
Capítulo 246
Meu Talento Se Chama Gerador
Depois que Ana terminou o banho e eu enxuguei o cabelo dela como o cavalheiro que realmente era, ambos voltamos caminhando em direção à clareira.
E lá estava ele — Steve, congelado no meio do movimento de golpear, com a espada a poucos centímetros de onde minha pescoço ficava.
Ana piscou. "Ele ainda assim?"
Cruzei os braços e assenti solenemente. "Sim. Assim é o caminho da verdadeira dedicação."
Ela inclinou a cabeça. "Você disse que ele estava praticando algo?"
Assenti novamente, mais sério. "A Arte da Espada Congelada. É uma técnica que foi perdida há muito tempo. Somente quem possui uma força de vontade enorme e uma vontade de levar uma piada até o fim consegue executá-la."
O olho de Steve piscou rápido. Muito mesmo.
Ana tentou segurar uma risada. "Ele... está consciente?"
"Oh, com certeza," eu disse. "Ele está meditando. Deixando a intenção de matar ferver até virar sopa."
Os lábios de Steve se moveram levemente, formando palavras que me recusei a ler. Provavelmente eram classificação R de qualquer jeito.
Andei ao redor dele, com as mãos atrás das costas, como um professor orgulhoso. "Observe o silêncio. A fúria implacável e sem controle logo abaixo da superfície. De verdade, esse homem é uma lâmina — congelada no tempo, alimentada apenas por humilhação e mesquinharia."
"Parece afiada," disse Ana, rindo baixinho.
As pupilas de Steve se deslocaram na minha direção como punhais.
"Ah, não olhe pra mim assim," eu disse, ficando a apenas um palmo da ponta da espada. "Você tentou me matar por causa de uma piada. Fez Ana ficar vermelha, chamou ela de sua 'flor preciosa' enquanto dormia, e agora está zangado porque eu falei isso. Não é muito de um santo da espada, hein."
Ana ficou corada. "Ele me chamou de quê?!"
"De nada," gritou Steve por dentro, tenho certeza.
Suspirei profundamente, balançando a cabeça com uma reverência exagerada. "Um dia, os historiadores vão olhar para trás e dizer: 'Aquele Steve, ele segurou uma lâmina por quatro horas seguidas para honrar sua vergonha.'"
A mandíbula de Steve se cerrava forte o suficiente para ouvirmos o ranger.
Ana veio até mim, com a mão na boca. "Então... quanto tempo vai ficar assim?"
Fui coçando o queixo. "Depende. Pode ficar assim até refletir sobre suas escolhas... ou até eu ficar entediado."
O corpo de Steve tremeu levemente, como um terremoto de raiva.
"Tudo bem, então," eu disse, levantando a mão com um gesto dramático. "Des congelar."
No instante em que o espaço relaxou, Steve desabou para frente, ainda segurando a espada como se fosse pra valer.
"Vocês dois estão mortos," fungou Steve.
Rimos em gargalhada, Ana e eu quase caindo de tanto rir.
Ahmedei nas costas dele e sorri. "Tudo bem, tudo bem. Pode ir tomar banho agora. Temos que partir em direção às ruínas o quanto antes."
O tom de Ana mudou, sua expressão ficou séria. "Billion, acho que não vai ser tão simples assim. Depois do que senti durante a corrupção... tenho um pressentimento ruim sobre aquelas ruínas. Ruínas por um motivo, sabe? Pode estar esperando algo por nós."
Assenti lentamente, entendendo a preocupação dela. "Entendo, Ana. Mas praticamente não temos opções. Não somos fortes o suficiente para enfrentar um Grande Mestre, e ainda não sei como trazer ajuda de fora. Atacar a base principal para libertar prisioneiros é suicídio agora, e não sabemos nada sobre a origem da corrupção."
Fiz uma pausa, depois continuei com uma voz mais firme.
"Isso nos deixa com duas opções — ou continuamos caçando e nos escondendo nesta floresta, torcendo para subir de nível rápido o suficiente pra sobreviver... ou vamos às ruínas atrás de uma maneira de despertar o Guardião. Se há alguma esperança de virar o jogo, provavelmente estará lá."
