Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 242

Meu Talento Se Chama Gerador

Porém, aquilo me fez parar e realmente refletir—que diabos era aquilo daquele lugar para onde fui na minha evolução?

Da última vez, não passou nem um minuto quando eu voltei. Nada de tempo. Mas desta vez, se passaram três semanas inteiras. Não conseguia compreender. Não parecia haver uma regra consistente. Era como se o tempo funcionasse de maneira diferente lá… ou talvez simplesmente não se importasse com o tempo.

'Fiquei inconsciente por tanto tempo assim?'

Essa foi a única explicação que fazia algum sentido. Lembrei de ter desmaiado durante uma das fases—apenas silêncio total e escuridão. Talvez foi nesse momento que o tempo escorreu de mim.

Respirei fundo e olhei para Steve.

"Desculpe," falei baixinho.

Não tinha muito mais o que dizer. Se eu soubesse que levaria tanto tempo, jamais teria dado continuidade.

Steve apenas balançou a cabeça.

"Não é sua culpa, cara. Mas sério… o que diabos aconteceu? Por que demorou tanto?"

Conte tudo a ele—como o lugar funcionava, pelo menos pelo que consegui entender.

Quando terminei, Steve soltou uma risada curtinha e murmurou: "Por uma—."

Eu também ri, embora a culpa ainda pesasse em mim. Olhei de lado pra ele e, com um sorriso, perguntei: "Então… vocês dois ficaram sozinhos por três semanas numa floresta. Como foi isso?"

Ele me lançou um olhar sério e sussurrou de volta: "Cala a boca."

Levantei as duas mãos como se estivesse me rendendo. "Tudo bem, tudo bem."

Então, lembrei de alguma coisa. "Aliás… por que você não voltou para a piscina? Para o reino privado?"

Steve assentiu e se apoiou na árvore.

"Tava cheio de Holts naquela área nos primeiros dias," ele explicou. "A gente não queria correr o risco de serem descobertos, especialmente com a Ana preocupada com eles achando o local e capturando os amigos dela também. Então, evitamos a piscina o máximo que pudemos."

Ele fez uma pausa, depois acrescentou algo que instantaneamente mudou meu humor.

"Ah—e ouvimos uma coisa. Os Holts estavam falando em chamar alguém para ajudar. Uma pessoa boa em encontrar gente."

Meus olhos se estreitaram.

"Quem?"

Steve balançou a cabeça. "Nem ideia. Só ouvimos pedaços da conversa enquanto nos escondíamos. Eles não citaram o nome. Só que alguém vinha."

Assenti lentamente, minha mente já correndo. Se eles estavam trazendo algum rastreador… isso significava que estavam ficando sérios. E se estavam levando a sério, então Ana, Steve e eu estávamos de volta no radar deles. Talvez nunca tivéssemos realmente saído dele.

Olhei para o céu escurecendo e para as ruínas flutuantes no alto.

Levantei-me silenciosamente, escovando a sujeira das roupas. O peso do que Steve tinha me contado pressionava meus pensamentos, mas uma coisa era clara—precisava ver a Lacuna Negra com meus próprios olhos.

"Você descansa agora," avisei a Steve, já de olho nas montanhas. "Vou dar uma olhada na Lacuna Negra e volto."

Virei-me para Silver, que estava agachado perto, em sua forma bestial, com as asas calmamente dobradas ao lado. Seus olhos rubis encontraram os meus.

"Fique de olho neles," falei. "Nos dois. Não deixe nada se aproximar."

Silver não respondeu, mas eu sabia que ele tinha entendido a missão.

Sem mais palavras, comecei a me mover.

Meus passos rápidos atravessaram a floresta escura, cada um silencioso, a respiração firme. As árvores passaram velozmente enquanto ganhava velocidade, entrelaçando-me entre os troncos e pulando sobre raízes. Não demorou muito até chegar na borda—a última linha de árvores antes do terreno inclinar-se para as montanhas escarpadas.

Asas surgiram das minhas costas e eu*, voei direto para o céu. Parei no ar, pairando bem acima, com o olhar fixo na linha distante da cadeia de montanhas.

O sol já tinha se posto completamente. Mas não havia crepúsculo. Nem estrelas. Nem vento.

Apenas silêncio.

Então começou.

