Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 243

Meu Talento Se Chama Gerador

Steve ajoelhou com as pernas cruzadas e os olhos fechados, meditando silenciosamente. Ele parecia calmo, como se estivesse tentando se centrar após tudo o que havíamos passado.

Eu me deitei sob uma árvore próxima, deixando o corpo relaxar contra a grama macia. Silver permanecia silencioso de guarda a alguns passos de distância, sua presença reconfortante. Eu sabia que ele manteria vigília.

Meu corpo ainda estava mudando — fortalecendo-se, ajustando-se a tudo o que tinha adquirido com a evolução. Sentia isso bem fundo nos meus ossos, na forma como meu sangue se movimentava e minha pele formigava. Era como se meu próprio núcleo estivesse sendo reescrito, peça por peça.

E percebi que o melhor que eu podia fazer agora era deixar tudo se acalmar. Descansar. Recarregar. Curar.

Girei um pouco a cabeça e olhei na direção de Ana, que ainda estava inconsciente, com o peito subindo e descendo de forma constante. Torcia para que ela acordasse logo. Assim que pudesse se mover, planejava pegar ambos e partir rumo às ruínas.

Algo dentro de mim gritava por urgência. Uma pressão que não consegui explicar vinha crescendo desde que voltei. Não sabia o porquê, mas tinha a sensação de estar correndo contra um relógio invisível. Como se um prazo estivesse se aproximando rapidamente, e eu não tivesse ideia do que aconteceria quando o tempo acabasse.

Sorri baixinho, fechando os olhos enquanto a tensão no peito se dissipava. Por ora, tinha feito o que podia. Tinha visto a corrupção e explorado as montanhas.

Amanhã traria mais respostas — ou mais problemas.

Com esse pensamento final, minha respiração desacelerou, e a fadiga tomou conta. Minha mente se dispersou, e antes que percebesse, já estava dormindo sob o dossel escuro das árvores.


[Ponto de vista de Edgar]

Caminhei pelos longos e polidos corredores do Palácio Real, arrastando os pés como um burro velho. Estava de humor péssimo. O Imperador tinha convocado uma reunião de emergência logo pela manhã, e eu ainda não tinha me recuperado da ressaca do baile de ontem à noite.

"Me tratando como uma mula de carga xereta," murmurei baixinho. "Quando é que esses sujeitos vão se lembrar de que sou um velho?"

Poderia simplesmente ter voado até a sala de reunião — teria sido mais rápido —, mas sempre preferia caminhar quando era chamado para tarefas oficiais. Era minha maneira de lembrá-los de que já passei do auge e merecia algo melhor do que esse corre-corre constante.

Minha testa se franziu ao lembrar da mensagem que Bilion tinha enviado. Um reino que um dia pertencia às Nagas, agora dominado pelos Holt. Os contratantes também estavam envolvidos, e membros demais da família Holt tinham entrado naquele reino oculto.

Massageei a testa, o peso de tudo aquilo pressionando como uma dor de cabeça que não ia embora. O Império estava sendo puxado de todos os lados — ameaças internas e externas. Jogadores demais agindo agora, e qualquer passo em falso de nossa parte poderia lançar tudo no caos.

Porém, uma coisa todos concordavam: a família Holt tinha que desaparecer.

Eles eram o motivo pelo qual o Império estava sob intenso escrutínio, a razão pela qual poderes desconhecidos voltavam os olhos para o nosso mundo.

Ambição deles, conspirações intermináveis, disposição de sacrificar tudo só para tomar o trono — isso levou até o próprio Imperador ao limite.

Durante décadas, toleramos eles. Equilibramos sua influência. Os observávamos como uma cobra enrolada esperando para atacar aos nossos pés. Mas agora, mesmo que isso significasse nos enfraquecer no processo, o Imperador tomou sua decisão.

Aquela doença tinha que ser extirpada. De vez.

Logo cheguei à entrada da Sala Real. Inspirando fundo, empurrei as portas pesadas e entrei.

Um rápido olhar ao redor revelou tudo — todos já estavam presentes. Como de costume, eu era o último a chegar.

