Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 213

Meu Talento Se Chama Gerador

A ordem saiu dos meus lábios como uma sentença definitiva.

"Venha."

Por um instante, a floresta ficou imóvel.

Sem vento. Sem som.

Até as árvores, retorcidas e retorcidas, pareciam recuar, inclinando-se em um silêncio que parecia… reverente.

Então tudo começou.

Do centro do meu peito, onde o núcleo nulo oscilava em um ritmo solene, uma pulsação carmesim escendeu. Não era luz. Não era chama. Era mais pesado do que ambos. Uma densa, viva névoa vermelha começou a se elevar de mim, rolando pelo chão como fumaça carregada de sangue.

A névoa engrossou e pulsou, formando uma vasta esfera de vermelho giratório ao redor de mim.

Dentro dela, algo se movia, uma silhueta, mudando de forma e se contorcendo dentro do véu. Um grito ecoou, distante, mas crescente, como o chamado de um Deus nascida na tempestade.

Um segundo passou.

Então—

FWOOOM.

As asas surgiram de repente, se desdobrando com um som como o estrondo de trovão rasgando o aço. Cada pena era uma lâmina da noite, ondulando com vermelhos escuros e negros inky. As asas se abriram amplas—imponentes, elegantes, predatórias. A névoa vermelha grudava nelas, como uma fogueira morrendo sendo açoitada pelo vento.

E então a besta aterrissou.

CRACK.

Garras tocaram o chão como martelos caindo, arrancando rochas e terra na mesma proporção. Onze metros de altura no ombro, e ainda maior quando ereta, a Falcão de Aço Prateado agora estava diante de mim, renascida.

Mas isso… não era a criatura que tinha enfrentado.

Era a sua alma, moldada e escravizada, seu corpo um espectro distorcido de memória e vingança, envolto por um manto de essência vermelha.

Suas penas estavam mais escuros agora, quase pretas, com raias de carmesim tecendo entre elas como veias de fogo. Névoa semelhante a fumaça saía constantemente de sua forma, curvando-se no ar, desaparecendo antes de tocar o chão.

Seus olhos se abriram.

Pupilas vermelhas ardentes, profundas e sábias, me olhavam com uma fúria silenciosa, mas não atacaram.

Fixamos o olhar um do outro.

E naquele silêncio, algo passou entre nós. Compreensão. Memória. Dor.

Ele se lembrou.

Então—

Um leve tilintar.

Só eu podia ouvir. Só eu podia ver.

Uma corrente azul etérea se estendia do meu peito, se alongando pelo ar em uma curva suave e conectando-se à base do esterno da águia. Ela brilhava suavemente.

E no instante em que ela apareceu, pude sentir o que a besta sentia.

Raiva. Dor. Uma fúria antiga e profunda entrelaçada em cada batida de suas asas e em cada respiração de sua alma.

Através da corrente que nos ligava, compreendi instintivamente: podia falar com ela—não com palavras, mas com intenção. O vínculo era pessoal. Íntimo. Um fio entre dois seres destruídos, puxados juntos pela raiva compartilhada.

Meus olhos percorreram a criatura.

Era enorme—quase duas vezes minha altura—e envolta por ondas de névoa carmesim que se desprendia de seu corpo como fumaça de uma estrela moribunda. Só de olhar, qualquer pessoa entenderia: isso não era uma besta invocada. Era a própria ira feita carne.

Uma tênue luz pairava acima de sua cabeça, visível somente para mim.

[Falcão de Aço Prateado – Nível 130]

Franzi o cenho. Ele havia caído de nível. Isso significava que a transferência da alma e a corrupção tinham lhe tirado algo—força, identidade, talvez até o tempo.

Avancei sem hesitar, fixando o olhar na besta. Minha mão levantou-se e pressionou suavemente seu lado.

Não era carne. Não completamente. A sensação era estranha—como tocar um fantasma tornado real. Etérea. Viva. Fria, mas ardendo por dentro.

Ele me encarou.

Não vacilei.

"Não sei se você consegue me entender," sorri suavemente, "mas planejo destruir aqueles que fizeram isso com você. E não me importaria de ter você comigo quando acontecer."

