Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 267

Meu Talento Se Chama Gerador

A suave luz da força vital continuava a fluir das árvores para o corpo maciço e escamado de Azalea.

As últimas vestígios de corrupção sibilavam ao se descolar, revelando escamas azul safira brilhantes por baixo.

Eu permanecia perto, observando em silêncio, com as asas dobradas atrás de mim, Silver descansando a poucos passos de distância. A clareira pulsava com calor e restauração—a vida recuperando o que tinha sido torcido pela morte.

Seu corpo tremeu mais uma vez, dessa vez com mais força.

Então, sua cauda se moveu.

A terra trepidou um pouco sob sua forma imensa enquanto seu corpo serpenteante se enroscava suavemente. Dei um passo cauteloso para trás enquanto sua cabeça se levantava do chão, seus olhos—fissurados e brilhando com um azul oceano profundo—se abrindo lentamente.

Ela estava acordada.

Azalea se ergueu, majestosa e imponente. Sua forma de serpente tinha quase trinta metros, régia e ameaçadora, mas não havia agressividade em seus olhos. Somente confusão, e uma mistura de cansaço.

Sua voz ecoou na minha mente, profunda e antiga.

"Quem é você?"

Curvei-me levemente, com respeito. "Meu nome é Bilhão Ironhart. Vim aqui porque Lily me pediu. Ela disse que sua alma foi dividida... e que você estava lutando com a alma do Fantasma aqui."

Ela piscarou, estreitando os olhos ao ouvir falar de Lily. "Lily..."

Seu corpo imenso brilhou, com um brilho suave. Então, sem aviso, sua forma começou a se transformar. A serpente gigantesca se dissolveu em fios de luz azul, que giraram no ar antes de se condensar em uma figura humana.

Uma mulher alta agora permanecia diante de mim, descalça na grama.

A pele dela era pálida com um brilho tênue, seus longos cabelos azuis caíam até os quadris. Os olhos—ainda fissurados como de uma serpente—brilhavam com profundidade e uma autoridade silenciosa. Suas roupas eram feitas de luz de alma translúcida, que flutuava atrás dela como se estivesse levitando na água.

Azalea, em sua forma humanoide.

Ela levantou uma mão com graça natural, e o mundo ao nosso redor se deslocou instantaneamente. O espaço se dobrou—e com um pulso suave—estávamos de volta ao grande salão de madeira, ao lado dos portões fechados onde Lily esperava.

Lily abriu os olhos lentamente, sorrindo com alívio.

"Você conseguiu," ela sussurrou. "Você a trouxe de volta."

Azalea virou a cabeça, sua expressão suavizando.

"Lily, já faz tanto tempo."

Lily assentiu, afastando-se da porta. Seu corpo de madeira começou a brilhar de dentro para fora, e uma corrente de luz de alma azul emergiu de seu peito. A luz se dirigiu em direção a Azalea, pulsando com familiaridade, e sem resistência, fundiu-se a ela.

Azalea fechou os olhos enquanto o fragmento de alma se tornava completo outra vez—memórias, poder e propósito fluíam para dentro dela. Ela permaneceu imóvel por um longo momento. Depois, expirou lentamente, sua aura pulsando ao redor com graça.

Ela levantou a mão e estendeu seus sentidos para além do salão, além da clareira, por todo o reino. Suas sobrancelhas se franziram ao perceber a verdade que ainda restava de seu domínio.

"Este lugar… mudou tanto..."

Seus olhos se abriram lentamente, fixando-se em mim. Calmos, afiados e antigos. Ela não parecia confusa—apenas focada. Claramente, memórias já se agitavam por trás do seu olhar.

"Agora entendo," ela disse suavemente. "Lily me mostrou tudo."

Ela continuou.

"Os Ferans… conquistaram o controle. Manipulando os Holts das sombras, usando-os para continuar os experimentos que eu deixei para trás."

Ela deu um passo à frente, sua forma ainda irradiando aquela luz suave de alma.

Sua voz ficou mais pesada, marcada.

"Íris e Rosa… foram embora. Seus fragmentos se perderam. Consumidos por aquela coisa." Seus olhos escureceram.

"Só permanecem Lily e Dália."

Um silêncio pairou antes dela levantar novamente a cabeça. "Mas eu percebi o que Lily fez, e você também. Você encontrou uma maneira… de conquistar aquela aberração. De dominar a alma corrompida."

Seu tom não carregava dúvida—apenas uma calma admiração.

Pus um suspiro e assenti lentamente.

Azalea olhou para mim por um longo instante.

Seu lábio se curvou numa expressão de leve sorriso.