Minha vista varreu o ambiente, percebendo silenciosamente os rostos ao redor da sala. A maior força de combate do Império. Cada um deles uma calamidade ambulante por si só.

Dois dos Grandes Mestres mais altos de cada continente — Leste, Norte e Oeste — estavam presentes, figuras que detinham tanto poder quanto autoridade militar suprema em suas regiões.

Cada um ocupando seu assento, sua presença sozinha impondo silêncio e respeito.

O Continente Central era o coração do Império, e tinha a maior representação na Sala Real — seis Grandes Mestres ao todo. Um assento estava vazio entre eles. Aquele era meu, o Grande Mestre responsável por Assuntos Externos.

Incluídos nesses nomes de peso estavam figuras como o general militar máximo do Império, o Grande Mestre da Segurança Interna, e quem cuidava de outros departamentos estratégicos. Esses seis não eram apenas fortes; tinham autoridade que moldava todo o continente.

Juntando os dois Grandes Mestres de cada um dos continentes de Leste, Oeste e Norte, éramos treze ao todo.

E mais dois.

No centro da sala, sentado num trono de pedra negra, estava o Imperador de Vaythos — Lucien Rayleigh. Ele parecia igual de sempre: frio, impassível e régio. Seu olhar sozinho era capaz de silenciar uma sala.

Logo atrás dele, dois passos à direita, ficava Damian Rayleigh, comandante guarda-costas pessoal do Imperador. Não que o Imperador precisasse de proteção, mas tradições corriam fundo em Vaythos. Damian estava ao seu lado desde que me conheço por gente. Ele não era apenas um guarda — era um símbolo de lealdade e poder.

Ajeitei-me lentamente, ainda sentindo o peso do sono e o leve incômodo da ressaca. Meus joelhos se flexionaram enquanto me ajoelhava diante do Imperador.

"Levante-se," ele disse, com voz baixa, porém firme — como uma lâmina sendo desenhada lentamente.

Levantei-me e caminhei até o assento vazio que me esperava, acomodando-me com uma exalação cansada.

A sala parecia mais pesada do que o normal. Por mais ampla e majestosa que fosse, o espaço tinha um quê de claustrofobia — como se as próprias paredes estivessem esperando alguém falar. Todos os demais estavam rígidos, com posturas tensas, olhos sérios. Só o Imperador parecia relaxado.

Só eu parecia exausto.

Olhei para o Imperador e notei-o tocando levemente o apoio do braço do trono com o dedo. Um ritmo lento e constante.

'Será que está esperando alguém?' questionei, estreitando os olhos.

Alguns momentos depois, a porta enorme da sala rangeu novamente. Mas… ninguém entrou.

Era tudo o que eu precisava para saber.

Dante.

Ele estava aqui.

Endireitei-me quase por instinto. Minha postura se afilou, a mente se tornou muito mais alerta.

Arkas tinha buscado por esse velho por semanas, e eu tinha toda intenção de ser quem o trouxesse. Estava ficando frustrante ouvir Arkas reclamando de Dante dia após dia.

"Levante-se."

A voz do Imperador ecoou mais uma vez, calma e composta. Mas não via ninguém ajoelhado diante dele. Nenhum passo. Nenhuma presença. Apenas… espaço vazio.

Quase era engraçado.

Todos nesta sala, todos os treze de nós — Grandes Mestres do Império —, já tínhamos sido questionados alguma vez: "Você já viu Dante?"

Todos sempre disseram que sim. Mas, ao serem perguntados para descrevê-lo, as respostas nunca batiam.

Alguns afirmavam que ele parecia um estudioso de meia idade. Outros juravam que era um jovem de cabelo branco. Alguns até disseram que ele não tinha rosto algum.

A verdade?

Nenhum de nós tinha certeza.

Mas ninguém queria admitir que não podia vê-lo. Nem mesmo para si próprios. Era como admitir medo de um fantasma — e se ele estivesse de olho?

Juntei os lábios, lutando contra o impulso de rir.

O grande Dante tinha chegado, invisível e desconhecido, como sempre.

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