Poucos segundos passaram em silêncio. Então a águia ergueu a cabeça e soltou um grasno que rasgou a floresta. O som era primal—cheio de raiva e de algo mais profundo. Algo como um acordo silencioso.

Sorrir.

Sem dizer uma palavra, saltei para suas costas. A névoa se moveu ao redor de mim, mas não resistiu. Encontreime equilíbrio enquanto o vento brincava com meus cabelos. Meus olhos se estreitaram, vasculhando a floresta à frente.

Coloquei as mãos nos bolsos e murmurei:

"Vou te chamar de Prata… até o dia em que você voar ao meu lado. Vamos lá, Prata. Estou bravo. Vamos encontrar alguns Holts para destruir."

O corpo da águia gemeu em resposta.

As asas se estenderam ao máximo.

Booom.

A terra rachou sob nossos pés quando ela lançou-se ao céu, cortando o ar como uma lâmina escarlate—névoa trailing behind us like a war banner.

A caçada tinha começado.

Minha percepção se estendeu para o exterior, varrendo um amplo raio ao redor de Prata enquanto voávamos em direção às montanhas distantes.

O vento gritava passando por mim.

Prata avançava pelo céu como uma lança escarlate, as asas cortando as nuvens, cada batida sacudindo o ar com força explosiva.

A floresta abaixo ficava turva, os topos das árvores se curvando com a pressão deixada atrás de nós. Fiquei firme nas costas de Prata, tranquilo com a velocidade, minha camisa esvoaçando violentamente, os cabelos chicoteando ao vento.

As mãos permaneciam nos bolsos. Estável. Inabalável.

A névoa escarlate se enrolava ao nosso redor enquanto cortávamos o céu, deixando um rastro de aviso como um Deus descendo para punir.

A névoa vermelha que escorria do corpo dele não desaparecia com o vento. Persistia como uma nuvem de tempestade—ondulante, revolta, traçando uma cauda de fumaça que se enrolava atrás de nós.

Meus cabelos se agitavam selvagemente, os cílios tremendo enquanto mantinha o olhar fixo à frente. Cada sentido aguçado. Meu Psynapse vibrava como fio tenso, me alimentando de fragmentos—movimento, calor, mudanças de pressão.

Dezenas de assinaturas piscavam abaixo, como faíscas. Pequenos Abominações. Grandes Abominações. Grupos de Abominações.

Até—

Ali.

Uma figura surgiu do traceiro a quilômetros à frente. Rápida. Vestindo roupas cinza-pretas dos Holts, se movendo pelo bosque com passos aprimorados pela Essência. Ela se deslocava como uma elite treinada, zigzagueando entre as árvores, pulando sobre rochedos, claramente apressada rumo à base na borda da Serra.

Vaquei os olhos e fixei meu alvo.

'Peguei você.'

Sem uma palavra, enviei a localização dele para Prata.

Prata não hesitou.

Seus wings se ajustaram, seu corpo inclinado, e no próximo instante caímos como uma lâmina. O rugido do vento virou um uivo. Árvores passaram rapidamente como faixas de verde e marrom. Meu coração acelerava com a queda, mas eu não vacilei. Inclinei-me para frente, com o olhar fixo no alvo abaixo.

A névoa escarlate se enroscou mais firmemente ao nosso redor enquanto descíamos. Ela se estendia à frente de Prata, como dedos espectrais tentando alcançar a presa.

E lá embaixo, o Holt virou a cabeça e olhou para cima.

Senti a mudança em Prata—uma pulsação de tensão, como um arco tenso. Seu bico se abriu com um ranger metálico, e um grito ensurdecedor rasgou o céu.

Um feixe de energia escarlate saiu da boca dele, cortando o ar como uma lâmina do julgamento.

O feixe atingiu antes que o homem pudesse reagir totalmente. Suas mãos se ergueram, energia emanando em pânico—mas não foi suficiente.

A força o atingiu como um meteorito. Sua barreira rachou, depois se quebrou. Seu corpo voou para trás, despencando entre as árvores como um bebê bandagem, galhos quebrando violentamente antes de sumir na copa abaixo.

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