Do extremo da cadeia de montanhas, uma densa fumaça negra surgiu. Sem rugido, sem abafamento. Movia-se como sombra líquida, suave e aterrorizante em sua calmaria. Flutuava bem perto do topo das árvores—quase tocando as copas—enquanto se espalhava de pico em pico.

Não fazia som algum. Nem canto de passarinho. Nem folhas se mexendo. Apenas o silêncio da escuridão engolindo os gigantes de pedra, um a um.

Meus olhos se estreitaram.

Dentro da fumaça, vi movimento. As coisas estavam mudando. Não eram animais.

Aberr ações.

Formas deformadas caminhavam abertamente pela massa, seus contornos apenas meio visíveis na névoa escura. Mas o que era pior… a fumaça grudava nelas como se pertencesse a elas. Envolvia seus membros, enrolava-se por suas espinhas quebradas, infiltrava-se na pele—mas elas não tremiam. Não estavam sendo machucadas por aquilo.

Ela as protegia.

Concentrei-me mais, observando como a onda de morte negra atingia a linha de frente da cadeia de montanhas.

Então, parou.

Exatamente ali—apenas a metros do fim da floresta e do começo da encosta rochosa—a massa acertou algo. Algo invisível. Uma fronteira invisível.

A fumaça não passou além dela. Ao contrário, torcia e se enrolava ao longo da linha, voltando sobre si mesma, nunca se aproximando mais.

Fiquei ali, imóvel, observando por mais algum tempo.

Então, lentamente, desci do céu, deixando o vento me levar para baixo. Pousei suavemente na frente da parede invisível.

A fumaça negra estava bem ali, quase ao alcance de uma mão. Retorcia-se e pulsava como se estivesse viva, estendendo-se como se pudesse sentir minha presença. No instante em que meus pés tocaram o chão, a corrupção reagiu. Avançou repentinamente, atingindo a fronteira—mas não conseguiu cruzar. Parou instantaneamente, como se batesse contra uma barreira invisível.

Curioso, levantei a palma da mão e invoquei uma pequena esfera de Essência violeta. Ela girou lentamente acima da minha mão, emitindo um bauzinho suave.

A resposta foi imediata—e violenta.

A fumaça virou uma loucura. Não só na frente de mim, mas ao longo de toda a fronteira, ela se insurgiu para cima e para fora, chocando-se contra a parede invisível como uma onda derivada. Os picos tremeram sob a pressão, mas a barreira resistiu.

Fechei os olhos, diminui a Essência e, assim que a esfera desapareceu, a corrupção começou a se acalmar, ainda se movimentando, mas sem mais a fúria anterior.

Passei um passo devagar, meu coração acelerado, mas sem hesitar.

Com um dedo estendido, deslizei-o suavemente através da fronteira.

O efeito foi imediato.

A fumaça agarrou minha pele como se estivesse esperando por aquilo. Envolveu meu dedo, penetrando, tentando se infiltrar na minha carne. Sentia a podridão querendo tomar conta.

Mais e mais fumaça se acumulava na ponta do meu dedo, pressionando com mais força, de forma mais agressiva—até que finalmente passou por ela. Senti-a infiltrando-se, remexendo por baixo da pele.

Mas assim que entrou, já encontrou algo esperando por ela—minha Essência.

Puxei meu dedo de volta e observei atentamente. A fumaça corrompida que havia entrado começou a se enrolar pelo sangue e pelas fibras, tentando espalhar sua podridão. Mas não foi longe.

Minha Essência avançou como uma maré, envolvendo o invasor. Não houve luta—não houve atraso. A fumaça foi esmagada instantaneamente, vencida pela quantidade e densidade da Essência que fluía pelos meus canais.

Percebi que podia lidar com a corrupção—mas apenas pequenas porções isoladas. Não com a enxurrada esmagadora que cobria toda a cadeia de montanhas. Pensando nisso, guardei o que precisava e voltei.

No momento, meu foco deveria estar nas ruínas… e em despertar o guardião. Isso parecia mais urgente. Assim que a Ana acordasse amanhã, iríamos lá.

Abraçando minhas asas, alcei voo.

Acima das copas das árvores, as cansei, deixando o vento me levar em silêncio. Pousei suavemente, com cuidado para não fazer barulho.

Não queria que o Steve visse as asas ainda. Queria surpreendê-los os dois ao mesmo tempo.

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