Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 244

Meu Talento Se Chama Gerador

Franzi levemente a testa, percebendo que não fazia a menor ideia de onde Dante tinha ido logo após entrar. Não havia assentos sobrando, então onde ele tinha se sentado? Ou talvez ele estivesse apenas de pé no meio do salão, completamente invisível para todos nós, como um fantasma metido a besta, aproveitando o silêncio constrangedor.

Os dedos do Imperador finalmente pararam de bater.

"Obrigado a todos por estarem aqui," ele disse, com a voz profunda e tranquila, cortando com precisão o ar denso. "Sei que ainda é cedo, mas a situação exige urgência."

Todos se endireitaram um pouco. Até aqueles que pareciam calmos há pouco tempo estavam agora tensos e atentos. Era possível ouvir o sutil balbuciar de vestes e armaduras enquanto todos se ajustavam para o que vinha pela frente.

"As sombras estão se movendo novamente," o Imperador continuou. "Nossas fontes de inteligência confirmaram que forças do Mundo de Peanu estão ativas em nosso território. Não abertamente — mas elas estão aqui."

Rusgas e murmúrios começaram a surgir. Algumas das grandes magias trocaram olhares. Ninguém perguntou como ele sabia. Se o Imperador dizia, era como se fosse verdade absoluta.

"E não é só isso," ele acrescentou, deixando o silêncio acontecer antes de prosseguir. "Agora confirmamos a existência de três âncoras de teletransporte ligadas ao reino que o jovem Ironhart mencionou em seu relatório."

Irmãos, aquilo chamou a atenção de todos. Minhas sobrancelhas se estreitaram. Então os Holts já tinham ido tão longe assim.

"Uma dessas âncoras fica bem do lado de fora do Continente Oriental, escondida sob a aparência de um antigo sítio de mineração," continuou o Imperador. "Outra foi rastreada até um complexo de comerciantes no Continente Ocidental — legalmente de propriedade de uma subsidiária Holt. A terceira… fica dentro do Continente Central."

Essa última frase bateu como um soco.

Olhei ao redor. Todos os outros também, mas ninguém falou nada. O silêncio virou suspeito. Acusações pairavam no ar sem serem ditas. Alguém nesta sala estava dormindo enquanto o inimigo construía portões bem debaixo do nosso nariz.

O olhar do Imperador percorreu a sala lentamente. "Vamos agir. Os Holts já foram longe demais."

E, naquele instante, entendi que esta reunião decidiria se este Império ainda tinha coluna vertebral… ou não.

O Imperador falou novamente.

"Esperávamos mais informações daquele jovem, Billion, mas ele não nos procurou mais. Só podemos torcer para que esteja seguro."

Até eu fiquei preocupado com o Billion. Tinha dito a ele que o comunicador podia ser usado várias vezes, mas só havíamos recebido um contato dele até agora.

"Ele está vivo."

Uma voz áspera ecoou pelo salão. Era Dante. Eu me virei para olhar para o Imperador, que simplesmente assentiu.

"Que bom ouvir isso, Dante. E os Contratantes?"

Alguns segundos de silêncio se passaram até que a mesma voz rouca falou de novo.

"Infelizmente, não encontramos nenhum sinal de que os Contratantes tenham chegado a Vaythos. Nem sabemos qual mundo ou organização eles pertencem. Talvez estejam apenas fingindo ser os Contratantes."

O Imperador assentiu lentamente.

"Entendo."

Ele fez uma pausa antes de falar novamente.

"Chamei esta reunião para informar que só temos três semanas até a chegada dos Ferans. Tenho certeza de que todos entendem a importância disso."

Lucien Rayleigh olhou direto para mim e respondeu: "Um dos líderes do clã entrou em contato comigo diretamente.

Fiquei pasmo — e não era só eu.

O Imperador continuou: "Ela disse que, por algum motivo, precisam antecipar a reunião."

Ele inclinou a cabeça e acrescentou: "E disse que não entende seu jeito de falar, por isso ela entrou em contato comigo diretamente."

Minha boca se abriu, e engoli em seco, sem jeito, para disfarçar. Eu sabia exatamente quem era essa líder de clã. Tentei flirtar com ela uma vez, até escrevi um poema. Aparentemente, fui rejeitado — de forma brutal.

Consegui dizer:

"Deve haver algum mal-entendido, Imperador. Vou verificar."

De repente, a voz rouca de Dante cortou o ar com força.

"Verificar ou verificar ela?"

Absorvi o horsness, desejando poder ver a cara daquele homem odioso.

O Imperador ignorou o comentário e continuou: "Tenho certeza de que os Ferans têm um bom motivo para acelerar o cronograma. Devem saber de algo que nós não sabemos."

Virou-se para o grande mestre responsável pela inteligência e disse: "Gabriel, deixarei essa tarefa nas suas mãos. Me informe imediatamente se encontrar alguma coisa."