"Então, deixe-me oferecer algo em troca."

Ela estendeu a mão para o lado, e o chão fora do salão brilhou, revelando uma vista geral de todo o reino.

A base onde ficava a prisão, a floresta densa e a cadeia de montanhas.

"Este reino… ofereço a você, Bilhão Ironhart. Um presente. Antes, ela respondiam a mim. Agora, responderão a você."

Paralisei por um instante. "Você está me dando seu reino?"

"Eu não quero mais segurá-lo," ela disse calmamente. "E Lily já prometeu isso a você. Essa promessa permanece. Meu corpo foi embora, e com ele, minha chance de avançar mais em ranga ou poder. Não me sobra nada aqui—exceto passar adiante."

Ela deu um passo mais perto, a suave luz de sua forma de alma iluminando o espaço entre nós.

"Também ofereço algo mais: uma aliança. Entre minha espécie—as Nāgas—e seu mundo. Quando chegar a hora, ajudarei a construir a ponte entre nós."

Parei por um segundo, então assenti.

"Obrigado. Isso significa muito."

Porém, ela não havia terminado.

"Ainda há três fragmentos da alma do Fantasma lá fora, não é?"

"Sim," respondi. "Um nesta ilha, outro em algum lugar na cadeia de montanhas, e o último… com Dália."

Ela assentiu solenemente.

"Então, peço uma coisa mais: caçou-los. Destrua-os. Limpe o que sobrou daquela alma horrenda. Só assim serei verdadeiramente livre."

Assenti novamente, desta vez mais devagar.

Mesmo que ela não tivesse pedido, eu faria mesmo assim. Não podia deixar uma invocação como aquela incompleta.

Olhei para ela e perguntei: "Você vem comigo para a batalha?"

Ela assinalou com a cabeça sem hesitar. "Sim."

Olhei ao redor do salão grande em que estávamos, as paredes de madeira brilhando suavemente com luz de alma.

"Mas… Lily me falou que, se ela algum dia deixasse este lugar, a ilha flutuante cairia do céu."

Azalea sorriu levemente e levantou a mão.

"Agora não vai mais."

Paralisei, confuso.

Nada parecia diferente. As paredes continuavam iguais. O ar ainda carregava a mesma pressão silenciosa.

"O que você fez?" perguntei, um pouco perdido.

Ela virou-se lentamente, expressão difícil de interpretar. "Eu te mostro depois."

Então, com um gesto da mão, todo o salão desapareceu. Assim, simplesmente. Mal tive tempo de perceber a mudança antes de perceber que estávamos de volta à ilha—especificamente, nas ruínas partidas onde tudo começou.

Azalea exalou, sua visão se destacou sobre as estruturas quebradas e pedras desgastadas. O vento puxava suavemente os fios de seus longos cabelos brilhantes.

"Passei a maior parte da minha vida nesse lugar," ela falou suavemente. "Perseguindo um sonho que talvez nunca quis me seguir. Talvez eu devesse ter parado em algum momento. Apenas… deixar ir."

Senti que deveria dizer algo, então falei:

"Você só consegue dizer isso porque as coisas não aconteceram do jeito que esperava. Se tivessem… você comemoraria por nunca ter desistido."

Ela olhou para mim, soltou uma risada silenciosa.

"Quem sabe? Quem sabe?"

O momento foi breve. Uma tremedeira profunda sacudiu a ilha sob nossos pés. Olhei para cima rapidamente.

O Névoa da Morte tinha voltado.

Uma parede densa de fumaça avançou à distância, contorcendo-se como uma onda viva, com tentáculos negros e roxos se estendendo até o céu.

Rápido, voltei meu olhar para Azalea.

"Você consegue fazer algo para esconder este lugar? Se os Holts perceberem tanta atividade na ilha, vão vir investigar."

Ela assentiu com calma. "Sem problemas."

Ela levantou a mão novamente—e, assim, o mundo foi mais uma vez se transformando.

Percebi que estava flutuando em outro espaço totalmente diferente. A atmosfera era mais densa, mais abafada, como se o som estivesse envolto em tecido. Azalea pairava ao meu lado, serena como sempre. E a Névoa da Morte também estava aqui, avançando como uma tempestade oceânica, enorme e implacável.

"Este é um espaço selado," ela explicou. "Conectei-o fora do fluxo principal da ilha. Do lado de fora, tudo parecerá quieto—estático. Mas lá dentro… podemos fazer o que precisar."

Pisquei lentamente, fixando a atenção na onda monstruosa de névoa preta que se acumulava diante de mim.

"Vamos lá," eu disse, segurando firme minha bengala. "Vamos começar."

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