Finalmente, Steve falou, arrumando os cabelos enquanto passava por nós. "Acho que devemos correr o risco. Não vejo outro jeito melhor."
Ana ficou em silêncio por alguns segundos, as sobrancelhas franzidas. Depois, soltou uma respiração longa. "Tudo bem. Se ambos estão de acordo, não vou me esconder. Mas, como ainda estou me recuperando, não espere que eu lute no meu máximo."
Sorrindo de leve e fazendo um gesto falso de sinceridade, olhei para Steve. "Tudo bem. Eu te protejo, Ana."
Steve ficou parado no meio do passo.
Ana olhou entre nós dois, com os lábios trementes.
Já conseguia sentir sua aura mudando, uma irritação pura borbulhando por baixo. Sorrendi e pisquei para Ana.
E então me afastei em direção à Silver, rindo alto, para que Steve pudesse ouvir.
Logo depois, Steve terminou de se arrumar, e os três nos reunimos na frente de Silver. Aproveitei um momento para conferir tudo mais uma vez antes de partir.
O Motor de Essência funcionava perfeitamente, sem interrupções.
Minha reserva de Essência estava cheia.
As mudanças causadas pelo Psynapse tinham se estabilizado, e eu tinha me adaptado a elas.
O mais importante: eu estava preparado — mentalmente e fisicamente. Sentia um peso estranho no peito, como um aviso que não conseguia ignorar. Talvez uma premonição ruim. Mas não importava. Não havia outro caminho adiante. Precisávamos terminar o que começamos.
"Prontos para partir?" perguntei, olhando para eles.
"Sim," responderam em uníssono.
Assenti, então pulei e caí nas costas de Silver. Os outros dois me seguiram logo depois, acomodados atrás de mim.
Enquanto subíamos ao ar, expandi minha percepção para fora, vasculhando ao redor por qualquer sinal dos Holt. Felizmente, a floresta estava silenciosa — sem sinais de movimento inimigo.
Sussurrei baixinho: "[Domínio Absoluto]."
E, com isso, meu domínio floresceu, estendendo-se como um véu silencioso e invisível. Envolveu Silver também. O ar dentro de seus limites ficou um pouco mais denso, carregado de Essência e runas, sintonizado com minha vontade.
"Silver," disse, batendo nele. "Leve-nos às ruínas flutuantes. Rápido, o mais rápido possível."
Silver deu um ronco baixo em resposta, e suas asas se abriram com um estalo agudo. Um vendaval nos envolveu enquanto ele levantava voo, disparando para cima como um míssil. As árvores ficaram embaçadas abaixo de nós. O céu se abriu acima.
No interior do domínio, minha vontade comandava. Estendi a mão para frente e concentrei.
"Vento."
A pressão do ar ao redor das asas de Silver mudou. Moléculas se dobraram e escaparam dele, em vez de resistir. A resistência caiu drasticamente — como se estivéssemos cortando através de névoa, não de ar.
As correntes ao nosso redor se curvaram na nossa direção. O vento virou atrás das asas de Silver, não empurrando, mas puxando — acelerando nossa velocidade. Como se estivéssemos de fato em um jato que criamos por nós mesmos.
Fechei os olhos por um instante e ajustei ainda mais o domínio. Alterei levemente a luz ao redor, não o suficiente para desaparecer, mas o suficiente para borrar contornos e distorcer movimentos.
Quem olhasse de baixo só veria um lampejo, como um pássaro ou uma nuvem mudando de forma.
O mundo passou veloz sob nós. A floresta deu lugar a penhascos. Penhascos se abriram em um vale profundo, e, ao longe, acima da névoa matinal, avistei.
As ruínas flutuantes.
Estruturas enormes, trincadas e flutuando como ilhas quebradas, pairavam sobre a terra.
"É ali," eu disse.
Steve se inclinou para frente. "Até que altura vamos?"
"Não importa," respondi seco, mantendo o olhar nas ruínas.
Ana permaneceu quieta, as asas dobradas contra as costas. Estava tensa.
"Segura aí," avisei. "Estamos chegando."
Silver gritou, empenhado. Com o vento a nosso favor e meu domínio firme, avançamos em direção ao céu como um raio vermelho.