Gabriel Rocks era um velho mago magro, que sempre vestia como um acadêmico, mas era um dos indivíduos mais astutos que já conheci. Não gostava dele pessoalmente, mas era bom no que fazia.

Ele assentiu com respeito: "Sim, Imperador."

Então, direcionou o olhar ao General do Exército.

"Cassian, qual é a situação das Abominações e Dos Espíritos? Alguma coisa fora do comum?"

Cassian Dorey — o general de todo o Exército Imperial — se endireitou. O homem era velho, sim, mas forte como uma besta. Parecia mais uma montanha de músculos do que um humano. Sua presença sempre enchia a sala de uma pressão estranha. Até suas técnicas baseadas na Lei eram brutais, pensadas para massacres em grande escala.

Falou em voz áspera e grave, que parecia sacudir o ar:

"Tudo é fora do comum, Imperador. Como mencionei no meu último relatório, o número de Abominações e a frequência de seus ataques aumentaram drasticamente. E os Espíritos… estão mais ativos do que nunca."

Ele fez uma pausa, o rosto se fechando.

"Especialmente no Continente Ocidental. Temos que retirar tropas do Continente Central só para segurar a linha lá."

Todos na sala inclinaram um pouco o corpo. Sabíamos que o Continente Ocidental sempre foi instável, mas se até Cassian estava tão tenso, então a situação era pior do que o normal.

"Mas isso não é o pior," continuou. "O verdadeiro problema é a família Holt. A postura deles tem sido abertamente provocativa — até imprudente. Parece que querem que nossa reação seja a mais forte possível. Como se tentassem forçar a mão do Império."

Minha sobrancelha se franziu ao escutar aquilo.

"E, se o que aquele jovem soldado disse for verdade," Cassian acrescentou, "se os Holts realmente estão fazendo experimentos com Abominações, então essa nova onda de ataques… pode estar com as mãos deles por trás."

Um silêncio pesado caiu na sala.

Olhei para o Imperador. Ele não falou nada, mas eu podia enxergar o conflito nos olhos dele. Parece calmo por fora, mas sabia que ele estava pesando cada palavra, cada possibilidade, como uma lâmina em sua mente.

Na última guerra, perdemos dois continentes inteiros. Não figuradamente — literalmente. Aquelas terras desapareceram, e as pessoas lá se perderam para sempre. E agora… nesta vez… parecia ainda mais pior.

Cada guerra que travamos só tornava os Eternals mais fortes. Cada morte no campo de batalha era mais uma alma para colher — mais uma gota de poder alimentando aqueles monstros que se escondem além do nosso mundo.

Mas, se não lutássemos… perderíamos nossa liberdade. Seríamos apenas marionetes, controlados pelas mesmas forças sombrias que estavam por trás dos Holts, de mãos dadas com eles na escuridão.

O Imperador finalmente quebrou o silêncio.

"As provocações deles não importam. Vamos atacá-los quando for conveniente a nós, não quando eles exigirem. Até lá, façam com que nossos soldados mantenham a disciplina. Sem brigas desnecessárias. Sem escaladas maiores."

Sua voz foi calma, pausada. Mas em cada palavra havia firmeza e aço.

Depois, virou um pouco para o General Cassian e perguntou: "E nossas preparações para o reino secreto? Estamos prontos?"

Cassian assentiu com firmeza.

"Sim, Imperador. Tudo está no lugar. Assim que localizarmos o reino ou encontrarmos um portal que leve até ele, podemos lançar a invasão."

O Imperador voltou a olhar para frente, agora direcionando as palavras ao espaço aparentemente vazio que abrigava uma presença muito específica.

"Dante, consegue recuperar algum dos três círculos de teletransporte que identificamos?"

O salão ficou em silêncio por um momento, até que a familiar voz rouca ecoou no espaço, seca e distante.

"Acredito que seja mais sábio esperar. Devemos ouvir o garoto novamente antes de agir e alertar os Holts de que sabemos."

O Imperador se inclinou um pouco para frente.

"Por quê?"

Não houve hesitação na resposta de Dante.

"Porque ele evoluiu para o nível Mestre."

O ar ficou parado. Ninguém falou nada.

Dante não respondeu diretamente à pergunta do Imperador — pelo menos não explicitamente. Mas acabou nos dizendo algo ainda mais importante.

Billion estava vivo e não apenas sobreviver… mas prosperando.

Ele tinha se tornado um guerreiro de nível Mestre. Já.

Nem meio ano tinha passado desde o início da sua fase de prova, e ele tinha alcançado esse nível tão rápido. Tão depressa.

Olhei para o Imperador e vi um brilho de algo raro — algo que quase nunca vimos nele. Um sorriso sutil surgiu nos cantos da boca dele.

Ele assentiu lentamente e disse: "Entendo. Então vamos esperar pela resposta dele."

E, assim, a conversa seguiu em frente — mas, no meu coração, senti algo que não sentia há um tempo.

Esperança.

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