até a Dahlia mal podia ser chamado de escondido.
Lembrei claramente—segui os ratos que estavam me espionando. Eles me levaram direto para a árvore, o portal, o espaço privado.
Isso significava que eu não tinha tropeçado nele por acaso.
Fui convidado.
"Que conveniente", murmurei com um sorriso amargo.
Girei a cabeça e cruzei o olhar com Steve.
Alguns segundos passaram em silêncio—pesado, carregado.
Então, a voz de Ana quebrou a tensão, desesperada e frenética.
"Steve, por favor—não confie nela! Eu não sei de nada, eu juro!"
Steve respirou fundo, levantando-se. Um zumbido baixo encheu o ar enquanto relâmpagos piscavam em sua mão. Sua espada apareceu num clarão de faíscas azuis.
Ele virou-se em direção a Ana.
Ela ainda estava ajoelhada, completamente congelada até o pescoço—presa pelo meu comando.
Steve fixou seu olhar nela. Sua voz era baixa, calma.
"Não se preocupe. Vou terminar rápido."
Sua mão apertou o cabo com força.
Então, sem hesitar, ele direcionou a espada direto ao pescoço de Ana.